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01/03/2017 - 15:52hs
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Câmbio intensifica negociações na Gulfood

Empresas brasileiras estão fechando contratos na feira do setor de alimentos de Dubai, mas desvalorização do dólar frente ao real dos últimos meses exige mais negociação de preços.



Dubai – Demanda forte, negócios fechados e novos contatos feitos. A Gulfood, feira do setor de alimentos que ocorre em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, está sendo lugar de tudo isso para as empresas brasileiras participantes, mas também é palco para negociações de preço. O dólar se desvalorizou sobre o real nos últimos meses e o movimento exige que as companhias nacionais ajustem os preços dos seus produtos para seguir vendendo com lucro no mercado externo.

Isaura Daniel/ANBA

Hees, da Agra, conversou muito com iranianos

A moeda norte-americana terminou a última sexta-feira (24) cotada a R$ 3,093, abaixo dos R$ 3,39 de quatro meses atrás. Há cerca de um ano, o dólar andava pela casa dos R$ 4,20. Entre cinco empresas entrevistadas pela ANBA, todas fizeram negócios na feira e a maioria teve dificuldade de repassar aos importadores novos preços, baseados em uma cotação mais desvalorizada da moeda norte-americana. A instabilidade do câmbio atrapalha os negócios, segundo eles.

A Agra Foods, produtora de carne bovina do Mato Grosso e expositora brasileira na Gulfodd, está buscando negociar preços melhores com os importadores na mostra, de acordo com Matias Hees, consultor de exportações da empresa. Ele conta, no entanto, que não está sendo possível repassar toda a perda que houve com o câmbio. "O cliente não aceita", diz.

Hees acredita que a proximidade do Ramadã aquecerá mais a demanda por carne bovina no Oriente Médio e, assim, será possível conseguir valores melhores. O Ramadã é o período religioso de um mês no qual os muçulmanos jejuam durante o dia e fazem refeições coletivas à noite. Neste ano, ele começa no final de maio. “Os embarques iniciam em abril”, afirma.

Mas a Agra Foods teve um bom desempenho na Gulfood. “Está muito boa a feira, há frequência de clientes de todo o Oriente Médio, tivemos uma procura bastante interessante de empresas do Irã”, conta Hess. A companhia exporta para dez países, entre eles os árabes Palestina, Jordânia, Emirados, Egito e Argélia. Os embarques ao exterior somam 1,5 mil toneladas de carne por mês, cerca de 35% da produção. A meta é chegar a 50%.

O frigorífico mineiro Mataboi fechou contratos na Gulfood. Muitos foram com importadores que já são clientes, mas houve prospecção de novos negócios, segundo o seu trader, Fabiano Furlan. A empresa também encontrou dificuldade com o preço. “O preço que a gente precisa nem sempre eles podem pagar”, diz. Furlan conta que repassou parte das perdas com a desvalorização do dólar, mas não tudo.

Isaura Daniel/ANBA

Ruy e Felipe, da Dom Glutão: negócios com Hong Kong

O trader vislumbra como alternativa procurar mercado na Rússia ou China ou mesmo entre os árabes, mas para produtos diferenciados, para conseguir valor melhor. Furlan afirma que é preciso um dólar estável, independentemente da cotação, para exportar. “A volatilidade atrapalha”, diz. O Mataboi abate dois mil bois por dia e no mercado árabe exporta para Arábia Saudita, Líbano, Argélia, Egito, Palestina e Emirados.

A produtora de carne bovina Dom Glutão, do interior de São Paulo, fechou negócios com importadores de Hong Kong, com os quais já tinha contato, durante a Gulfood. O executivo da Ruy Schefer Corte, afirma que a maior procura no estande foi de compradores da Arábia Saudita. “Tem demanda, mas o preço não está bom para vender”, afirmou ele à reportagem da ANBA, ao lado de outro executivo do frigorífico, Felipe Schefer Corte.

A indústria paulista de café solúvel Iguaçu também fechou negócios na Gulfood com quem já compra seus produtos e fez contatos com novos importadores. A companhia exporta para mais de 40 países, entre eles os árabes Arábia Saudita, Egito e Jordânia. A Iguaçu vende ao exterior café solúvel a granel e café solúvel embalado com a marca da empresa. A maior parte vai a granel e ganha a rótulo do cliente.

Isaura Daniel/ANBA

Marquez: maioria da exportação é a granel

O produto solúvel é feito a partir do café conillon e uma seca que a região produtora do Espírito Santo enfrentou nos últimos anos afetou a colheita desse tipo de grão e também elevou os preços. “Não paramos de vender, mas vendemos menos do que poderíamos em função dos preços”, afirma o executivo de Vendas da Iguaçu, Roberto Marquez, sobre os reflexos nas exportações da alta da cotação do café e da desvalorização do dólar frente ao real.

No estande da Pandurata, fabricante paulista de marcas como Bauducco e Visconti, a meta de vendas para a Gulfood já tinha sido batida na manhã desta quarta-feira. Os produtos da empresa vão para 81 países, inclusive para os árabes Emirados, Iêmen, Jordânia, Líbano, Arábia Saudita, Tunísia, Argélia, Líbia e Marrocos.

O gerente de Exportações da companhia, Alain Wehbe, afirma que trouxe preços bem atrativos para a feira. “O mercado árabe é agressivo em preços”, diz. Segundo Wehbe, o câmbio afeta o lucro com exportação também da Pandurata, mas a empresa conseguiu vender com ganhos na Gulfood. “Na beirada”, afirma ele, sobre a margem estreita com o novo câmbio. Os produtos enfrentam no mercado árabe a concorrência da Turquia, que tem vantagens como proximidade e taxas.

Isaura Daniel/ANBA

Wehbe, da Pandurata, bateu meta de vendas

Mas Wehbe se mostrava bem satisfeito com a Gulfood nesta quarta. Ele afirma que teve em seu estande muita procura de importadores iraquianos, que receberam incentivo de crédito para importação do governo. A feira, segundo o gerente, é excelente, melhora a cada ano e tem qualidade de clientes. Ele também elogiou os serviços da Agência Brasileira de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), que organizou estande para empresas brasileiras na mostra.

A Gulfood começou no último domingo e termina nesta quinta-feira (02) em Dubai. A participação brasileira é de mais de 90 empresas, em espaços organizados pela Apex-Brasil e pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira. A mostra acontece no Dubai World Trade Centre (DWTC). Também há empresas brasileiras com participação individual, em estandes independentes, como a JBS.

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