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09/09/2015 - 07:00hs
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Rumo a 2020

Na esteira da exposição universal que vai ocorrer em Dubai daqui a cinco anos, projetos grandiosos voltaram a ser anunciados nos Emirados Árabes Unidos. Mercado, porém, mudou.



São Paulo – Depois da crise financeira internacional de 2008, quando a indústria da construção teve uma desaceleração vertiginosa em Dubai, projetos grandiosos voltaram a ser anunciados nos Emirados Árabes Unidos, agora na esteira da Expo 2020, a exposição universal que será realizada na cidade daqui a cinco anos.

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Expo 2020 vai ocupar área de 438 hectares

Um destes projetos é o parque da Expo 2020 propriamente dito, que deverá ocupar uma área de 438 hectares na região de Jebel Ali, além de toda a infraestrutura do entorno, como obras viárias, a extensão do transporte sobre trilhos até o local, e o fornecimento de água, energia e saneamento.

O investimento no parque em si é estimado entre US$ 2 bilhões e US$ 4 bilhões. O plano diretor deverá ser apresentado no final deste ano e a expectativa é que a construção comece em 2016. Na seara da infraestrutura, os aportes previstos são de pelo menos US$ 7 bilhões.

Para atender o esperado crescimento do turismo, dois projetos estão em andamento. Em Dubai, o novo Al Maktoum International Airport, em Jebel Ali, já está em operação, mas ainda longe de capacidade que promete ter quando finalizado: 160 milhões de passageiros e 12 milhões de toneladas de carga por ano.

Em Abu Dhabi, a capital do país, está em construção um novo terminal para 30 milhões de passageiros anuais, o que elevará a capacidade do aeroporto internacional local para 45 milhões de pessoas por ano.

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Perspectiva artística do Dubai Water Canal

Em Dubai, a Agência de Rodovias e Transporte (RTA, na sigla em inglês) leva adiante o projeto Dubai Water Canal, avaliado em 2 bilhões de dirhans dos Emirados (US$ 544 milhões), uma ampliação do Dubai Creek, braço de mar que corta o centro da cidade, que vai levar o curso d´água até a área conhecida como Business Bay, onde fica o Burj Khalifa, o prédio mais alto do mundo, e de lá volta ao Golfo na altura de Jumeirah, praia onde fica o famoso hotel Burj Al Arab, em forma de vela.

No quesito ousadia, está prevista a construção do Museu do Futuro, uma iniciativa do príncipe-herdeiro de Dubai. O projeto de arquitetura vanguardista será implementado na área onde ficam as torres gêmeas Emirates Towers, um dos cartões postais do emirado. O local será dedicado à tecnologia e à inovação, onde os visitantes poderão vivenciar experiências futuristas por meio de simulações e demonstrações interativas.

De volta ao Dubai Creek, outro empreendimento chamativo em gestação é a Aladdin City. Inspirado pelas histórias das Mil e Uma Noites, o projeto consiste em três torres comerciais dentro do braço de mar, com pontes para ligá-las entre si e à terra firme.

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Aladdin City: torres dentro do Dubai Creek

Entre os grandes loteamentos, destaque para o residencial de luxo Mohammed Bin Rashid Al Maktoum City (MBR) – District One, batizado em homenagem ao emir de Dubai e primeiro-ministro dos Emirados. O empreendimento terá capacidade para 78,3 mil residentes. As primeiras mansões deverão ser entregues em 2016.

O Al Mamzar Beachfront é mais um loteamento de uso misto em gestação. Com orçamento previsto em 10 bilhões de dirhans (US$ 2,7 bilhões), o empreendimento promete ter 4 mil residências, 300 quartos de hotel e 250 mil metros quadrados de lojas, entre outras instalações.

Na mesma linha, outro lançamento são as Deira Islands, conjunto de quatro ilhas artificiais. O empreendimento promete adicionar 40 quilômetros ao litoral do emirado e vai abrigar principalmente atrações turísticas.

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Projeto Bluewaters com a maior roda gigante do mundo

O Bluewaters, da incorporadora Meraas, será construído também numa ilha artificial e terá como principal atração a Dubai Eye, prometida como a maior roda gigante do mundo, no estilo da London Eye, da capital britânica.

Há ainda o Dubai Creek Harbour, loteamento de uso misto nas proximidades do Dubai Creek e da estação ecológica de Ras Al Khor, um santuário da fauna local. Os incorporadores, que são a Emaar Properties e a Dubai Holding, prometem construir ali as duas maiores torres gêmeas do mundo.

Com outro perfil, destaque para a Dubai Opera, teatro com 2 mil assentos para diversos tipos de espetáculos. Em Abu Dhabi, a inauguração da versão local do Museu do Louvre está programada para 2016.

