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17/02/2014 - 17:35hs
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País lança programa de inovação na lavoura de cana

BNDES e Finep vão disponibilizar R$ 1,48 bilhão para planos de negócios que tragam inovação tecnológica ao setor. Objetivo é aumentar a produtividade.



São Paulo – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), agência ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, lançaram nesta segunda-feira (17) o PAISS Agrícola, uma seleção pública conjunta de planos de negócios voltados à inovação tecnológica no setor sucroenergético. Juntas, as instituições irão disponibilizar R$ 1,48 bilhão para o período de 2014 a 2018.

O objetivo do PAISS Agrícola é acelerar o desenvolvimento de novas tecnologias que aumentem a eficiência agrícola no setor sucroenergético, proporcionando maiores ganhos de produtividade no médio e no longo prazo. Hoje, as lavouras brasileiras produzem entre 11 e 12 toneladas de cana que podem ser transformadas em açúcar ou etanol. O crescimento anual de produtividade atualmente tem sido inferior a 1%, valor que já foi de 3%.

O lançamento do programa foi feito pelos presidentes do BNDES, Luciano Coutinho, e da Finep, Glauco Arbix, na sede da União da Indústria da Cana de Açúcar (Unica), em São Paulo. A presidente da entidade, Elizabeth Farina, e o ministro da Ciência e Tecnologia, Marco Antonio Raupp, também participaram do evento.

“O plano não tem uma meta fixada formalmente”, afirma Marcos Barros, analista do Departamento de Energia e Tecnologias Limpas da Finep, quando perguntado se a meta é voltar ao crescimento de 3% ao ano. “Hoje temos ganhos de produtividade industrial, mas a parte agrícola está estagnada. O que se busca é que, com a mesma área plantada, se tenha um rendimento muito maior”, explica.

Mais recursos para investimento em produtividade têm sido uma demanda das empresas do ramo há anos. Se o crescimento da produtividade das lavouras de cana voltasse hoje ao patamar de 3%, seria possível produzir 12 bilhões de litros de etanol a mais até o início da próxima década, um aumento de mais de 40% sobre a produção atual do combustível.

Os planos apoiados pelo PAISS Agrícola deverão estar dentro de cinco linhas temáticas: produção de novas variedades de cana, principalmente as que incluam melhoramento transgênico; desenvolvimento de máquinas e implementos para o plantio, assim como coleta de palha ou resíduos, com ênfase na ampliação do uso de técnicas de agricultura de precisão; criação de sistemas integrados de manejo, planejamento e controle de produção; técnicas mais ágeis e eficientes de propagação de mudas e dispositivos biotecnológicos inovadores para o plantio; e projetos que contemplem a adaptação de sistemas industriais para culturas energéticas compatíveis com o sistema agroindustrial do etanol produzido a partir da cana-de-açúcar.

Barros explica que o programa é aberto apenas a empresas brasileiras, mas não há restrição para companhias que tenham participação de capital estrangeiro, “desde que tenham registro no País e o processo de pesquisa e desenvolvimento seja feito no Brasil”. Cada empresa poderá apresentar somente um plano de negócios por linha temática.

Dos R$ 1,48 bilhão que serão disponibilizados, R$ 1,4 bilhão são de financiamentos reembolsáveis e R$ 80 milhões de recursos não reembolsáveis. “Quanto maior o risco tecnológico envolvido, mais o plano se torna merecedor de recursos não reembolsáveis”, explica Barros, sobre os critérios de distribuição de verbas do programa. Segundo o analista, é importante também que as empresas façam parcerias com instituições científico-tecnológicas no desenvolvimento de seus planos.

O analista destaca que o PAISS Agrícola é uma continuidade de investimentos no setor, pois o PAISS Industrial, lançado em 2011, havia oferecido apoio às indústrias sucroenergéticas. “O foco agora é o gargalo agrícola”, aponta. O PAISS Industrial teve a participação de 57 empresas e a aprovação de 35 planos de negócios, com R$ 2,5 bilhões em investimentos.

De acordo com Barros, espera-se que os primeiros resultados do PAISS Agrícola possam ser verificados entre 2018 e 2019. “Vamos ver se de fato conseguimos um ganho de produtividade na lavoura”, completou.

As empresas poderão apresentar seus planos de negócios até o dia 16 de maio. O resultado final será anunciado no dia 10 de julho e os primeiros desembolsos devem ocorrer ainda este ano. Mais detalhes sobre o PAISS Agrícola podem ser encontrados nos links http://www.finep.gov.br/paissagricola e www.bndes.gov.br/paissagricola.

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