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19/09/2016 - 07:00hs
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Sauditas usarão tecnologia brasileira

Cientista da Universidade Federal de Pernambuco, Fred Freitas, lidera criação de versão de um raciocinador para uso em universidade da Arábia Saudita.



São Paulo – Um grupo de brasileiros está trabalhando na criação de uma ferramenta tecnológica para uso em pesquisas na Arábia Saudita. A equipe do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), liderada pelo professor doutor Fred Freitas, desenvolveu um raciocinador chamado Reasoner based on the Connection Calculus over Ontologies (Raccoon) e está fazendo uma versão para a King Abdullah University of Science and Technology (Kaust).

Divulgação

Fred Freitas: estudos no Brasil e Alemanha

O raciocinador é uma espécie de calculadora complexa que ajuda a fazer consultas dentro de ontologias, conjunto de conceitos inter-relacionados dentro de um determinado assunto. Na prática, as ontologias são como grandes bancos de dados, mas com informações mais abrangentes e profundas, e o raciocinador ajuda a relacionar os conceitos contidos nelas para, a partir disso, trazer novas luzes e conclusões sobre o tema.

Freitas espera que o Raccoon seja disponibilizado aos sauditas até o final do ano. A versão será uma adaptação do raciocinador para que ele explore o potencial dos supercomputadores utilizados na Kaust, segundo informações dadas à ANBA por telefone. O Raccoon vai atuar na pesquisa dos sauditas na área de biologia e também um pouco na de bioquímica. O professor conta que os sauditas já usam um raciocinador atualmente, mas o serviço é lento. O objetivo é que a criação brasileira leve para eles respostas mais efetivas, segundo Freitas.

O trabalho tem a participação de estudantes da universidade pernambucana, mas o cálculo matemático do qual o raciocinador se originou é do professor Freitas. O pesquisador alemão Jens Otten ajudou a polir o cálculo do brasileiro e o estudante Dimas de Melo Filho desenvolveu o raciocinador com a ajuda de outros alunos e também de outro professor.

Fred Freitas é graduado em Tecnologia de Computação pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e tem doutorado em Inteligência Artificial pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Ele fez pós-doutorado na Universidade Mannheim, da Alemanha, na área de Web Semântica. Na época, o brasileiro pesquisou bastante sobre o tema em parceria com Jen Otten, do Institut Für Informatik da universidade alemã de Potsdam. Foi a partir daí que surgiu a ideia de criar o raciocinador.

Em função do contato com os pesquisadores alemães, Freitas acabou conhecendo Robert Hoehndorf, que atualmente é professor assistente na Kaust. O alemão o convidou para dar um ciclo de palestras na Arábia Saudita em março deste ano, oportunidade na qual o brasileiro falou sobre o Raccoon e acabou despertando interesse. Assim que o raciocinador estiver pronto para os sauditas, parte da equipe deve passar um período no país árabe para o início da sua utilização.

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