Conjuntura

Além destes, existe uma infinidade de outros projetos em andamento ou anunciados no país. De acordo com a empresa de pesquisas de mercado e editora de publicações especializadas MEED, há em Dubai mais de US$ 135 bilhões em empreendimentos planejados, mas ainda não contratados. Em Abu Dhabi, o valor é de US$ 42 bilhões. No ano passado, segundo a mesma fonte, o valor dos projetos efetivamente contratados ficou entre US$ 20 bilhões e US$ 25 bilhões em Dubai, e em pouco mais de US$ 10 bilhões em Abu Dhabi.

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Dubai Opera: para diversos tipos de espetáculos

Diretor de Conteúdo e Análises da MEED, Edward James destacou as diferenças entre os dois principais mercados dos Emirados, Dubai e Abu Dhabi. De acordo com ele, há pouca movimentação em Abu Dhabi porque o emirado, o maior e mais rico do país, depende muito das exportações de petróleo – a commodity responde por cerca de 90% das receitas locais – e a forte queda nas cotações internacionais desde meados do ano passado resultou numa parada na indústria da construção.

“Há uma indecisão sobre o que fazer com o dinheiro, sobre qual é o melhor uso para o dinheiro do petróleo, especialmente com o preço em baixa”, disse James à ANBA.

Em Dubai, de acordo com ele, não há tanta dependência do petróleo, pois a economia local é mais diversificada. Para o setor de construção, o emirado depende mais de investimentos externos. O executivo destaca, porém, que mesmo mais ativo do que o do vizinho, o mercado não é o mesmo que antigamente. “Não há a mesma demanda que havia [antes da crise financeira de 2008], o mercado é a metade do que era”, destacou James.

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Emir Mohammed Bin Rashid (C) vê maquete de projeto que leva seu nome

Mas levando em consideração a explosão do mercado imobiliário de Dubai na década passada, metade não é pouco. Diretor da Big 5, principal feira da construção do Oriente Médio, Andy White ressalta que o número de unidades residenciais previstas para serem entregues no próximo ano chega a 28 mil, muito acima da média dos últimos anos, e essa oferta forçou os preços para baixo, tornando-os mais atrativos.

“Os preços estão mais baixos, caíram 11% no segundo trimestre de 2015 em comparação com [o mesmo período de] 2014. Isso porque há mais propriedades disponíveis no mercado”, destacou White.

Segundo White, depois do baque de 2008, o mercado mudou e agora a tendência é de um crescimento sustentável. O governo local, por exemplo, reduziu a porcentagem do valor dos imóveis na planta que pode ser financiada, e, consequentemente, aumentou o montante que tem que ser pago a vista, e o imposto de transferência de imóveis foi ampliado de 2% para 4%.

“Fizeram essas mudanças para dificultar a especulação”, declarou o White. Ele acrescentou que, pelo mesmo motivo, algumas construtoras passaram a vedar por conta própria a transferência de imóveis antes da construção terminada.

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Perspectiva artística do Museu do Futuro

“Até a crise [de 2008] havia um grande mercado de compras na planta, anunciavam [o projeto] e o comprador pagava antes da construção, mas agora houve limitações para concessão de hipotecas”, disse James, na mesma linha.

Embora o mercado não seja como era antes, já há alguns anos mostra sinais de recuperação. De acordo com White, a procura pela Big 5 é a maior em seis anos. “Em 2013 já começou a melhorar”, afirmou. A feira será realizada de 23 a 26 de novembro em Dubai e, segundo o executivo, terá 10% a mais de espaço do que no ano passado e reunirá 3 mil expositores, sendo 75% estrangeiros.

James lembra, porém, que o grande número de projetos anunciados não reflete obrigatoriamente o total de obras efetivamente em construção. “Anunciar é fácil, mas demora mais tempo para uma obra começar”, declarou. “Em 2014 ainda houve um otimismo por causa da [escolha de Dubai para sediar a Expo 2020], mas agora [o movimento] está fraco, pois o evento ainda está longe”, acrescentou.

Nesse sentido, ele recomendou que os exportadores, empreiteiros e outros empresários do setor olhem também para os mercados vizinhos como Arábia Saudita, Catar, Kuwait, Omã e até o Irã. “Questões geopolíticas dificultam a atividade [de empresas] de países [árabes] do Golfo no Irã, por exemplo, mas há oportunidades para países como o Brasil”, ressaltou James. A recomendação sobre o Irã vale sob a perspectiva de que as sanções econômicas sobre o país persa serão levantadas, após o acordo sobre seu programa nuclear acertado com potências globais.

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