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12/07/2017 - 17:20hs
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Embarque de café aos árabes cai, mas receita sobe 25%

Brasil exportou 556.664 sacas à região no primeiro semestre, um recuo de 5% sobre o mesmo período de 2016. Faturamento avançou para US$ 97 milhões.



São Paulo – O Brasil exportou menos café aos árabes no primeiro semestre deste ano. De janeiro a junho, foram embarcadas 556.664 sacas de 60 quilos, quantidade 5% menor que a enviada à região no mesmo período de 2016. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (12) pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) em coletiva de imprensa na capital paulista.

Aurea Santos/ANBA

Santos (esq.) e Carvalhaes: mercado árabe é estratégico

Apesar da redução de volume no embarque, a receita gerada foi 25% maior. Nos primeiros seis meses deste ano, as vendas de café aos árabes renderam US$ 97 milhões, enquanto na primeira metade do ano passado as exportações geraram receita de US$ 77,6 milhões.

“Nós tivemos durante alguns anos a Síria como um dos principais consumidores de café entre os países árabes. Hoje, por causa dessa guerra civil, nós estamos vendo que houve uma retração muito grande”, comentou Eduardo Santos, diretor-técnico do Cecafé.

Santos apontou um outro caminho pelo qual os países árabes podem estar importando o café brasileiro. “Nós acreditamos que a Turquia está sendo um dos canais de distribuição para os países árabes. A gente não observa indústrias [de café] se instalando na Turquia e, por outro lado, eles estão se apresentando entre os dez principais compradores de café [verde] do Brasil. O que a gente conclui é que é um país que está comprando café do Brasil e está distribuindo para aquela região, principalmente para a Síria”, avaliou o executivo.

Apesar de apontar a guerra na Síria como um dos fatores de influência para a redução das vendas aos árabes, Santos disse não poder apontar as causas exatas para a queda das exportações. “O mercado árabe vem se mantendo com uma participação bem estável. Se a gente fizer uma série um pouco maior (de comparações anuais), tem alguns incrementos, e nós acreditamos que isso (a guerra) pode realmente ser uma influência que vem impactando aquela região dos países árabes”, ressaltou.

Atualmente, os principais mercados compradores entre os árabes são a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos. De acordo com Santos, o tipo mais importado pela região é o arábica. Por enquanto, disse ele, os países árabes ainda não estão entre os consumidores de cafés especiais do Brasil, mas o mercado está evoluindo neste sentido.

“Esse mercado ainda não é classificado como mercado de café de qualidade. Ele vem se aprimorando. É um mercado que está passando por um processo de amadurecimento e acreditamos que nos próximos anos alguns países árabes venham a se destacar”, afirmou.

Mesmo com a instabilidade causada pelo conflito interno na Síria, o diretor do Cecafé não vê uma tendência de maior queda nas vendas de café aos países árabes. “Com exceção da Síria, nós acreditamos que essa região árabe vem sendo uma região estratégica e importante para o Brasil. Acreditamos que, a partir de uma pacificação, esse mercado vai se apresentar como um dos principais compradores de café do Brasil. É uma questão muito pontual, a gente não percebe que há uma crise de compra, pelo contrário, a gente recebe aqui no Cecafé muitos pedidos de empresas árabes querendo comprar café”, destacou.

Segundo Santos, devido à influência exercida pelos países árabes na região do Oriente Médio e também na Ásia, estas nações devem ser consideradas como importante foco para exploração de mercado pelos exportadores de café do Brasil.

Safra 2016/2017

Durante a coletiva, Santos e o presidente do Cecafé, Nelson Carvalhaes, apresentaram os resultados gerais das exportações de café do ano safra 2016/2017, encerrado no mês de junho. No período de julho de 2016 a junho de 2017, o Brasil embarcou 32,9 milhões de sacas de café, volume 7,42% menor do que na safra 2015/2016, gerando uma receita de US$ 5,6 bilhões, valor 5% maior do que no ciclo anterior.

O aumento da receita gerada em diferentes destinos, apesar do menor volume embarcado, se deu, segundo Carvalhaes, por uma maior escassez de café no mercado mundial e por uma qualidade melhor desta safra brasileira em relação à anterior, o que gerou um aumento do preço médio.

Os principais destinos do café brasileiro no período foram Estados Unidos, Alemanha, Itália, Japão, Bélgica, Rússia, Turquia, Canadá, França e Espanha.

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