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02/03/2012 - 07:00hs
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Adição de etanol à gasolina interessa aos árabes

O presidente da Unica, Marcos Jank, já teve conversas nos Emirados sobre a mistura. Em palestra na Câmara Árabe, ele disse que o mundo árabe é muito interessado no debate climático.



São Paulo – Os países árabes estão interessados em conhecer o etanol como adição à gasolina, o que vem sendo adotado por várias nações ao redor do mundo. A informação foi dada pelo presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Sawaya Jank, em palestra realizada nesta quinta-feira (01), na sede da Câmara de Comércio Árabe Brasileira. Jank teve conversas sobre a possibilidade da mistura nos Emirados Árabes Unidos. Além disto, segundo ele, a Única recebe entre 180 a 200 delegações estrangeiras por ano e muitas são do mundo árabe.

Sérgio Tomisaki/Agência Meios
Sérgio Tomisaki/Agência Meios

Jank: etanol terá mercado mundial

O presidente da Unica acredita que, apesar de ser produtor de petróleo, o mundo árabe tem interesse em redução de emissões. "Eu vejo o mundo árabe observando com muito interesse esse debate climático internacional", afirmou ele, lembrando que os países em geral estão introduzindo o baixo carbono em suas legislações. Segundo Jank, as nações mais desérticas, no mundo árabe, não terão condições de produzir cana. "Mas encontrarão possibilidades de cooperação", afirmou. "Os países árabes, que olham longe, estão vendo que o petróleo não será a energia do futuro", disse Jank a cerca de 40 pessoas.

O presidente da Unica falou do mercado internacional do etanol, que vem se formando lentamente, com decisões de adição em regiões do mundo como a África. O setor vem sendo criticado por ter tido problemas de fornecimento no ano passado, com falta de etanol no mercado, justamente no período que os Estados Unidos derrubaram as tarifas para a importação do etanol de cana, abrindo o seu mercado. Com isso, o mercado vem duvidando da capacidade do Brasil de exportar etanol.

Sérgio Tomisaki/Agência Meios
Sérgio Tomisaki/Agência Meios

Câmara Árabe promoveu palestra

Jank falou que a exportação brasileira de etanol será, de fato, modesta, mas que o mercado mundial do etanol vai acontecer. As vendas externas, segundo ele, estão crescendo, apesar de o País hoje importar mais do que exportar. "As exportações vão acontecendo lentamente, na medida em que os países forem fazendo as suas misturas. Mas se tiverem reservas estratégicas porque ninguém vai querer sair da dependência do petróleo árabe para depender de outros países", afirmou.

Segundo ele, outros países produzirão etanol. "O mercado internacional vai acabar acontecendo, ele é uma consequência da criação do mercado interno dos países", disse, sinalizando que o mundo não deve ficar dependente do etanol brasileiro. "Não há porque só o Brasil ser o país do etanol", afirmou, ressaltando o potencial que a África tem como produtora do biocombustível. Atualmente mais de 30 países tem decisões de misturar etanol à gasolina.

Jank também mencionou as dificuldades pelas quais o setor passou. "Na década passada crescemos 10% ao ano, mas a partir de 2008 a indústria parou de crescer. Estamos em um momento ruim de produção devido à crise financeira mundial", afirmou, contando que um terço das empresas foi vendido e mudou de donos desde lá. As que foram vendidas foram principalmente as que investiram, acreditando no crescimento do setor. O etanol, porém, perdeu competitividade frente à gasolina e por isso o mercado anda em baixa.

Sérgio Tomisaki/Agência Meios
Sérgio Tomisaki/Agência Meios

Setor voltará a crescer, diz Jank

O setor vem tendo conversas, neste sentido, com o governo, para redução dos impostos sobre o etanol para que ele volte a ficar competitivo. Jank afirma que é uma questão de tempo para que o setor volte a crescer. A indústria de etanol traçou metas altas: chegar a 70 bilhões de litros produzidos na safra 2020/2022. Atualmente são produzidos cerca de 27 bilhões de litros.

A indústria espera também dar um salto de crescimento com a produção partir do bagaço e da palha da cana-de-açúcar, além de consolidação de projetos logísticos para o setor, como a construção de um duto para escoamento de etanol. Atualmente, o faturamento do setor sucroalcooleiro é US$ 48 bilhões, com exportações de US$ 15 bilhões, 430 usinas estabelecidas e 70 mil produtores de cana.

A palestra de Jank fez parte de uma iniciativa da Câmara Árabe de promover debates sobre assuntos de interesse de associados da entidade. O encontro desta quinta-feira teve abertura do CEO da Câmara Árabe, Michel Alaby, e presença do presidente da entidade, Salim Taufic Schahin, além de outras lideranças.

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