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10/08/2017 - 17:26hs
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Investimentos na América Latina vão cair pelo 3ª ano

Cepal prevê um recuo de 5% no fluxo de investimentos estrangeiros diretos em 2017, depois de uma redução de 7,9% em 2016. O Brasil, porém, atraiu mais recursos no ano passado e no primeiro semestre de 2017.



São Paulo – A Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e Caribe (Cepal) divulgou nesta quarta-feira (10) seu relatório anual que prevê que os investimentos estrangeiros diretos (IED) na região vão continuar a cair este ano. A projeção é de um recuo de 5%, após o fluxo já ter diminuído 7,9% em 2016. O volume de recursos no ano passado foi de US$ 167,04 bilhões.

De acordo com a Cepal, o desempenho é fruto dos baixos preços das commodities, que inibe os investimentos na exploração de recursos naturais, como no setor de mineração. Além disso, a organização cita o baixo crescimento econômico de diversos países e o avanço da “economia digital”, que atrai recursos mais para nações desenvolvidas do que para países em desenvolvimento, conforme a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad) demonstrou em seu Relatório Mundial de Investimentos de 2017.

Segundo a Cepal, a América Latina e o Caribe receberam 10% do fluxo mundial de IED em 2016, sendo que de 2011 a 2014 haviam respondido por 14%. O pico de entrada de recursos na região ocorreu em 2011, com quase US$ 207 bilhões.

“O investimento estrangeiro direto tem sido um fator importante para o desenvolvimento das atividades exportadoras, essenciais para o crescimento da América Latina e do Caribe, assim como para a criação de novos setores, porém, as elevadas diferenças de produtividade que persistem na região e os novos cenários tecnológicos que propõe a quarta revolução industrial exigem novas políticas para aproveitar os benefícios do IED nos processos nacionais de desenvolvimento sustentável”, disse a secretária-executiva da Cepal, Alicia Bárcena, de acordo com comunicado divulgado pela instituição sediada em Santiago, no Chile.

Contra a corrente e em meio a uma recessão, o Brasil recebeu mais investimentos no ano passado em comparação com 2015. Entraram US$ 78,9 bilhões, ou 47% do total. O País é tradicionalmente o principal receptor da região e um dos maiores do mundo. O pico, porém, ocorreu em 2011, quando a economia brasileira atraiu mais de US$ 101 bilhões.

Este ano, o fluxo continua a crescer. No primeiro semestre, o Brasil atraiu US$ 36,3 bilhões, contra US$ 33,8 bilhões no mesmo período de 2016, segundo o Banco Central. No entanto, o BC prevê para 2017 como um todo US$ 75 bilhões em entradas, menos do que o registrado em 2016.

O México é o segundo colocado entre os receptores de IED na região. No ano passado, o país recebeu US$ 32,1 bilhões, 7,9% a menos do que em 2015. A Colômbia, terceira colocada, atraiu US$ 13,6 bilhões, um aumento de 15,9% na mesmo comparação. O Chile aparece na quarta colocação, com US$ 12,2 bilhões.

Segundo a Cepal, os novos investimentos na região se concentram em energias renováveis, telecomunicações e na indústria automotiva. A maior parte dos recursos vem dos Estados Unidos e da União Europeia.

Na mão contrária, os investimentos de multinacionais latino-americanas no exterior caíram 50% no ano passado, em comparação com 2015, para US$ 24,6 bilhões.

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