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28/04/2017 - 19:33hs
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Embaixadores árabes conhecem produção de frangos

Diplomatas visitaram unidade da Seara no Rio Grande do Sul e viram como funciona o processo desde o abate até a remessa dos produtos ao mercado. Fábrica exporta 90% do que produz ao Oriente Médio.



Alexandre Rocha/ANBA

Diplomatas assistem a apresentação sobre a fábrica

São Paulo – O Conselho dos Embaixadores Árabes no Brasil visitou nesta sexta-feira (28) uma fábrica da Seara, do grupo JBS, na cidade de Montenegro, próxima a Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Os diplomatas acompanharam o processo de produção desde o abate halal dos frangos, feito por muçulmanos, até a embalagem e a remessa dos produtos.

Segundo o diretor de Exportações da Seara para Oriente Médio, Norte da África, Rússia e Comunidade de Estados Independentes, Fábio Haubrich, 90% da produção da fábrica vai para o Oriente Médio, principalmente para o Egito.

São abatidas diariamente 440 mil aves, o que resulta na produção de 450 mil toneladas de frango do tipo griller, com cerca de um quilo, mais 20 toneladas de miúdos e 17 de pés de galinha. Este último item é embarcado inteiramente para o mercado asiático.

De acordo com Haubrich, a unidade é segunda maior do País em produção de griller, tamanho de frango preferido nos países árabes, e é “sempre focada no halal”, como são chamados os produtos preparados de acordo com tradições islâmicas, para atender os mercados muçulmanos. A certificação do local é feita pela Fambras Halal.

Alexandre Rocha/ANBA

Fonseca dá explicações aos embaixadores

Os embaixadores foram guiados pelas instalações quase que totalmente automatizadas pelo gerente da fábrica, Tiago Fonseca. É obrigatório se vestir dos pés à cabeça com roupas fornecidas pela empresa para evitar contaminação. Ao entrar em cada ala é necessário lavar as mãos e as botas de borracha. A lista de procedimentos de higiene e segurança é longa.

“Os embaixadores puderam ver de perto as medidas de higiene adotadas e todo o processo do frigorífico, desde que o animal chega até que saia embalado, tudo automatizado e higienizado”, comentou o decano do conselho e embaixador da Palestina, Ibrahim Alzeben. Esta experiência, segundo ele, permitiu que os embaixadores vissem a responsabilidade na produção e o rigor com os que os alimentos são tratados.

Na avaliação do embaixador Osmar Chohfi, vice-presidente de Relações Internacionais da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, que acompanhou a delegação, os diplomatas árabes puderam “constatar a excelência sanitária, a qualidade da produção e instalações industriais que utilizam as tecnologias mais avançadas”.

Alexandre Rocha/ANBA

Delegação conheceu diversas fases do processo de produção

“Eles viram que os procedimentos sanitários e halal são integralmente cumpridos”, destacou o diretor-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, que também acompanhou o grupo. O Oriente Médio é o principal mercado do frango exportado pelo Brasil.

Balanço

A visita ao frigorífico ocorreu no segundo e último dia de uma missão dos embaixadores árabes ao Rio Grande do Sul. Na quinta-feira, os diplomatas se reuniram com o governador do estado, Ivo Sartori, com o prefeito em exercício de Porto Alegre, Gustavo Paim, e com empresários na Federação do Comércio local (Fecomércio).

“As visitas ao governador e ao prefeito foram oportunidades para ver o potencial do estado desde a ótica oficial, que foi complementada com o encontro na Fecomércio, onde conhecemos a infraestrutura industrial e comercial empresarial”, disse Alzeben.

Ele afirmou que surgiram oportunidades concretas de negócios no jantar na Fecomércio, quando os diplomatas apresentaram diferentes demandas de seus países e os empresários, os produtos e serviços que podem oferecer.

“Tivemos contato com empresas de diferentes setores, como de materiais reciclados, casas pré-fabricadas, carnes, frangos e calçados”, afirmou o decano. O embaixador destacou também a presença de executivos da Marcopolo e da Tramontina, companhias que têm forte atuação no mundo árabe. “Esta experiência resultou em contatos que darão frutos muito em breve”, ressaltou.

Na mesma linha, Chohfi afirmou que a missão teve “resultados concretos”. “Os embaixadores tiveram a oportunidade com o governador de conhecer todo o potencial do estado, tanto para exportações quanto para importações, e identificaram possibilidades de aumento do intercâmbio bilateral”, declarou.

Para ele, o encontro com os empresários foi “muito produtivo em termos de contatos”. “Resultaram em perspectivas completas de comércio bilateral em diferentes setores”, afirmou. “A visita deixou uma impressão extremamente favorável”, acrescentou.

Alaby ressaltou o grande número de empresários que compareceram ao encontro com os diplomatas. “Isso permitiu contatos pessoais entre eles, para comprar e vender”, disse.

O diretor-geral da Câmara Árabe lembrou ainda que pediu ao governador apoio para convencer o governo brasileiro a negociar acordos com países árabes sobre promoção e proteção de investimentos e para evitar a bitributação do Imposto de Renda em investimentos recíprocos, o que ajudaria a ampliar ainda mais os negócios entre o Brasil e a região.

Integraram a delegação os embaixadores do Iraque, Arshad Esmaeel, do Egito, Alaaeldin Roushdy, da Líbia, Khaled Dahan, do Kuwait, Ayadah Alsaidi, do Catar, Mohammed Al Hayki, da Jordânia, Malek Twal, da Argélia, Toufik Dahmani, do Sudão, Ahmed Elsiddig, da Mauritânia, Wagen Abdoulaye, de Omã, Amad Al Abri, da Liga Árabe, Nacer Alem, o encarregado de negócios da embaixada da Arábia Saudita, Soliman Al Aqeel, e o chefe da Divisão do Golfo e da Península Arábica no Itamaraty, Leandro Mol.

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