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19/08/2017 - 07:00hs
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Brasileiros levam arte e colorem escolas de sírios

Projeto Conexus, da gaúcha Sheila Zago, levou dois grafiteiros para atividades de arte com refugiados e deslocados pela guerra da Síria. Iniciativa incluiu pintura de escolas. Novas ações ocorrem em outubro.



São Paulo – No começo deste ano, a curadora e educadora brasileira Sheila Zago esteve com dois grafiteiros do Brasil, Zéh Palito e Rimon Guimarães, no Líbano e na Síria para levar arte a pessoas prejudicadas pela guerra síria e tornar mais coloridos os ambientes onde elas vivem. Em outubro, ela volta ao Oriente Médio com outras parcerias para seguir com a proposta de amenizar a rotina dura dos refugiados e deslocados pelo conflito por meio das atividades artísticas.

Divulgação

Artistas brasileiros: colorindo no Oriente Médio

Sheila criou há nove anos o coletivo de arte Conexus com o objetivo de conectar as pessoas através da arte. O sonho era levar a arte para todos e principalmente para quem estava sem acesso. O trabalho começou com oficinas e atividades com crianças carentes no Brasil, em parceria com organizações e projetos sociais. Mas em 2013, a brasileira, que é gaúcha de Caxias do Sul, resolveu sair do País e seguir executando o mesmo projeto mundo afora.

Formada em Comunicação Social e com mais de dez anos de trabalho em produção de cinema e direção de arte, desde que deixou o Brasil Sheila vem estudando, pesquisando, fazendo curadorias e colocando em pé seus projetos de arte e trabalho social pelo mundo. Pelas contas da educadora, cerca de dez países já tiveram alguma atividade sua, entre trabalhos pessoais ou ligados ao Conexus. Suas iniciativas já passaram por Catar, Emirados Árabes Unidos, Líbano e Síria.

No ano passado, o Conexus promoveu atividades de arte, com aulas de desenho, pintura e fotografia, em campos de refugiados palestinos no Líbano. Além de Sheila, participou a artista sueca Saadia Hussain. Entre março e maio deste ano, o coletivo de arte levou os grafiteiros Zéh Palito e Rimon Guimarães para várias ações no mundo árabe.

Os artistas de rua fizeram um mural em parceria com um artista local em Dubai, nos Emirados, e tiveram uma residência artística em Beirute. Depois pintaram uma escola, dentro de um campo de refugaidos sírios no Líbano, e pintaram na própria Síria, em Damasco, uma escola que atualmente serve de abrigo para deslocados pelo conflito. “As crianças ajudaram na pintura, até os pais”, conta Sheila à ANBA. Também foram feitas atividades de criação com as crianças e adolescentes e pintado um ônibus antigo, com a artista libanesa Marie-joe Ayoub, no campo de refugiados sírios no Líbano.

Divulgação

Marie-joe Ayoub e Sheila Zago: ônibus pintado

Em outubro e novembro a gaúcha volta à região para três projetos. Fará um trabalho sobre memórias coletivas junto a refugiados sírios no Líbano com a artista sueca Johanna Bratel. Eles serão convocados a falar sobre seus pontos de referência na Síria, sobre o que lembram do país de origem, e farão trabalhos artísticos em cima dos temas.

O Conexus também pretende fazer a partir de outubro outra ação parecida ao início deste ano, com atividades de arte e educação na Síria, em Damasco. A ideia é envolver crianças e adolescentes deslocados dentro do país por causa da guerra em trabalhos de arte e dar treinamento a professoras para que isso tenha continuidade. Sheila quer levar artistas brasileiros para a atividade, mas está em busca de apoio financeiro para tal.

Em campos de refugiados sírios no Norte do Líbano, Sheila promoverá atividades de arte, com fotografia e pintura, para as crianças e adolescentes, em parceria com a organização não-governamental Mishwar. Também haverá ensino de confecção de joias e bijuterias para adolescentes e adultos, para que isso possa se transformar em opção de renda.

Sheila conta que muitos destes locais tiveram um pouco de acesso à arte anteriormente, mas nunca em um projeto de educação mesmo. “O resultado é imediato”, afirma a curadora. Ela lembra que essas pessoas estão vivendo em lugares onde não gostam de estar, em situação de espera, em condições precárias, e levar arte, educação, cor, alegria, espaço para exporem suas vozes, o que pensam, como estão se sentindo, traz efeito na vida deles de um dia para o outro.

Ela conta que além das atividades educativas com arte, eles brincam, sentam, tomam chá juntos, acontece uma troca intensa com os artistas e com ela. “Nunca esqueci o que uma mãe disse: a gente voltou a ouvir música, a dançar”, relata Sheila. A curadora afirma que recebe muito mais do que leva. “É uma troca de alegria e felicidade que acontece através da arte”, diz.

Sheila começou a se voltar para o Oriente Médio a partir de 2015, quando resolveu fazer um mestrado em Museus e Curadoria no campus do Catar da University College London (UCL). Naquele período, enquanto estudava, ela viajou pela região conhecendo galerias e museus e esteve em vários países árabes, como Omã, Marrocos, Bahrein e Jordânia, além daqueles nos quais já vez projetos.

Neste momento, a brasileira está fazendo um trabalho de arte e educação com adolescentes em um museu nos Estados Unidos. O seu próximo destino será o Azerbaijão, onde dará um workshop para artistas locais, e depois irá para o Paquistão para fazer curadoria de uma exposição em um festival sobre paz. Sheila tem vontade de fazer o mesmo trabalho no Brasil, mas já tentou algumas iniciativas e não conseguiu captar recursos.

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