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20/07/2016 - 14:10hs
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A Sherazade brasileira

Neta de libaneses, a paulistana Clara Haddad aprendeu com a avó a tradição oral dos contos árabes. Ela fez disso sua profissão e, hoje, encanta crianças, jovens e adultos com narrações.



Divulgação

Haddad: narrativas árabes são as preferidas

São Paulo – Ouvir histórias fez parte da infância de muita gente, mas a paulistana Clara Haddad deu um significado especial a essa etapa de sua vida. Neta de libaneses, ela ouvia da avó contos árabes permeados de gênios e outras criaturas fantásticas. Atraída por esse universo, fez disso uma profissão. Hoje, ela é narradora profissional de histórias e encanta crianças, jovens e adultos com as mais diversas fábulas.

“Eu cresci com o universo das Mil e Uma Noites, com gênios que saíam da lâmpada e ogros que queriam atrapalhar a vida [dos humanos]”, conta Haddad. Para ela, as histórias eram a forma que sua avó encontrou de lhe ensinar coisas sobre a vida. “A tradição árabe tem essa reflexão sobre as atitudes. Através das histórias, consegue-se perceber como funciona a vida”, diz.

Formada em Artes Cênicas, Haddad trabalhava com teatro quando, em 1998, em viagem ao Rio de Janeiro, descobriu que ali haveria um Encontro Internacional de Contadores de Histórias. Foi ao evento e se viu de volta à sua infância e aos contos de sua avó. Acabou descobrindo o que queria ter como nova profissão.

“Fui pesquisando histórias árabes, contos africanos”, diz a narradora. Hoje, aos 41 anos, ela não consegue precisar quantas histórias sabe de cabeça e diz que o público de cada evento que participa influencia na escolha dos contos narrados. “Muitas eu aprendi ouvindo, mas também gosto de ler. As histórias vão surgindo conforme o público. Nunca sei as histórias que vão aparecer. Não gosto de ir [aos eventos] com trabalhos fechados. Vou muito aberta. Nunca os espetáculos são iguais”, explica.

Em seu repertório, Haddad tem histórias de diversas origens, como portuguesas e brasileiras, mas dois tipos são os seus preferidos. “Vou muito pela linha dos contos árabes e africanos, que são mais a minha praia. Sou capaz de ficar dias contando histórias”, revela.

E qual sua história preferida? “O príncipe Adil e os Leões”, responde. Adil era um príncipe árabe. Ao completar 18 anos esperava que seu pai lhe desse um suntuoso presente, mas o que ele ganha é um desafio: enfrentar o leão que vive perto do palácio. Assustado, Adil decide fugir, mas por todos os lugares que passa encontra um leão. Até que chega a um belo palácio, no qual se apaixona por uma princesa. Vendo que não podia se casar sendo um covarde, decide voltar ao seu reino e encarar o leão que o pai havia lhe pedido. Ao entrar no local onde vivia o animal, este dá um salto e começa a lhe lamber as botas. Surpreso, Adil ouve do pai que não era preciso matar o animal, o desafio estava em encará-lo.

“Os contos árabes são contos de ensinamento”, destaca a narradora. E ela leva estes ensinamentos a diversos lugares. Em Portugal, onde mora desde 2005, ela criou a Escola de Narração, a primeira, e até agora, única escola do tipo no país. Lá, ela forma outros narradores de histórias, além de treinar pessoas que queiram trabalhar em bibliotecas ou falar bem em público.

No Brasil, onde passa cerca de três meses por ano, ela tem uma parceria com o espaço Ilha da Lua, no bairro do Tatuapé, zona Leste de São Paulo, no qual oferece cursos rápidos sobre narração.

Em parceria com sua irmã Sandra, Haddad também criou o projeto Jovens Narradores – Descobrindo Novos Horizontes na escola pública Professor Airton Arantes Ribeiro, no Jardim São Luís, na capital paulista. Hoje, o projeto atende a 320 crianças e jovens nesta escola, com oficinas de narração, projeção vocal, expressão corporal, escrita e leitura.

A lista de trabalhos da narradora inclui ainda a realização de espetáculos para diferentes tipos de público, coaching, palestras em festivais, congressos e encontros nacionais e internacionais e até a participação em casamentos, nos quais ela narra a história de amor do casal.

Além do português, Haddad conta histórias em inglês e espanhol. Mas foi em seu idioma nativo que ela ganhou o reconhecimento do público no exterior. Em 2015, ela foi eleita a melhor narradora em língua portuguesa do festival belga Alden Biesen. O evento, dedicado exclusivamente à narração de histórias, reuniu mais de 35 contadores, cada um narrando em sua própria língua. A escolha foi feita por um público que reunia portugueses e brasileiros.

Quem quiser saber mais sobre o trabalho de Haddad pode acessar a página da narradora no Facebook pelo link https://www.facebook.com/ClaraHaddadNarradora/.

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