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30/08/2016 - 16:47hs
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Tecnologia pode acelerar trâmites de comércio exterior

Em debate na USP, especialistas defenderam uso de tecnologia para dinamizar processos de exportação no País, em especial no agronegócio. Michel Alaby, diretor da Câmara Árabe, falou sobre atuação da entidade na área.



São Paulo – O uso de tecnologia para processos de certificação, rastreamento e liberação de cargas pode gerar ganhos significativos de tempo e de dinheiro nos trâmites de exportação dos produtos brasileiros, em especial de produtos do agronegócio. O tema foi discutido nesta terça-feira (30) por especialistas da área durante o seminário Aplicações da Internet das Coisas no Agronegócio, Saúde e Indústria, realizado na Universidade de São Paulo (USP), na capital paulista.

Aurea Santos/ANBA

Alaby: registro eletrônico para Egito e outras nações árabes

Michel Alaby, diretor-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, falou sobre o processo de registro on-line que está sendo implementado pelo governo do Egito em parceria com a entidade. Pelo novo processo, os exportadores brasileiros que queiram vender ao país árabe deverão preencher um formulário e certificá-lo na Câmara Árabe. 

“Os documentos são certificados online e, eventualmente, no momento seguinte, traduzidos para o idioma árabe e enviados eletronicamente para o controle geral da exportação e importação de alimentos no Egito. De posse desses documentos on-line, eles verificam, analisam na tela e enviam on-line para os portos. Quando o navio chegar, praticamente já estarão liberados esses documentos e essa carga”, explicou o executivo.

Alaby ressaltou que o Egito é o primeiro país no qual a entidade está desenvolvendo esta parceria, que deve ser estendida em breve a outras nações árabes.

“Nós estamos fazendo esse processo inicial junto ao Egito. Em seguida, nós vamos fazer com a Arábia Saudita e, no início do ano próximo, vamos tentar com os Emirados. Os Emirados têm o porto de Jebel Ali, para onde vão praticamente todas as cargas destinadas ao Golfo, em que o navio entra de manhã e sai à noite. Quer dizer, não demora mais que 24 horas essa estadia do navio. Eles têm um processo muito informatizado e só falta que a gente vá lá e estabeleça um critério [para estabelecer o processo de registro]”, disse.

Vale lembrar que o Egito é um dos principais importadores de carne bovina do Brasil. Somente de janeiro a julho, a nação árabe comprou o equivalente a US$ 399 milhões em carne brasileira.

Fernando Sampaio, diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), destacou que a cadeia de carne bovina brasileira movimenta R$ 483 bilhões desde a produção até a distribuição aos consumidores. No evento, ele apontou a inovação como base para o sucesso dessa indústria.

“A gente chegou nessa posição à base de muita inovação, que aconteceu nas fazendas, na indústria frigorífica e, para continuar na ponta, a gente precisa continuar apostando na inovação. Estamos falando de inovações que devem ser feitas na automação de frigoríficos, na robotização de condições que hoje são insalubres. Tem muito a ser feito na conexão entre essa cadeia toda”, avaliou.

Flávio Scorza, diretor do Departamento de Competitividade no Comércio Exterior no Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), falou sobre a importância de o Brasil acompanhar os avanços tecnológicos implementados na cadeia do comércio exterior para que o país não fique cada vez mais atrás em relação às nações desenvolvidas.

“A cooperação entre governo e setor privado é fundamental para que o Brasil possa incorporar elementos da internet 4.0 na sua economia", afirmou. O conceito de internet 4.0 refere-se à ideia do uso da tecnologia de forma integrada às atividades da sociedade em diferentes setores, como saúde, educação e indústria, entre outros.

Um dos principais avanços que o Brasil está realizando nesse sentido é o chamado Canal Azul, desenvolvido pelo Grupo de Automação Elétrica em Sistemas Industriais (GAESI), da USP, coordenado pelo professor Eduardo Mário Dias, um dos organizadores do seminário.

O Canal Azul é um processo eletrônico de exportação e importação de mercadorias agropecuárias e que, entre outras coisas, se propõe a modernizar o controle oficial das exportações e gerar uma economia de 72 horas para o exportador, por meio da digitalização dos processos de documentação das cargas que circulam nos portos brasileiros.

Em mensagem lida por um representante, Marcos Pereira, titular da pasta do MDIC, destacou que o Canal Azul tem potencial de reduzir em até 15 dias o tempo em que um contêiner fica parado antes de embarcar ao seu destino.

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