logo_anba_pt logo_camera_pt
19/09/2016 - 07:00hs
Compartilhe:

Em Saqqara, os Textos das Pirâmides

Famoso pela pirâmide em degraus de Zoser, o sítio egípcio está cheio de maravilhas, como o túmulo do faraó Unas, o primeiro com inscrições que posteriormente seriam compiladas no Livro dos Mortos, além do Museu Imhotep.



Alexandre Rocha/ANBA

Pirâmide de Unas: escombro por fora...

Cairo – As grandes pirâmides de Gizé e a esfinge são as atrações mais famosas dos arredores do Cairo - e do Egito -, mas um pouco mais ao sul da capital a necrópole de Saqqara reúne algumas das construções mais importantes do período faraônico. O sítio é mais conhecido pela pirâmide em degraus de Zoser, primeira pirâmide de Egito e considerado o mais antigo monumento de pedra do mundo. O faraó pediu que seu arquiteto Imhotep a construísse em 2650 a.C.

O complexo funerário de Zoser é impressionante e por si só vale a visita, mas Saqqara tem muito mais, afinal era a necrópole de Memphis, capital do Egito durante o Antigo Reino, primeira fase histórica do período faraônico, portanto repleta de pirâmides de reis e tumbas de nobres e outras figuras importantes.

Um dos destaques é a Pirâmide de Unas, localizada bem em frente ao complexo de Zoser. Construída pelo faraó Unas (2375 a 2345 a.C.), o último da 5ª dinastia, por fora o monumento parece uma pilha de entulho, mas por dentro a história é bem diferente. Trata-se do primeiro túmulo real do Egito a ter sua câmara funerária decorada. No teto, estrelas, nas paredes, inúmeros hieróglifos, os primeiros dos famosos Textos das Pirâmides.

Alexandre Rocha/ANBA

... e beleza por dentro

A prática foi depois utilizada em outras pirâmides de Saqqara, e os textos compilados no chamado Livro dos Mortos. As inscrições são encantamentos destinados a proteger a alma do rei no além. São orações, cânticos e listas de itens, como roupas e alimentos, que o faraó necessitaria no pós vida.

A Pirâmide de Unas foi reaberta à visitação pública no primeiro semestre de 2016, depois de um longo tempo fechada, dentro da política do Egito de ampliar a oferta de atrações para atrair mais turistas. No entanto, quanto a reportagem esteve no local no domingo (11/09) a entrada estava fechada, foi necessário localizar o vigia para abri-la.

Monumentos de Saqqara fecham e abrem periodicamente, então é bom verificar antes da visita o que estará aberto. Não é possível, porém, entrar na Pirâmide de Zoser, por causa da fragilidade da estrutura. Parte dela está, inclusive, coberta de andaimes em função de trabalhos de restauração, dado o risco de desabamento.

Alexandre Rocha/ANBA

Detalhe dos Textos das Pirâmides

Para entrar no túmulo de Unas é preciso descer ao subsolo quase agachado por uma passagem baixa. Primeiro entra-se numa antecâmara repleta de hieróglifos nas quatro paredes e estrelas no teto triangular.

Na câmara mortuária adjacente, mais hieróglifos e outros entalhes decorativos. Embora os pigmentos tenham desaparecido em boa parte, ainda é possível ver vestígios das cores originais, como o azul dos textos e outras tonalidades ao fundo, onde está o sarcófago de pedra do rei. Apenas vestígios do corpo mumificado foram encontrados quando da exploração do sítio.

A trilha calçada que leva à pirâmide é ladeada por outras tumbas que podem ser visitadas, como a da princesa Idut, do príncipe Unas Ankh, filho do faraó, e de Inefrt. Nelas, destaque para os baixos relevos que retratam cenas do cotidiano e animais. Alguns ainda conservam as cores originais.

Imhotep

Ainda em Saqqara, não deixe de visitar o Museu Imhotep, batizado com o nome do arquiteto de Zoser, que também era médico – talvez o primeiro da história -, sacerdote, sábio, escriba, poeta, astrólogo, vizir e, mais tarde, durante o Novo Reino, cultuado como deus. Embora pequeno, o local é muito bem organizado e traz algumas maravilhas encontradas em Saqqara.

Alexandre Rocha/ANBA

Relevo de hipopótamo fêmea parindo na tumba de Idut

Destaque para as peças de faiança verde-piscina que decoravam as galerias sob a Pirâmide de Zoser, montadas numa reprodução das paredes do monumento. Destaque também para a múmia do faraó Merenre I (2297 a 2292 a.C.). É a múmia completa mais antiga encontrada no Egito. Veja também uma múmia que, embora anônima, é ricamente decorada e as cores fortes estão intactas. Admire-se ainda com estátuas altamente realistas do Antigo Reino e um sarcófago de madeira maciça do próprio Imhotep. É proibido tirar fotos dos artefatos.

A entrada para o sítio de Saqqara dá direito também ao museu e custa 80 libras egípcias (US$ 9,01 ou R$ 30,02). Há muitos outros monumentos no parque que valem a pena ver, como a Pirâmide de Teti e a Mastaba (túmulo) de Ti, portanto é bom reservar um dia para visitar o local, que fica a cerca de uma hora do Cairo de carro. Recomenda-se levar lanche, água, protetor solar e boné, pois o sol é implacável.

Como em outros sítios famosos do Egito, é comum o assédio de vendedores, guias locais e de pessoas que oferecem passeios de camelo, cavalo ou burrico. Como o turismo está em baixa atualmente no país, eles vão apelar também para a emoção, dizendo que há poucos visitantes, os negócios vão mal e que precisam de dinheiro para comer. Isso não quer dizer que você terá que abrir a carteira. Compre algo apenas se quiser e negocie o preço. No caso de gorjetas, dê o que achar justo, e não ligue se pedirem mais.

Enviar por E-mail:





Comentários

Seu comentário será enviado para um moderador antes de ser publicado.





imagem_form