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10/11/2015 - 21:50hs
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Aspa é fonte de soluções para desafios, dizem líderes

4ª Cúpula América do Sul-Países árabes começou com promessas de avanços, mas as regiões enfrentam muitos problemas presentes, sendo alguns muito antigos.



Riad – A 4ª Cúpula América do Sul-Países Árabes (Aspa) começou nesta terça-feira (04) em Riad, na Arábia Saudita, de olho no futuro, mas com problemas bem presentes nas duas regiões e com um pé no passado. Se por um lado líderes dos 34 países defenderam as metas de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas para 2030 e compromissos ambiciosos na Conferência do Clima da ONU (COP 21), que será realizada em dezembro em Paris, por outro têm que lidar com os conflitos que assolam nações do Oriente Médio e Norte da África - e geram migrações em massa -, com uma economia mundial fraca e com os baixos preços das commodities que exportam, e com o sempre presente confronto entre Israel e Palestina. A cooperação birregional, porém, foi apontada como fonte de soluções para muitos desafios.

AFP

Rei Salman (C) conversa com Abdulla II, da Jordânia, e Rafael Correa (D), do Equador

O presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi, destacou que partes do mundo árabe “correm o risco de se desmantelar”, referindo-se às guerras civis na Síria, Líbia e Iêmen, e que a ação de extremistas na região leva ao “secessionismo e à anarquia”. O combate ao terrorismo é uma das principais preocupações dos líderes árabes. O Egito ocupa a presidência da Cúpula da Liga Árabe, por isso Sisi foi um dos oradores da abertura.

Já o vice-presidente do Uruguai, país que está na presidência da Unasul, ressaltou que a queda dos preços do petróleo e das commodities agrícolas acabou com um “ciclo de bonança que favoreceu o desenvolvimento econômico” das duas regiões e que esta “nova conjuntura” requer encontrar novas alternativas para manter o crescimento, e defendeu a utilização da chamada cooperação Sul-Sul, entre nações em desenvolvimento, para alcançar os objetivos pós-2015 da ONU e para combater as mudanças climáticas.

O secretário-geral da Liga Árabe, Nabil Al-Arabi, por sua vez, afirmou que a paz entre Israel e Palestina “é a chave para a paz no mundo árabe” e resolveria “a questão da instabilidade na região”. “Sem resolver o conflito palestino-israelense, nada poderá ser feito”, sentenciou.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, que se sentou à mesa de oradores porque o País foi idealizador e sediou a primeira Aspa, em 2005, listou o posicionamento brasileiro frente à maioria dos temas em debate. Ele declarou, por exemplo, que a cooperação Sul-Sul “deve passar a se pautar pelo desenvolvimento sustentável”; que o Brasil é um “país de acolhimento” e está “de braços abertos aos refugiados”; que a nação “crê na resolução pacífica de conflitos”; que “é contra qualquer forma de terrorismo”, e que no caso da Palestina, defende a solução de dois estados com as fronteiras de 1967 e a retomada das negociações.

Convidado ao evento, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, citou os países latino-americanos como exemplos no acolhimento de refugiados dos conflitos árabes e no avanço do “empoderamento” das mulheres, política que ele defendeu com ênfase. A Arábia Saudita, país anfitrião da cúpula, é extremamente conservadora no que diz respeito aos direitos das mulheres. “As mulheres devem ter o poder de dirigir o desenvolvimento”, ressaltou.

Avanços

Mas os líderes destacaram também o crescimento das relações entre as duas regiões nos dez anos desde a realização da primeira Aspa. Sisi, por exemplo, disse que o comércio saltou de US$ 6 bilhões para US$ 33 bilhões no período e defendeu a “abertura de novos horizontes de cooperação”.

“Houve um bom ritmo de atividades entres as cúpulas”, acrescentou Mauro Vieira. Ele ressaltou que, além do comércio, aumentaram os investimentos recíprocos e foram criadas várias linhas aéreas diretas.

Vieira afirmou também que o Brasil acolhe as recomendações feitas aos governos pelo 4º Fórum Empresarial América do Sul-Países Árabes, que ocorreu em Riad no último domingo, e destacou o trabalho da Câmara de Comércio Árabe Brasileira e do Conselho de Câmaras Sauditas, organizadoras do fórum. Entre as sugestões dos empresários, o chanceler citou a proposta de criação de joint-ventures nas áreas de logística e transportes. O ministro defendeu ainda esforços das duas regiões para liberalizar o comércio, especialmente na próxima reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC), que vai ocorrer em Nairobi, no Quênia.

Em seu discurso de boas-vindas, o rei da Arábia Saudita, Salman Bin Abdulaziz, destacou a importância do “fortalecimento das nossas relações (entre as duas regiões) para o bem de nossos povos”, da aproximação comercial e econômica, e da cooperação em ciência, tecnologia e outras áreas.

Na mesma linha, Sisi disse: “Vontade política e principalmente valores culturais comuns vão ajudar a aproximar nossas regiões.” Ele sugeriu também cooperação na área de segurança, um tema caro aos árabes, pois “só assim faremos frente ao terrorismo”, e ainda investimentos e intercâmbio em educação e cultura como remédios para o mesmo mal. “O Egito tem vontade de se tornar um modelo de cooperação entre os povos”, afirmou.

A abertura da cúpula ocorreu no suntuoso Centro Internacional de Conferências Rei Abdul Aziz, localizado próximo ao palácio real Al-Yamamah, em Riad. Estavam presentes os reis da Jordânia, Abdullah II, e do Bahrein, Hamad Bin Isa Al-Khalifa, os presidentes do Iraque, Mohammed Fuad, da Palestina, Mahmoud Abbas, do Equador, Rafael Correa, da Venezuela, Nicolás Maduro, do Sudão, Omar Al-Bashir, da Mauritânia, Mohamed Ould Abdel Aziz, do Djibuti, Ismail Omar Guelleh, das Ilhas Comores, Ikililou Dhoinine, o emir do Catar, Tamin Bin Hamad Al-Thani, os primeiros ministros dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed Bin Rashid Al Maktoum (emir de Dubai), da Tunísia, Habib Essid, do Kuwait, Jaber Al Sabah, do Marrocos, Abdullah Bin Keran, e do Peru, Pedro Cateriano, o vice-presidente da Argentina, Amado Boudou, além de ministros e outras lideranças dos 34 países árabes e sul-americanos.

A 4ª Aspa será encerrada nesta quarta-feira com a assinatura da declaração final, que foi negociada até a manhã de terça.

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