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14/04/2016 - 16:10hs
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Desenhos árabes de um brasileiro

De gravuras e instalações ao projeto de uma mesquita, o trabalho do arquiteto e artista paulistano Sami Akl traz a influência do Líbano. Em obras e exposições, ele mostra sua relação com a terra e a cultura de seu pai.



Sami Akl

Gravura sufi: o lado místico do Islã

São Paulo – Foi na infância que o paulistano Sami Akl começou a desenhar, também foi nesse período em que seu pai decidiu que ele deveria morar uma temporada no Líbano para aprender a língua e a cultura de sua família. Anos depois, as duas coisas se juntaram. Akl se tornou arquiteto e artista e trouxe a influência árabe para o seu trabalho.

Amante do desenho, Akl acredita que essa arte fala com o inconsciente das pessoas. “O poder do desenho está quando as pessoas sentem uma conexão com ele, quando ele traz alguma memória para as pessoas”, afirma. Para ele, se expressar com desenhos sempre foi mais interessante. “Eu me expresso em desenhos, é a minha linguagem. É uma linguagem poderosa e misteriosa”, enfatiza.

De fato, os desenhos se espalharam pela vida e pela carreira de Akl, que atua ainda com arquitetura, pintura, escultura e design de móveis. Com diversas exposições no Brasil, ele também já mostrou seu trabalho nos Estados Unidos e na Alemanha.

Do período de um ano e meio que morou no Líbano, Akl guarda boas lembranças. O idioma árabe, aprendido aos seis anos de idade, até hoje é falado fluentemente. Ele frequentava uma mesquita no Vale do Bekaa. Hoje, aos 56 anos, Akl diz acreditar em Deus, mas não se considera um homem religioso.

Por conviver com a comunidade muçulmana no Brasil desde cedo, em 1986, quatro anos depois de ser formar, Akl foi convidado por representantes do governo do Irã (país não árabe do Oriente Médio) a construir a construir a primeira, e até hoje única, mesquita xiita de São Paulo, localizada no bairro do Brás.

“O [aiatolá] Khomeini enviou dois xeques para o Brasil e eles começaram a conhecer a comunidade árabe aqui. Meu pai, que era muçulmano, falou que seu filho era arquiteto e eles quiseram que o filho de um muçulmano projetasse a mesquita”, lembra.

Divulgação

Mesquita do Brás: convite feito pelo governo do Irã

O projeto levou quase um ano para ser concluído. Para o trabalho, além das memórias das visitas à mesquita libanesa, Akl também comprou um livro com referências internacionais. “Comprei um livro importado sobre mesquitas do mundo inteiro. Peguei as referências que eu achava interessante. Fui pegando as coisas que se identificavam comigo”, explica sobre a elaboração da mesquita.

Para Akl, o tempo que passou na terra de seu pai foi importante para que ele entendesse a importância do templo para os muçulmanos. “Na hora de construir, meu gosto estético estava muito conectado com o islamismo”, diz.

Não foi só no projeto da mesquita que o paulistano deixou suas influências árabes atuarem. Akl tem outros trabalhos onde mostra suas origens, como a gravura em metal de um homem sufi, praticante de uma corrente mística do Islã, e a instalação Pilares do Islã, feita em 1997, no Centro Cultural São Paulo.

Atualmente, Akl dedica a maior parte de seu trabalho artístico a pinturas com colagens. Seu trabalho pode ser conhecido pelo site www.samiakl.com.

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