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05/11/2015 - 07:00hs
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Chanceler vai chefiar delegação brasileira na Aspa

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, irá liderar a participação do Brasil na 4ª Cúpula América do Sul-Países Árabes, em Riad, por designação da presidente Dilma Rousseff.



São Paulo – A delegação brasileira que participará da 4ª Cúpula América do Sul-Países árabes (Aspa) será chefiada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. O encontro de lideranças das duas regiões vai ocorrer nos dias 10 e 11 em Riad, na Arábia Saudita. Nem a presidente Dilma Rousseff nem o vice-presidente Michel Temer estarão presentes. Pela primeira vez o Brasil não será representado por seu chefe de estado na Aspa.

José Cruz/Agência Brasil

Ministro Mauro Vieira vai liderar delegação

Segundo informações da Presidência da República e do Itamaraty, Dilma designou o chanceler para representá-la na Aspa, entre outros motivos, por questões de agenda. A presidente pretende participar da reunião de cúpula do G20, no dia 15, na Turquia, e comparecer aos dois eventos a levaria a ficar muito tempo fora do Brasil. Já Temer deverá representar o País nas comemorações dos 40 anos da independência de Angola, na próxima semana.

Na seara interna, vale lembrar que o Brasil passa por um momento de turbulência política e que o governo tem tido dificuldade em controlar sua base no Congresso Nacional.

A pauta da Aspa deverá ser dominada por temas como a crise dos refugiados e os conflitos que atingem países árabes como a Síria, Iêmen e Líbia. Segundo o Itamaraty, o Brasil e as demais nações sul-americanas querem mostrar que não estão indiferentes a estas questões e que apoiam a busca de soluções.

De acordo com a diplomacia brasileira, o País emitiu vistos para mais de oito mil pessoas que fogem da guerra civil na Síria, sendo que mais de dois mil sírios receberam status de refugiados no Brasil até o momento.

Entre os assuntos que são sempre abordados nas reuniões da Aspa estão as ações de cooperação entre as duas regiões, o intercâmbio cultural, o comércio e os investimentos. Segundo o Itamaraty, a corrente comercial da América do Sul com o mundo árabe atingiu US$ 34,7 bilhões no ano passado, um aumento de 183% em comparação com 2005, quando foi realizada a primeira cúpula, em Brasília, por iniciativa do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O Brasil respondeu pela maior parte das transações em 2014, com US$ 24,8 bilhões em exportações e importações do mundo árabe.

A diplomacia brasileira cita o avanço do comércio e a abertura de rotas aéreas entre as duas regiões como exemplos do sucesso da Aspa. Até 2007 não havia nenhuma linha direta entre o Brasil e países árabes, mas hoje é possível voar diretamente de São Paulo ou do Rio de Janeiro para Dubai e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, Doha, no Catar, e Casablanca, no Marrocos. O encontro entre lideranças das duas regiões é visto como capaz de gerar novas oportunidades nestas e em outras áreas, como, por exemplo, a diversificação de mercados num momento de baixa demanda por commodities agrícolas e petróleo.

Fórum

Nesse sentido, será realizado nos dias 08 e 09 o Fórum Empresarial América do Sul-Países Árabes, também em Riad. Entre os participantes estará a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, que vai à Arábia Saudita com o objetivo de reabrir o mercado local para a carne bovina brasileira, fechado desde o final de 2012. Para o Ministério da Agricultura, isso permitirá o acesso a outros mercados da região do Golfo.

Abreu deverá ter encontros com o ministro saudita da Agricultura, Abdulrahman Al Fadhli, e com o presidente da Autoridade Saudita de Alimentos e Medicamentos (SFDA, na sigla em inglês). No fórum empresarial, a ministra tem reuniões marcadas com representantes de empresas e entidades setoriais dos ramos de agricultura, alimentos e comércio.

Os principais temas do fórum serão transporte e logística e, segundo o Itamaraty, a criação de linhas de navegação diretas entre a América do Sul e o mundo árabe é de especial interesse da parte árabe.

Do lado sul-americano, está confirmada a participação de pelo menos 34 representantes de empresas e entidades empresariais, como a Câmara de Comércio Árabe Brasileira, que é uma das organizadoras do encontro. O presidente da Câmara Árabe, Marcelo Sallum, o vice-presidente de Comércio Exterior, Rubens Hannun, e o diretor-geral da entidade, Michel Alaby, estarão no evento.

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