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05/10/2012 - 07:00hs
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Aspa terá plano de combate à desertificação

Países árabes e sul-americanos assinaram marco de cooperação na área e deverão estabelecer programa científico conjunto. Responsável pela coordenação na América do Sul será o brasileiro Insa.



São Paulo - Um acordo assinado na Cúpula América do Sul–Países Árabes (Aspa), no começo desta semana, em Lima, no Peru, vai dar o pontapé para a formulação de um projeto científico conjunto para o combate à desertificação por árabes e sul-americanos. O tratado sobre o tema, um marco de cooperação, foi firmado entre Instituto Nacional do Semiárido (Insa), do Brasil, e o Centro Árabe de Estudos de Zonas Áridas e Terras Secas (Acsad).

De acordo com o coordenador de pesquisas do Insa, Aldrin Martin Perez Marin, após o acordo ter sido firmado deve haver uma reunião técnica para dimensionar um projeto científico para a área. “A parceria é muito relevante porque o conhecimento é universal, está em todas as partes do mundo, não só nas universidades europeias e dos Estados Unidos”, afirma Marin. Ele lembra que países árabes têm condições ambientais ainda mais extremas que o Brasil.

Marin afirma que a cooperação com os árabes e sul-americanos deve se dar por meio da rede brasileira de ciência, que já está constituída e trabalha também com foco internacional. O Insa estará à frente do acordo com os árabes porque é ele o órgão científico do governo responsável tema da desertificação. Além disso, o instituto responde pelo Brasil na Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca.

No ano passado, o Insa sediou, em Campina Grande, na Paraíba, onde fica a sua base, um encontro com cientistas e investigadores do mundo árabe para falar sobre desertificação. Foi daí, segundo ele, que partiu a ideia de formalizar a cooperação, o que acabou ocorrendo por meio da assinatura do acordo em Lima. O Brasil foi escolhido pelo bloco sul-americano para orquestrar o trabalho, uma vez que tem experiência grande no assunto.

O marco assinado em Lima reforça a importância da cooperação técnica, científica e tecnológica entre as regiões para enfrentar os impactos da mudança climática, da degradação da terra e da desertificação. Os objetivos serão criar uma rede de pesquisa e estudos sobre a área, estabelecer uma rede internacional sobre o assunto, que crie diretrizes para preservação e recuperação de áreas afetadas pela desertificação, formar especialistas no desenvolvimento de regiões áridas e semiáridas e promover a pesquisa e inovação na área.

Também são metas da cooperação o estudo das espécies de vegetação nativa de cada país e seus benefícios nutricionais, o desenvolvimento de tecnologia para o cultivo destas espécies, principalmente as que precisam de pouca água, promover estudos sobre sequestro de carbono, estimular a simulação de cenários com eventos climáticos extremos, desenvolver estudos e troca de experiências sobre aproveitamento de água da chuva, entre outros.

O acordo afirma que haverá realização de missões técnicas e científicas e que os projetos e ações terão execução por parte das agências e instituições envolvidas, com custos partilhados. Alguns projetos poderão ter o envolvimento de outros países, com instituições multilaterais e as Nações Unidas. Insa e Acsad terão como missão coordenar as ações, acompanhá-las e avaliá-las. O marco entrou em vigor na data da sua assinatura, na segunda-feira (02).

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