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23/07/2017 - 07:00hs
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Egípcia tem primeiro livro traduzido para o português

'O Menino Múltiplo', de Andrée Chedid, ganhou versão em português de Carla de Mojana Renard. Falecida em 2011, escritora nascida no Egito tem mais de vinte prêmios em sua obra.



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Tradução do livro foi tese de mestrado de Carla de Mojana di Cologna Renard

São Paulo – A escritora egípcia Andrée Chedid, falecida em 2011, teve seu primeiro livro traduzido oficialmente para o português. Lançado este mês pela editora Martin Claret, “O Menino Múltiplo” (L'Enfant multiple), escrito na década de 1980, está à venda nas principais livrarias brasileiras, traduzido do francês pela brasileira Carla de Mojana di Cologna Renard.

A tradução do livro foi parte da tese de mestrado de Renard, no programa Estudos Linguísticos, Literários e Tradutológicos em Francês da Universidade de São Paulo (USP). “Conheci a Andrée Chedid por meio da obra do seu neto, Matthieu Chedid, um músico conhecido do público francês. Acabei me identificando porque também tenho origens egípcias: minha mãe e meus avós nasceram no país e se mudaram para o Brasil”, contou a tradutora à reportagem da ANBA.

Rapidamente, a jornalista formada pela Fundação Cásper Líbero que abandonou a carreira para se dedicar à tradução, mergulhou nos livros da escritora, que aborda temas sociais em um estilo literário bem ligado à poesia – até seus romances têm influência poética, segundo Renard. Ao mesmo tempo, acompanhava a obra de Matthieu Chedid, que acabou encontrando, por coincidência, durante um show que o músico francês fez em São Paulo.

“O Matthieu é muito ligado à avó. Eu estava querendo começar a fazer traduções literárias e ele me estimulou a traduzir um livro da Andrée, que ainda não tinha nenhuma obra disponível em português”, conta a tradutora.

Renard conta que, além de prazerosa, a tradução de “O Menino Múltiplo” foi um desafio, uma vez que o estilo da escritora, poético e com certa musicalidade, precisava ser mantido. “A Andrée escrevia com um dicionário ao lado, procurando palavras que dessem um ritmo ao seu texto. Procurei fazer o mesmo na versão em português, buscando a palavra certa para manter a musicalidade. Traduzir não é apenas manter o sentido, é também um ato de criação”, diz a tradutora, que aconselha ler o livro em voz alta.

A história

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Capa de O Menino Múltiplo

Segundo Renard, a escolha de “O Menino Múltiplo”, entre toda a obra da autora, se deve pelo fato de o livro ter um pouco a ver com o Brasil. O romance conta a história de Omar-Jo, filho de um pai muçulmano egípcio e uma mãe católica libanesa, falecidos durante a guerra no Líbano, em 1987, após a explosão de um carro-bomba – que também deixa o menino de doze anos sem um dos braços. A tragédia fez com que seu avô, um trovador, o levasse a Paris, onde o encontro do Oriente com o Ocidente mexe com a vida do garoto.

“Embora escrito na década de 80, o texto de Chedid se revelou bem atual. A dura realidade de muitos refugiados no atual cenário que vivemos”, conta Mayara Zucheli, assistente editorial na Editora Martin Claret.

Ela diz que o pessoal da editora ficou atônito com o fato de não existir nenhuma tradução da obra da autora, contemplada com mais de vinte prêmios literários, no Brasil. “A tradutora que entrou em contato conosco e ofereceu a sua tradução”, explica.

Poeta, romancista, novelista e dramaturga, Andrée Chedid tem origem libanesa, mas nasceu no Cairo em 1920. Aos 26 anos se mudou para a capital francesa, onde produziu mais de 40 obras no francês – idioma que aprendeu desde pequena, pois sempre estudou em escola francesa. Dois de seus romances foram adaptados ao cinema: Le sixième jour e L’autre.

A tradução de L'Enfant multiple tem 265 páginas e tiragem inicial de três mil exemplares. Está disponível em livrarias físicas e online a preço de capa de R$ 49,90.

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