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26/07/2017 - 07:00hs
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Entidade fortalece relações comerciais e diplomáticas há 65 anos

Câmara Árabe surgiu em 1952 como reflexo do peso da comunidade de origem árabe no Brasil. Cresceu, se profissionalizou e virou referência para empresas, órgãos estatais e embaixadas.



Arquivo/Câmara Árabe

Primeira diretoria da então Câmara Sírio-Libanesa

São Paulo – A Câmara de Comércio Árabe Brasileira foi fundada em 02 de julho de 1952 por membros da comunidade sírio-libanesa para promover os negócios entre o Brasil e seus países de origem. Instalada na Rua Boa Vista, no Centro de São Paulo, a entidade originalmente chamava-se Câmara de Comércio Sírio-Libanesa.

“A Câmara é um reflexo da evolução da imigração árabe no Brasil”, disse a historiadora Sílvia Antibas, diretora cultural da entidade e autora de um livro sobre sua história. “Quando os empresários [da comunidade] chegaram a um certo nível social, financeiro, econômico e político, a Câmara foi uma consequência natural”, acrescentou.

Até chegar aos 65 anos, a organização cresceu e mudou muito. Em sua primeira década de existência, houve uma cisão entre os membros sírios e libaneses, e ela passou a se chamar Câmara de Comércio Sírio-Brasileira. Mais tarde, porém, em 1975, quando já ocupava sua primeira sede na Avenida Paulista, a instituição adotou sua designação atual.

Rodrigo Rodrigues

Sílvia Antibas escreveu livro sobre a história da entidade

“A Síria e o Líbano eram os países do coração da comunidade, mas a maior parte dos negócios estava na região do Golfo e do Norte da África”, contou Antibas. Com o choque do petróleo, em 1973, os países árabes exportadores da commodity viram sua capacidade financeira aumentar e ao mesmo tempo o Brasil tinha grande necessidade de importação do produto. “Havia um vazio de representação dos demais países árabes no Brasil”, acrescentou o ex-presidente da Câmara e atual presidente do conselho da entidade, Walid Yazigi.

“Foi o grande pulo do gato”, comentou Antibas. A Câmara passou a representar comercialmente os países árabes no Brasil. “A entidade atuou como grande braço da diplomacia árabe junto ao governo brasileiro”, destacou a historiadora.

Essa atuação diplomática foi reforçada ao longo dos anos e hoje a organização tem forte relação com as embaixadas árabes em Brasília, com o Itamaraty e com as representações diplomáticas brasileiras no Oriente Médio e Norte da África.

“Eu não consigo conceber as relações dos países árabes com o Brasil sem a atuação da Câmara Árabe”, observou o decano do Conselho dos Embaixadores Árabes no Brasil, Ibrahim Alzeben, que é também embaixador da Palestina. “Nós apreciamos muito o papel que a entidade teve ao longo destes anos, e eu sou testemunha disso há quase uma década”, acrescentou ele, que trabalha no Brasil há quase dez anos.

Eventos

Arquivo/Câmara Árabe

Yazigi (esq.) ao lado do então ministro saudita do Petróleo, Ahmed Yamani, em 1982

A organização de missões comerciais e participações em feiras de negócios sempre estiveram no DNA da organização. Yazigi destaca a ida de uma delegação de empresários brasileiros a vários países árabes em 1983, com 32 pessoas, quando ele ocupava a presidência. “Na época, os países árabes não tinham a organização que têm hoje. A logística era muito mais difícil”, contou. A Câmara fretou um avião da Air France para levar o grupo à Síria, Iraque, Arábia Saudita (Riad e Jeddah), Kuwait e Bahrein. “Houve um grande reconhecimento por parte das autoridades brasileiras e nós fomos muito bem recebidos pelas câmaras de comércio no mundo árabe”, observou. Hoje o grupo poderia voar ao Oriente Médio pela Emirates Airline ou Qatar Airways, que mantém rotas diretas e diárias ao Brasil.

“Nós fizemos o papel inverso dos mascates, que vieram para cá vender pelo País todo. Nós fomos aos países árabes vender produtos brasileiros”, disse Yazigi. Ele destacou a promoção na época de produtos como frango, veículos, material de defesa e a atuação de empresas brasileiras de engenharia e construção na região.

