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17/05/2017 - 13:29hs
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Sauditas querem investir no agronegócio brasileiro

Delegação liderada pelo ministro da Agricultura, Blairo Maggi, se reuniu com empresários do país árabe na Câmara de Comércio de Riad, onde ocorreu também rodada de negócios.



Riad – Empresários sauditas querem investir no agronegócio brasileiro e puderam saber mais detalhes do setor e da legislação do País, além de conhecer projetos na área, em seminário e rodadas de negócios realizadas na sede da Câmara de Comércio de Riad, na Arábia Saudita, nesta quarta-feira (17). Os empresários sauditas se encontraram com representantes do governo e de empresas do Brasil que integram delegação liderada pelo ministro da Agricultura, Blairo Maggi.

Alexandre Rocha/ANBA

Encontro teve ampla participação de empresários locais

“O Reino [da Arábia Saudita] prioriza as relações com países produtores de alimentos”, disse o vice-presidente da Câmara de Riad, Mansour Alshethri, na abertura do seminário. Ele destacou que produtos brasileiros, principalmente carnes, têm forte participação no mercado. “Isso mostra a confiança do consumidor saudita”, acrescentou.

“Este evento é um passo importante para os investimentos na área agrícola”, destacou o executivo da câmara saudita. “Este encontro visa estreitar estas relações [de comércio de produtos agropecuários] e visa também o estabelecido no plano Visão 2030 sobre a garantia da segurança alimentar”, afirmou.

O plano Visão 2030 é uma estratégia de longo prazo lançada no ano passado pelo governo saudita para modernizar a economia do país a diversificá-la para além da indústria petrolífera. A segurança alimentar tem importância especial, uma vez que a Arábia Saudita tem pouca água e não produz alimentos suficientes para abastecer sua população, tendo que importar a maior parte do que consome.

A estratégia do país é preservar os parcos recursos hídricos para consumo humano e investir em projetos agropecuários no exterior, garantindo o abastecimento de seu mercado.

“O objetivo desta viagem é ampliar os nossos negócios, mas também tem a intenção de agradecer ao Reino pela oportunidade que nos deu nos últimos anos para aumentar estas relações”, disse Maggi aos empresários sauditas. Ele deu detalhes sobre a produção agropecuária no Brasil e sua participação no mercado internacional.

O ministro informou que as exportações brasileiras para a Arábia Saudita somaram US$ 2,49 bilhões no ano passado, e as importações, US$ 1,3 bilhão. “Pelo tamanho de nossas economias, os números estão aquém de seu potencial e podem ser ampliados”, declarou. “Convidamos vocês a irem ao Brasil, frequentarem o Brasil, fazerem negócios no Brasil, porque temos muitas oportunidades”, acrescentou.

Alexandre Rocha/ANBA

Hannun (C) recebe presente do vice-presidente da Câmara de Riad observado pelo ministro

O presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Rubens Hannun, que integra a delegação do Ministério da Agricultura, lembrou que a entidade que dirige assinou em 2009 um acordo de cooperação com a Câmara de Riad. “A partir deste acordo, a corrente de comércio entre os dois países teve um aumento importante, praticamente dobrando nos anos seguintes”, ressaltou. “No setor de alimentos, o crescimento foi significativo”, contou.

Com a estratégia saudita de investir em projetos agropecuários no exterior, Hannun disse que “agora é o momento de dar um novo impulso” aos negócios. “Temos confiança de que o momento para este avanço chegou”, declarou. Ele convidou os empresários sauditas a organizar uma missão ao Brasil para ver de perto a produção nacional e avaliar oportunidades de investimentos.

O vice-presidente da Câmara de Riad respondeu que “inchallah” (“se Deus quiser”, termo muito usado na nação árabe) a entidade organizará uma missão empresarial ao Brasil e passou a palavra ao presidente do Comitê de Agricultura e Segurança Alimentar da instituição, Majed Hamad Al Khamees, que confirmou o interesse em promover a viagem de uma delegação em busca de projetos para investimento.

Alexandre Rocha/ANBA

Da esq. p/ dir., Michel Alaby e Rubens Hannun, da Câmara Árabe, com empresário saudita

Khamees defendeu também a criação de um conselho empresarial Brasil-Arábia Saudita. “Devido à intensidade de nosso comércio, o conselho é fundamental para dar continuidade e aumentar as relações comerciais”, afirmou.

Hannun concordou que está na hora de se criar este conselho e que a Câmara Árabe vai trabalhar com a embaixada do Brasil em Riad para formar a parte brasileira do colegiado.

O embaixador brasileiro na Arábia Saudita, Flávio Marega, informou que o Brasil negocia atualmente uma série de acordos com o governo saudita, como um tratado para aumentar para cinco anos o prazo de vistos para viagens de negócios, um Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos (ACFI), outro entre o departamento alfandegário saudita e a Receita Federal do Brasil, um documento sobre o uso pacífico da energia nuclear e ainda um memorando de entendimentos entre o Banco Central do Brasil e a Autoridade Monetária da Arábia Saudita (Sama, na sigla em inglês). “São acordos muito importantes para os negócios”, observou o diplomata.

Maggi acrescentou que o Ministério da Agricultura irá nomear em breve um adido agrícola para a embaixada, profissional que vai se dedicar exclusivamente às eventuais demandas e conflitos na área.

Ronaldo Clay/Mapa

Maggi (dir.) cumprimenta seu colega saudita, Abdulrahman Al Fadly

O ministro disse ainda que o governo brasileiro enviará ao Congresso Nacional uma proposta de mudança na legislação para permitir a compra de área rurais por estrangeiros.

Após o seminário, os empresários brasileiros se reuniram com os sauditas em rodada de negócios para apresentar seus projetos de investimentos.

Reuniões

Mais tarde, Maggi teve uma reunião e um almoço com o ministro da Agricultura da Arábia Saudita, Abdulrahman Al Fadly, e foi recebido na Autoridade Saudita para Alimentos e Drogas (SFDA, na sigla em inglês) pelo CEO da instituição, Hisham Al Jaddaei. Uma missão da SFDA visitou recentemente o Brasil para inspecionar frigoríficos.

Na véspera, o ministro teve um encontro com representantes da Companhia Saudita de Investimentos em Agricultura e Pecuária (Salic, na sigla em inglês), mantida pelo Fundo Público de Investimentos do país. A Salic já tem investimentos no Brasil - possui, por exemplo, participação acionária no frigorífico Minerva - e está interessada no setor de grãos.

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