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27/02/2017 - 14:30hs
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Golfo importa 78% dos alimentos que consome

Café da Manhã promovido pela Câmara Árabe na Gulfood, em Dubai, apresentou a empresários brasileiros particularidades do mercado árabe. Importações do setor vão dobrar até 2020.



Isaura Daniel/ANBA

Pandey abordou mercado de alimentos

Dubai – Os países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) importam a maioria dos alimentos que consomem e vão gastar US$ 53,1 bilhões com compras deste segmento no exterior em 2020. Os dados foram apresentados nesta segunda-feira (27) em café da manhã promovido pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira durante a Gulfood, feira de alimentos que segue até esta quinta-feira em Dubai.

Quem falou sobre o tema e deu dicas de nichos de mercados e estratégias para os brasileiros foi o diretor da Glasgow Consulting Group, Vishal Pandey. O GCC é formado por Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã e importava US$ 25,8 bilhões em alimentos em 2010. O volume de gastos com as compras daqui três anos significará mais que o dobro daquela época. As importações respondem por 78% do abastecimento local no setor.

O consultor apresentou aos brasileiros quem são os principais "players" do varejo de alimentos e apontou que as vendas por meio de supermercados e hipermercados estão crescendo na região. De acordo com informações apresentadas por Pandey, os Emirados Árabes Unidos são o mercado varejista mais desenvolvido e inovador do Golfo, com 62% dos supermercados estabelecidos em formatos modernos e com influências do Ocidente.

Isaura Daniel/ANBA

Encontro reuniu brasileiros em Dubai

Segundo o consultor, os grupos internacionais têm cada vez uma contribuição maior no segmento no GCC e o varejo de alimentos está bem concentrado. Os cinco principais nomes da área representam 13% do mercado na Arábia Saudita e 36% nos Emirados. Segundo ranking mostrado pela Glasgow, Azizia Panda é o maior operador na área nos Emirados, seguido por Lulu Hypermarket, Geant, Spinneys e Carrefour. Pandey também deu informações sobre os maiores varejistas dos demais países do Conselho de Cooperação do Golfo.

Aos empresários brasileiros ele deu a dica de que a demanda por alimentos saudáveis e de alimentos embalados é cada vez maior no Golfo, de que o "private label" está amplamente difundido e de que há um mercado grande de expatriados e consumidores jovens. O estudo também mostra que há maior consumo de alimentos orgânicos em função do aumento de doenças e obesidade, que a comida halal está em ascensão, assim como há consciência cada vez maior do consumidor em relação à nutrição e à questão social.

Isaura Daniel/ANBA

Hannun: facilitações no comércio

O encontro promovido pela Câmara Árabe reuniu principalmente expositores brasileiros presentes na Gulfood e ocorreu dentro do Dubai World Trade Centre, onde também acontece a feira. O Café da Manhã foi aberto pelo presidente da Câmara Árabe, Rubens Hannun, que apresentou o objetivo do evento: ajudar as empresas a conhecerem as peculiaridades do mercado de alimentos da região. Ele também falou que a entidade vem trabalhando para diminuir a burocracia e facilitar a trânsito de pessoas e produtos entre Brasil e mundo árabe.

Os empresários também ouviram informações da Ras Al Khaimah Free Trade Zone (RAK) sobre as vantagens de estabelecer uma base nos Emirados dentro de uma zona franca. A palestra foi dada por gerente de Desenvolvimento de Negócios da RAK Free Trade Zone, David Zabinsky, que falou sobre as duas maneiras de começar a fazer negócios nos Emirados: dentro de uma zona franca ou fora dela. De acordo com o executivo, fora das zonas francas os estrangeiros precisam fazer joint-ventures com um parceiro local e normalmente estão limitados a uma participação de 49% na propriedade. Na zona franca, eles podem ser donos de 100% do negócio e repatriar todo o seu lucro.

Isaura Daniel/ANBA

Zabinsky falou sobre a RAK Free Trade Zone

Zabinsky apresentou dados sobre Ras Al Khaimah, uma das sete regiões dos Emirados Árabes Unidos, ressaltando a segurança e a estabilidade do emirado, a economia dinâmica e diversificada e a participação da indústria do Produto Interno Bruto (PIB), que é de 25%. O emirado tem quatro portos e um aeroporto internacional. A RAK Free Trade Zone abriga 12 mil empresas de cem países e de 50 setores, segundo o gerente. O maior número é da Índia.

Norte da África

Depois de ouvir dados sobre o mercado do Oriente Médio, os empresários também receberam informações sobre a demanda nos países árabes do Norte da África. Quem apresentou foi o diretor de Operações da Câmara Árabe, Mauricio Borges. O executivo mostrou a participação do Brasil na importação de alimentos e também falou sobre o apoio que a entidade dá aos empresários. “Queremos cada vez mais oferecer para vocês relacionamento no mundo árabe, para que vocês possam entrar no mercado com segurança”, disse Borges.

Tâmara Machado/Câmara Árabe

Perillo (2º da dir. para a esq.) foi recebido por lideranças da Câmara Árabe

O coordenador de Promoção de Negócios da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Rafael Prado, falou rapidamente aos presentes. “Não basta estar no Brasil tentando fazer negócios de longe, tem que estar aqui, tem que investir”, disse ele. O diretor geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, também deu seu conselho aos empresários. “Esse mercado é desafiador, exige paciência, perseverança e muito trabalho de relacionamento, o que é fundamental no mundo árabe”, disse o executivo.

A Apex e a Câmara Árabe participam da Gulfood juntamente com mais de 90 empresas brasileiras. A equipe da Câmara Árabe também desenvolve agenda paralela à feira em Dubai para facilitar negócios entre Brasil e Emirados. Nesta segunda-feira, houve reunião na Dubai Exports, órgão que trabalha na promoção de exportações dos Emirados. O presidente Hannun e o diretor geral Alaby ainda receberam no estande da entidade na Gulfood o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), que está nos Emirados com uma delegação de empresários.

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