Arquivo/Câmara Árabe

Então secretário-geral da União, Burhan Dajani, assina adesão da Câmara Árabe, em 1992, ao lado do professor Helmi Nasr, vice-presidente da entidade brasileira

“A Câmara Árabe é nossa parceira de todas as horas e as empresas do nosso setor a tem como referência, seja para ajudar em situações nos mercados nas exportações, seja no Brasil, na certificação e legalização de documentos que têm que ser feitas para exportar”, destacou o vice-presidente e diretor de Mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin.

A associação reúne produtores e exportadores de carne de frango. O principal mercado deste segmento é o Oriente Médio. “A relação do nosso setor com a Câmara é de confiança, parceria e maturidade, uma grande parceria que vem lá do início das exportações aos países árabes [nos anos 1970] e que com certeza será de muitos mais anos”, ressaltou Santin.

Outro marco importante na história da entidade foi sua filiação à União Geral das Câmaras de Comércio, Industria e Agricultura dos Países Árabes, em 1992. “Com isso a Câmara passou a pode emitir oficialmente certificados de origem e de documentos de exportação para os países árabes”, disse o diretor-geral da entidade, Michel Alaby. “Hoje é a única câmara no Brasil reconhecida pela Liga dos Estados Árabes”, lembrou Walid Yazigi.

Reprodução

Versão original do site da ANBA, lançado em 2003

No final da década de 1990, a Câmara começou a intensificar sua presença em feiras e outros eventos no mundo árabe. Alaby lembrou da primeira participação da entidade na Index, feira de móveis em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, em 1998. Empresas brasileiras expõem nesta mostra até hoje.

Em 2001, a Câmara organizou um fórum empresarial Brasil-Países Árabes no Rio de Janeiro que é considerado um marco. “Foi um evento que teve altíssima representatividade. Muitas pessoas importantes participaram”, lembrou Hannun.

Em 2003, foi realizada a primeira viagem presidencial brasileira ao mundo árabe, para Líbano, Síria, Emirados Árabes Unidos, Egito e Líbia. Esta missão teve forte participação da Câmara Árabe e a partir dela o comércio entre o Brasil e a região deu um salto. As exportações brasileiras ao bloco saíram de US$ 2,76 bilhões e cresceram continuamente até 2011, quando somaram mais de US$ 15 bilhões, ou seja, aumentaram 5,5 vezes. No mesmo período, as importações subiram de US$ 2,71 bilhões para quase US$ 10 bilhões, e chegaram ao recorde de US$ 11,4 bilhões em 2014.

Arquivo/Câmara Árabe

Hannun (dir.), então vice-presidente, lidera missão ao Norte da África em 2007

No mesmo ano, a Câmara criou a Agência de Notícias Brasil-Árabe (ANBA). “Foi uma iniciativa pioneira”, declarou Hannun. A ANBA publica diariamente reportagens em português e em inglês sobre oportunidades de negócios no Brasil e nos países árabes, notícias do comércio bilateral, informações sobre atividades da Câmara e outros temas conexos às relações do Brasil com o mundo árabe. O site www.anba.com.br mantém acordos de troca de conteúdo com oito agências de notícias de países árabes.

“Sem conhecimento recíproco, as relações não progridem, ele dá sustentação aos negócios, aguça a curiosidade e cria laços”, destacou Hannun. “A ANBA preenche uma lacuna de informações sobre os países árabes no Brasil e sobre o Brasil nos países árabes, e isso é importante”, acrescentou Alaby.

Entre os acontecimentos de destaque na história da entidade está também a realização da 1ª Cúpula América do Sul-Países Árabes (Aspa) em 2005, em Brasília, que foi seguida de um fórum empresarial com representantes das duas regiões em São Paulo, organizado pela Câmara Árabe.

Alexandre Rocha/ANBA

Michel Alaby preside painel em fórum da última Aspa, em 2015

A Aspa teve outras três edições, em Doha, no Catar, em 2009, em Lima, no Peru, em 2012, e em Riad, na Arábia Saudita, em 2015, sempre tendo a Câmara Árabe como parceira na organização dos fóruns empresariais que ocorreram em paralelo.

Profissionalização

Quando passou a funcionar na Avenida Paulista, em 1966, a organização tinha apenas uma funcionária que trabalhava em meio período, segundo Yazigi, mas com o aumento do campo de atuação e das relações com os países árabes o quadro cresceu. “Houve um processo de profissionalização muito importante”, disse Hannun.

Hoje a organização tem 61 colaboradores divididos em departamentos com objetivos específicos, como a Certificação, o Marketing, a Inteligência de Mercado, o Comercial, o Financeiro, a TI, o RH, a ANBA e a secretaria-geral.

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