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04/10/2012 - 07:00hs
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Energia: eixo da relação árabe e sul-americana

Área foi definida como prioritária na cooperação entre as duas regiões, diz Declaração de Lima. Países querem soluções conjuntas para energias renováveis e consumo eficiente.



São Paulo – A energia foi definida como prioridade na relação entre países árabes e sul-americanos para os próximos anos, segundo a Declaração de Lima, documento com as resoluções da 3ª Cúpula América do Sul–Países Árabes (Aspa), que ocorre esta semana em Lima, no Peru. A energia é citada como eixo da relação birregional, especialmente assuntos que envolvem produção, consumo eficiente, desenvolvimento de energia renovável e estratégias para fazer frente às mudanças climáticas.

A declaração cita a energia como um recurso essencial ao desenvolvimento sustentável, estimula a pesquisa conjunta na área, mas deixa claro que cada país tem direito soberano para decidir as condições de desenvolvimento dos seus recursos naturais.

No documento, assinado pelos líderes das duas regiões, foi exaltada a criação da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena) em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, e o seu papel na produção da energia deste tipo no mundo. Os países da Aspa foram convidados a aderir à iniciativa.

A Declaração de Lima reafirma a importância da cooperação para a implementação de políticas públicas que garantam segurança alimentar e nutricional de forma sustentável. Essas ações devem favorecer o acesso à alimentação por parte das parcelas mais vulneráveis da população, promovendo a produção agrícola em pequenas propriedades familiares. O grupo pede reforma no Comitê Mundial de Segurança Alimentar da ONU para que ele seja a principal plataforma para o desenvolvimento destas ações.

Os governos afirmam, no texto, que pretendem continuar a desenvolver as relações entre as duas regiões e intensificá-las, principalmente na área econômica, de comércio e investimentos, reforçando o papel dos empresários nesta área. O texto ressalta os resultados positivos do Fórum Empresarial da Aspa, que ocorreu paralelamente à cúpula. O Brasil participou com uma delegação empresarial com cerca de 30 pessoas e a Câmara de Comércio Árabe Brasileira foi representada pelo presidente Salim Taufic Schahin, o vice-presidente Administrativo Marcelo Sallum, o diretor geral Michel Alaby e o assessor Alberto Pfeifer.

A declaração pede ainda a promoção da cooperação em transportes para aumentar a eficiência do frete de mercadorias, estabelecendo linhas regulares marítimas nos principais portos das duas regiões. O investimento, diz o documento, é pilar para o desenvolvimento social e econômico e chave na redução da pobreza, da desigualdade e geração de emprego.

O documento aborda também temas culturais, parabenizando a abertura da sede da Biblioteca e Centro de Pesquisa América do Sul–Países Árabes (Bibliaspa), em São Paulo, e as suas ações. A Aspa de Lima, em sua declaração final, dá seu apoio para o ensino e a divulgação dos idiomas de uma região na outra, incentiva atividades culturais, como exposições de livros e artes, shows, entre outras. Os países, segundo o documento, devem ainda começar cooperação na área esportiva.

Grande parte do documento trata de questões políticas, com pedidos de soluções pacíficas. A declaração sugere a criação de zonas livres de armas nucleares, no mundo inteiro, especialmente em locais próximos a arsenais nucleares, sem prejuízo para a energia nuclear. Também reafirma as posições do grupo sobre a Palestina, pedindo a independência do estado, a implementação das resoluções das Nações Unidas e que Israel desocupe os territórios ocupados. O documento critica a falta de progresso nos esforços do Quarteto (Estados Unidos, União Europeia, ONU e Rússia) para o fim do conflito.

Sobre a Síria, os países afirmam seu compromisso com a soberania da Síria, pedindo solução pacífica para o conflito no país, mas lembram que a responsabilidade sobre a violência e violação de direitos humanos recairá sobre o governo. O grupo pede o fim de toda violência e rejeita a intervenção estrangeira nos enfrentamentos.

O documento cita quase todos os problemas políticos das duas regiões, como disputa de ilhas entre Emirados e Irã, movimentos no Iêmen, briga pelas Ilhas Malvinas da Argentina e Grã-Bretanha, entre outros, sempre pedindo soluções pacíficas e diálogo. Também condena o terrorismo e rejeita qualquer ligação deste tipo de ação com um povo, etnia, religião ou cultura. Os países pedem que haja um combate mundial ao terrorismo no âmbito da ONU.

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