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01/03/2017 - 07:00hs
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Há novo olhar para o Brasil nos Emirados, diz diplomata

Paulo Cesar Meira de Vasconcellos é o embaixador brasileiro nos Emirados há dois anos e meio. Ele percebe que após turbulência no Brasil, relações das duas regiões voltaram com força.



Abu Dhabi – Após período de turbulência política e econômica no Brasil, o interesse dos Emirados Árabes Unidos pelo País voltou e com força. Essa é a percepção do embaixador do Brasil nos Emirados Árabes Unidos, Paulo Cesar Meira de Vasconcellos, que está por deixar o posto em Abu Dhabi. Vasconcellos foi designado para a embaixada brasileira em Tel Aviv, em Israel. Em entrevista à ANBA nesta terça-feira (27), o diplomata fez uma avaliação das relações entre Brasil e Emirados nos dois anos e meio em que vive no país árabe.

Isaura Daniel/ANBA

Vasconcellos: mais de dois anos em Abu Dhabi

Vasconcellos observa um interesse maior entre os dois países cerca de três meses para cá. “Não só delegações brasileiras estão vindo, como várias empresas dos Emirados estão indo para o Brasil”, afirma o embaixador. Só neste começo de ano houve a participação do Brasil nas feiras Idex, do setor de defesa, Gulfood, de alimentos, ainda em andamento, e Arab Health, da área de saúde. O prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB), esteve no país, assim como o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

O fundo soberano Abu Dhabi Investment Authority (Adia) enviará uma missão para o Brasil no mês de março para prospectar novas oportunidades de investimentos e a empresa árabe Caracol assinou acordo para instalar fábrica no estado de Goiás. “Existe um novo olhar para o Brasil, eles sentem que a economia brasileira está começando a voltar aos trilhos. Há ainda uma certa preocupação com a estabilidade política, mas eles estão vendo que o Brasil está no caminho certo”, afirma Vasconcellos.

O embaixador constata que quando chegou nos Emirados, as relações estavam em seu ápice, depois tiveram uma baixa e agora estão voltando ao ápice. “A relação entre Brasil e Emirados é muito boa”, afirma. Segundo o diplomata, na época de incerteza, os fundos e empresários que iniciaram parcerias ficaram esperando um pouco para ver o que aconteceria, mas seguiram seus negócios. “A relação entre os setores privados sempre continuou e continua. Mesmo durante a época de crise, continuava”, afirma.

Vasconcellos afirma que os Emirados têm uma grande confiança no Brasil. Ele lembra quando houve o embargo da carne bovina brasileira em 2012 por outros países da região, como Arábia Saudita, Kuwait e Catar, os Emirados não o fizeram. Atualmente, o embargo já caiu. “Aqui na década de 1970 começaram a entrar os frangos brasileiros da Sadia e isso criou uma certa segurança em relação ao produto brasileiro”, relata o embaixador. 

Hoje Brasil e Emirados são investidores recíprocos. A produtora brasileira de carne de frango BRF tem fábrica na zona industrial de Kizad, em Abu Dhabi, e fundos árabes têm investimentos no Brasil. A experiência dos negócios do fundo Mubadala com o empresário Eike Batista, que faliu, não chegaram a frear investimentos. “Eles sempre fizeram questão de dizer que não perderam um tostão, e eles continuam investindo e diversificando”, afirma o diplomata. Segundo o embaixador, isso prova que existe segurança jurídica no Brasil.

Para sua fábrica em Kizad, a BRF importa frangos do Brasil e os beneficia localmente. Parte dos produtos fica no mercado dos Emirados e parte é reexportado. “As empresas brasileiras já entenderam a importância dos Emirados como um trampolim para toda essa área. Elas sabem que os Emirados não são apenas importadores de produtos alimentícios, mas também uma plataforma para toda essa região do Golfo, Norte da África, Ásia”, afirma Vasconcellos.

Uma sugestão de quem tem experiência na área sobre o que fazer para que o relacionamento entre Emirados Árabes Unidos e Brasil siga crescendo? O diplomata afirma que as relações políticas são muito boas, que existe confiança entre os dois lados, e que o comércio deve ser incrementado e o investimentos também, principalmente as parcerias. “Estamos começando a fazer isso”, disse, sobre esse último.

O fluxo maior também pode ser visto na imigração. A comunidade brasileira que vive nos Emirados é de seis mil brasileiros, segundo o embaixador. O número não leva em contar pessoas com dupla nacionalidade, como libanesa e brasileira, e que estão no país com a primeira. Há brasileiros em todos os lados, desde na hotelaria até na construção, mas Vasconcellos destaca a grande quantidade em alguns grupos, como no transporte aéreo, onde só trabalhando na Emirates há mil brasileiros, e no ensino de Jiu-Jitsu, que há 600 pessoas.

Essa presença de brasileiros nas ruas, casas, restaurantes, metrô dos Emirados também ajuda a propagar o Brasil em outras áreas. “Porque você come hoje culinária italiana no mundo inteiro? Porque os italianos migraram para o mundo inteiro”, constata.

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