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30/06/2016 - 16:11hs
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Do Facebook para o papel

Chega às livrarias o livro ‘O cara mais esperto do Facebook’, que reúne poemas compostos por Abud Said sobre sua vida na Síria em conflito.



São Paulo - Na contramão das tendências editoriais, uma série de poemas compostos pelo sírio Abud Said e publicados em seu perfil no Facebook ganharam formato de papel e se tornaram livro. Em “O cara mais esperto do Facebook”, publicado pela Editora 34,o autor retrata desde efemeridades da vida até os mais trágicos desafios em meio ao cotidiano da guerra na Síria. O livro foi originalmente publicado pela editora Microtext, de Berlim, e agora ganha a versão em português, traduzida diretamente do árabe por Pedro Martins Criado. Foi lançado oficialmente no Brasil na Feira Literária Internacional de Paraty (Flip), para a qual ele foi convidado.

Divulgação

No livro: amor pelas mulheres, ironia com a guerra

Said nasceu no vilarejo de Manbij, na província de Alepo, na Síria. Viveu na cidade até 2012, quando bombardeios o obrigaram a se mudar com a mãe e sete irmãos para a própria cidade de Alepo. Said chegou a entrar na faculdade de Economia, mas não seguiu adiante porque o curso foi suspenso. Ele trabalhou como ferreiro e depois, por três anos, em uma fábrica no Líbano. Em 2009, começou a publicar todos os dias seus poemas no Facebook. Abaixo de cada poema, o livro apresenta quantas “curtidas” os versos receberam, ou seja, quantas pessoas gostaram daqueles versos.

Além das coisas simples da vida, os sonhos, as mulheres e a guerra, a mãe de Abud é presença constante nos textos. Eles viviam juntos na Síria, até que devido ao lançamento do livro, ele recebeu asilo político na Alemanha. À ANBA, afirmou apenas que escrevia sobre sua mãe pelo simples fato de os dois viverem juntos. Atualmente, ela mora na Turquia.

O Facebook foi a forma encontrada pelo autor de falar sobre o cotidiano sem que ele tivesse algum compromisso literário com seus poemas. “Não há razão (para eu ter feito os poemas), eu não sabia que eu estava escrevendo literatura, estava apenas escrevendo sobre minha vida, coisas do dia a dia. As pessoas, então, começaram a me dizer que eu era um escritor e que aquilo era literatura”, afirmou, em uma entrevista feita exatamente pelo Facebook, um meio de comunicação que lhe permitiu expressar seus pensamentos. “(Escolhi o Facebook) porque ali há espaço livre. Não há liberdade na vida real”, afirmou.

Entre as composições mais populares estão: “Ela disse: eu me arrisquei atravessando milhares de quilômetros, e você, o que fez?/ Eu disse: te mencionei num post” e “Confissão 41: eu nunca vi uma mulher de biquíni na minha vida”.

As batalhas não escaparam da ironia: “Toda vez que eles dizem ‘grupos armados’/uma gargalhada coletiva ecoa no cemitério”. A mãe do autor é citada em vários poemas. “Até minha mãe já me apresenta às convidadas da vizinhança e aos parentes: este é meu filhinho Abud: o cara mais esperto do Facebook”.

Outros versos demonstram, ao mesmo tempo, seu amor pelas mulheres e crítica à guerra: “No telefone/bem quando ela decidiu me contar o que estava vestindo/o avião soltou a bomba”. Said é colunista do site Vice da Alemanha e do jornal alemão TAZ. Ele tem outro livro publicado, em que recorda sua infância na Síria.

Serviço

Título: O cara mais esperto do Facebook
Autor: Abud Said
Tradução de Pedro Martins Criado e posfácio de Sandra Hetzel
96 páginas
ISBN: 978-85-7326-624-5
R$ 38,00

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