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11/11/2015 - 15:13hs
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Árabes e sul-americanos querem parceria estratégica

Declaração final da 4ª Cúpula América do Sul-Países Árabes destaca a importância de 'realizar esforços novos e sistemáticos' para levar as relações birregionais a um novo patamar.



Riad – A declaração final da 4ª Cúpula América do Sul-Países Árabes (Aspa), encerrada na tarde desta quarta-feira (11) em Riad, na Arábia Saudita, defende a criação de uma parceria estratégica entre as duas regiões. De acordo com o documento, os líderes das 34 nações consideram importante “realizar esforços novos e sistemáticos para desenvolver uma parceria estratégica”, concordam com a implementação de um plano de ação para facilitar a coordenação de posições regionais em relação a temas internacionais e apoiam a criação de programas de cooperação em diferentes áreas.

Fayez Nureldine/AFP

Emir de Dubai e premiê dos Emirados Árabes, Mohammed Al Maktoum, participa da cúpula

Nesse sentido, os governos dos dois blocos se comprometem a “fortalecer o diálogo político atual”, defendem a fixação de metas para cooperação em áreas de “alta prioridade” como saúde, educação, redução da pobreza, meio ambiente, mudanças climáticas, energia, manejo de recursos hídricos, segurança alimentar e desemprego.

O objetivo é ampliar o intercâmbio birregional e promover o desenvolvimento sustentável por meio da criação de “mecanismos e projetos que contribuam efetivamente para atingir” estas metas. O documento reafirma o compromisso dos países com a Agenda de Desenvolvimento Sustentável da ONU a ser atingida até 2030.

Para tanto, a declaração propõe a facilitação e a intensificação de programas de transferência de tecnologias e dos fluxos de comércio e investimentos, em especial nos setores de produção de alimentos, energia, inovação, infraestrutura, turismo, indústria e tecnologias da informação.

Na seara comercial, os líderes destacam “os resultados positivos do 4º Fórum Empresarial América do Sul-Países Árabes”, realizado no dia 08, também em Riad, “com o propósito de fortalecer a cooperação econômica entre ambas as regiões”. Em entrevista coletiva após o encerramento da cúpula, o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, agradeceu o trabalho da Câmara de Comércio Árabe Brasileira na organização do fórum, ao lado do Conselho de Câmaras Sauditas.

O texto defende que os países membros da Aspa “encorajem os setores público e privado” a investir na conectividade marítima entre as duas regiões. “O comércio será afetado de maneira positiva”, observou Vieira sobre a iniciativa debatida no fórum de se criar joint-ventures nas áreas de logística e transportes.

A declaração comemora o aumento do comércio birregional desde a realização da primeira Aspa, em 2005, mas resalta que “ainda há possibilidades inexploradas que permitiriam maior crescimento e diversificação do comércio e dos investimentos”.

Ainda na área econômica, a Argentina foi contemplada com a passagem que “destaca a importância de não permitir que os fundos abutres paralisem os esforços de reestruturação das dívidas de países em desenvolvimento”.

Segurança

Temas caros aos países árabes, a resolução de conflitos, a segurança e o combate ao terrorismo têm papel de destaque no documento. Nesse sentido, os países reafirmam “o direito de todos os povos de viver em um mundo de livre de qualquer arma nuclear”, a necessidade de se chegar a uma paz justa e duradoura entre Israel e Palestina com base no princípio de troca de “terra pela paz”, com a consagração dos direitos legítimos do povo palestino e o estabelecimento de dois estados com base nas fronteiras de 1967. Os governantes demandam que Israel desocupe os territórios palestinos, cesse e remova todos os assentamentos nestas regiões.

Fayez Nureldine/AFP

Jubeir: declaração teve aprovação unânime

As lideranças condenaram “o terrorismo em todas as suas formas e manifestações” e rejeitaram “qualquer tentativa de associar o terrorismo com religiões, culturas e grupos étnicos específicos”. Nessa linha, a declaração afirma o compromisso dos estados em prevenir qualquer tipo de auxílio direto ou indireto a grupos como o autointitulado Estado Islâmico, a Frente Al-Nusrah, que atua na Síria, e a Al-Qaeda.

O compromisso com a soberania da Síria, sua independência e unidade territorial faz também parte da declaração, assim como a defesa de uma solução política para o conflito que assola o país desde 2011. O texto faz considerações semelhantes sobre a Líbia e o Iêmen, e defende o acolhimento de refugiados e o financiamento de ações humanitárias.

Em meio aos conflitos surgidos após a Primavera Árabe, a cúpula Aspa comemorou o processo de transição democrática na Tunísia e ressaltou o recebimento do Prêmio Nobel da Paz pelo quarteto de instituições da sociedade civil tunisiana que trabalhou para a realização do processo e a conciliação nacional.

Na coletiva, o ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, Adel Al Jubeir, destacou que a declaração trata de uma ampla gama de assuntos de interesse das duas regiões. “É um documento histórico”, afirmou. “E foi adotado de forma unânime”, acrescentou. A cerimônia de encerramento da cúpula foi presidida pelo rei saudita, Salman Bin Abdulaziz.

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