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18/09/2017 - 07:00hs
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Empoderando Refugiadas ajudou 50 mulheres este ano

Ao fim da segunda edição, o projeto coordenado por agências das Nações Unidas ajudou a empregar 21 mulheres em empresas conveniadas e deu aconselhamento a empreendedoras.



São Paulo – A vida de cinquenta mulheres refugiadas que vivem no Brasil e participaram da segunda fase do projeto Empoderando Refugiadas mudou para melhor este ano. Seja por meio de contratação por empresa privada, seja seguindo conselhos para o empreendedorismo, essas mulheres ganharam espaço na sociedade e até mesmo dentro de casa graças ao programa coordenado pela Rede Brasil do Pacto Global da ONU e realizado em conjunto com a Agência da ONU para Refugiados (Acnur) e a ONU Mulheres.

A segunda fase chegou ao fim em agosto e gerou até um minidocumentário, o Recomeços. Somadas a primeira e segunda fase, oitenta mulheres foram auxiliadas e 21 contratadas por diferentes empresas que aderiram ao Empoderando Refugiadas.

“Nessa segunda edição contamos com a participação de dez empresas”, conta Maria Beatriz Nogueira, chefe do escritório do Acnur de São Paulo. “Além do minidocumentário, o engajamento dessas empresas possibilitou a criação de uma Cartilha para Contratação de Refugiados e Refugiadas, onde são respondidas questões frequentes relacionadas a documentação, abertura de contas no banco, entre outras.”

Reprodução/Facebook

A síria Razan Suliman, uma das empoderadas pelo projeto

Segundo Nogueira, nessa segunda edição três refugiadas árabes foram ajudadas. Uma delas é a síria Razan Suliman, uma das personagens do documentário. Ela abriu um negócio de encomendas de comidas árabes e, selecionada pelo projeto, recebeu conselho de funcionários do próprio Facebook, uma das empresas inscritas, para ajudar na divulgação de sua lojinha e em como administrar o seu negócio.

“Durante seis semanas, todas as terças-feiras, a Razan veio aqui no nosso escritório para entender um pouco mais como usar [o Facebook]”, afirma, no documentário, Camila Fusco, diretora de empreendedorismo da empresa. O resultado pode ser conferido na própria página do Razan Comida Árabe, que tem mais de 7 mil curtidas.

Outra síria a participar foi Salsabil, também dona de um negócio de comida árabe. Há ainda uma terceira que está no programa de Menor Aprendiz em uma das empresas que participaram do projeto. Além do Facebook, Carrefour, EMDOC, Lojas Renner e Sodexo, dentre outras, colaboraram com o Empoderando Refugiadas.

“A expectativa é que dobremos o número de empresas participantes na próxima edição do projeto”, afirma Nogueira, que já trabalha no edital da terceira fase. “Devemos lançar [o edital] em novembro”, estima.

Ela conta que no lançamento do documentário, no final do mês passado, compareceram representantes de cinco outras empresas. “Isso já é uma sinalização de interesse”, analisa, acrescentando que também pretende duplicar a quantidade de refugiadas participantes.

Além do resultado tangível, a chefe do escritório do Acnur destaca efeitos que o projeto tem na própria família da refugiada, que se espalham para a sociedade. “Teve um caso de uma refugiada que chegou para o marido e falou: ‘Olha, aqui no Brasil existem leis que protegem as mulheres, então você não pode me bater’. Essas declarações ecoam para outras refugiadas e se espalham por toda a sociedade. São coisas que não podemos medir com números”, diz.

A própria Razan é um exemplo: hoje seu negócio é a principal fonte de renda da família e ela conta com seu marido como o principal colaborador. O minidocumentário Recomeços, onde é contada a história da síria e de outras refugiadas selecionadas pelo projeto, tem 23 minutos e está disponível gratuitamente no YouTube.

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