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02/03/2017 - 16:35hs
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Feira de Dubai gera US$ 1,16 bilhão para brasileiros

Esse é o número levantado pela Apex-Brasil de negócios fechados na Gulfood e de vendas que devem ocorrer nos próximos doze meses a partir da mostra. Projeção inicial foi superada em 60%.



Dubai – A maioria das empresas brasileiras que participaram da Gulfood, feira do setor de alimentos que ocorreu em Dubai, finalizou a mostra com negócios fechados. Apenas as companhias que expuseram nos espaços organizados pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) conseguiram US$ 1,157 bilhão em negócios.

Isaura Daniel/ANBA

Brasil teve participação expressiva na Gulfood

O valor se refere a vendas fechadas na feira e projetadas para os próximos doze meses a partir de contatos na mostra, segundo informações divulgadas pela assessoria de imprensa da Apex. A expectativa inicial da agência era de negócios de US$ 728 milhões e foi superada em 60%. A feira começou no domingo (26/02) e terminou nesta quinta-feira (02/03). 

A Gulfood teve também espaço brasileiro organizado pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira, além de estandes individuais de empresas como JBS. No total, participaram da exposição mais de 90 companhias brasileiras de setores como feijão, milho, arroz, café, carne bovina, carne de frango, açúcar, biscoitos, guloseimas, pipoca, entre outros.

“A tendência do Brasil é crescer cada vez mais nessa feira, uma vez que somos um dos países mais importantes na produção de alimentos”, afirmou o presidente da Câmara Árabe, Rubens Hannun, à reportagem da ANBA. O presidente da entidade acompanhou os primeiros dias da mostra e percebeu uma explosão de movimento e negócios. “Parece que essa feira está se transformando na mais importante do mundo”, disse Hannun.

Isaura Daniel/ANBA

Profissionais da Milhão: muitos negócios

A empresa brasileira Milhão, produtora de milho em grão e moído, fez vendas para o Canadá, Bahrein, Paquistão, Indonésia e Argélia na Gulfood. Também começou negociação com o Marrocos, segundo o gerente de importação e exportação da indústria, Raul Dantas. A Milhão já exporta para os sauditas e está tentando abrir o mercado dos Emirados Árabes Unidos. “A feira foi muito boa, a Milhão sempre estará na Gulfood”, declarou Dantas.

A empresa produz GMO Free, como são chamados no mercado internacional os produtos que não são transgênicos. Atualmente, o cliente árabe para o qual a empresa vende compra o milho moído para fabricação de "snacks". O fato de serem livres de transgênicos dá muita força para os produtos no mercado árabe, segundo Dantas. “Esse é um mercado que não se importa com o preço, mas com a qualidade”, diz o gerente, sobre o GMO Free.

Isaura Daniel/ANBA

Perez, da Fitotrade: encontro com clientes

A Fitotrade, empresa brasileira de consultoria em comércio exterior, fechou na Gulfood negócios com clientes que já tinha e iniciou discussões com importadores de regiões como África Ocidental, Hong Kong, Vietnã, China, Ilhas Seychelles e Maldivas. As vendas foram das marcas Nicolini e Alliz, indústrias de carne de frango, para Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Iraque; e da empresa de carnes enlatadas Oderich para Iraque e Líbano.

“Hoje mercado do Oriente Médio e África se discute na Gulfood”, afirmou o sócio gerente da empresa, Rodolfo Gonzales Perez. A Fitotrade trocou a viagem de 30 dias que fazia aos países árabes pela feira de Dubai, já que nela encontra seus importadores. No segundo semestre do ano é realizada uma viagem complementar de cerca de dez dias.

Isaura Daniel/ANBA

Josiane conversou com importadores

Sobre os mercados com os quais teve contato na Gulfood, ele diz que o africano está com problema de divisas, mas é possível perceber uma pequena melhora em função da reação dos preços do petróleo. Na Arábia Saudita, Perez afirma que não estão bons os valores pagos para o frango inteiro, mas está bom para vender cortes de frangos.

A trader da South America Food (SAF), Josiane Palozi, conta que a feira foi boa para a empresa. Ela negociou com clientes que já tinha e fez contatos com empresários que compram nos mercados locais e querem começar a importar diretamente. Eles são principalmente da Arábia Saudita e dos Emirados. “Vale a pena colocar uma bandeira aqui, dizer que estamos aqui no mercado”, afirmou a trader sobre a Gulfood.

Isaura Daniel/ANBA

Lavanhini conta que Dori mostrou novidade

A produtora de doces Dori trouxe para a Gulfood um lançamento, o Passoket, doce de amendoim coberto de chocolate. De acordo com Supervisor de Exportações da empresa, Rafael Alves Lavanhini, houve um retorno bom quanto ao produto. De acordo com ele, a Gulfood é boa para a empresa encontrar os clientes que tem na África e Oriente Médio. A Dori já exporta, no mundo árabe, para Emirados, Jordânia, Líbano, Palestina, Líbia, Marrocos e Iêmen.

Lavanhini relata, no entanto, uma dificuldade que boa parte dos expositores do Brasil encontrou na mostra: negociar preços baseados na nova cotação do dólar sobre o real. “Na última Gulfood o dólar era de cerca de R$ 4,00, ontem fechou a R$ 3,09”, diz o supervisor. Ele trouxe os preços novos e tentou negociar. “Nem sempre eles entendem. Muitos dos países deles têm câmbio fixo”, afirma. Além do dólar desvalorizado, também o aumento do preço do açúcar em 2016 pesa para a Dori.

“Mas a Dori é uma empresa sólida, tem bastante experiência com exportação, tentamos manter os mercados, vale a pena manter os mercados e esperar que o dólar melhore”, afirma Lavanhini. A exportação representa 15% das vendas da Dori, que atende 60 países.

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Hannun: mercado tem potencial muito bom

Satisfeito com a participação brasileira na Gulfood, o presidente da Câmara Árabe afirma que as empresas brasileiras precisam estar sempre atentas à competitividade. “Precisamos ver como conseguimos ser mais competitivos porque vários países concorrem conosco e estão prestando atenção no mercado árabe, que tem um potencial muito bom”, disse Hannun.

Além de participar da feira, a Câmara Árabe teve agenda paralela com instituições e representantes governamentais em Dubai e Abu Dhabi, para ajudar a facilitar os negócios entre Brasil e Emirados. Também foi organizado um café da manhã para empresas brasileiras expositoras da Gulfood sobre o mercado de alimentos do Golfo. “Estamos dando apoio, suporte e informações às empresas brasileiras sobre como fazer negócios e sobre qual é o potencial dos países árabes”, disse Hannun.

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