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22/09/2017 - 07:00hs
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Futuro do trabalho foi discutido na Câmara Árabe

Entidade sediou nesta quinta-feira (21) o 'Acontece Indústria: O Futuro do Trabalho', primeiro de uma série de eventos com foco em inovação, criatividade e tecnologia promovido pelo CESAR.



Cleber de Paula / CESAR

O presidente da Câmara Árabe, Rubens Hannun, falou na abertura do evento

São Paulo – O futuro do trabalho foi discutido na tarde de quinta-feira (21) no Auditório Walid Yazigi, na sede da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo. O Acontece Indústria: O Futuro do Trabalho, evento organizado pelo Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR), reuniu cerca de 150 pessoas e debateu as adaptações que as indústrias, principalmente, precisarão fazer com os avanços tecnológicos que extinguirão alguns postos de trabalho.

“Quase metade da população nos países árabes é jovem”, afirmou, na abertura do evento, Rubens Hannun, presidente da Câmara Árabe. “Nós estamos preocupados com o futuro do trabalho não apenas lá, mas também no Brasil e em todo o mundo. Especialmente nesse momento, que olhamos para a Câmara Árabe do futuro, é importante pensar no trabalho do futuro, quais profissões e atividades surgirão”.

A situação divide opiniões. Para Victor Teles, gerente executivo da empresa alemã de automação industrial Festo, para cada emprego perdido são criados três novos postos de trabalho em funções diferentes. “Alguns postos já sumiram e outros sumirão em uma década”, disse ele, que vê na tecnologia uma ferramenta para reduzir o risco de ostracismo. “Minha dica é seguir a profissão que gosta, mas sempre olhando para o campo tecnológico”.

Cleber de Paula / CESAR

Da esq. para dir.: Victor Teles, Marcos Vinícius de Souza, Fábio Maia e Manoel Fernandes, o moderador

Marcos Vinícius de Souza, secretário de Inovação e Negócios do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, é mais otimista do que pessimista na questão do emprego. Segundo ele, uma equipe técnica do governo brasileiro estuda o assunto desde 2014 e, após algumas pesquisas, já chegou a algumas conclusões. “O problema do trabalhador brasileiro é mais comportamental. Temos que trabalhar com as habilidades socioemocionais”, disse.

Já Fábio Maia, arquiteto de sistemas do CESAR, vê na inteligência artificial um catalisador de todas as outras frentes de inovação tecnológica. Mas duvida que ela possa ser usada em grande escala antes de 2040, pela questão dos custos. “O supercomputador mais poderoso da atualidade está na China e é capaz de processar 10% da capacidade de um cérebro humano. Mas ele consome 100 megawatts, energia suficiente para iluminar toda a cidade de Recife, enquanto o cérebro humano tem o consumo equivalente de duas lâmpadas LED”, explicou.

De toda forma, Maia admite que isso não impede o impacto no mercado de trabalho, uma vez que diversas funções já foram e estão sendo substituídas por máquinas. “Atividades físicas repetitivas serão automatizadas mais rapidamente”, acredita a sócia do McKinsey Global Institute, Patrícia Ellen. “Os processamentos de dados também serão automatizados”.

Cleber de Paula / CESAR

Da esq. para dir.: Eduardo Magrani, Patricia Ellen, José Carlos Cavalcanti e a moderadora Adriana Salles

Eduardo Magrani, pesquisador no Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getulio Vargas (FGV), citou algumas inovações tecnológicas e elencou alguns riscos que elas podem trazer “Tecnologia pode ser o céu ou o inferno. Tem um potencial muito forte se bem trabalhado, mas traz alguns riscos como a falta de segurança e exposição forte da privacidade”, destacou.

Para José Carlos Cavalcanti, conselheiro fundador do Porto Digital de Recife, o Brasil tem potencial para estar melhor posicionado no futuro e no presente. “Os recursos naturais do País estão relegados a segundo plano. Tem muita tecnologia na exploração de commodities”, disse. O Porto Digital do Recife é uma área que reúne empresas de tecnologia. 

Ellen, da McKinsey, salientou que alguns governos já estão preocupados com os futuros desempregados e estudam soluções, como a renda básica universal. Ela destacou também o aumento da expectativa de vida da população, que em alguns anos ficará próxima a 100 anos. “A mecânica de estudar, trabalhar e se aposentar precisará ser repensada. Quem tiver 65 anos vai fazer o que após se aposentar?”, questiona.

Cleber de Paula / CESAR

Eduardo Peixoto, Silvio Meira e Rubens Hannun

Por fim, Silvio Meira, professor e cientista e um dos fundadores do CESAR, fez algumas provocações e encerrou: “Tem trabalho no futuro porque o futuro vai dar muito trabalho”.

Parceria

O presidente da Câmara Árabe disse que o evento marcou o início da parceria da entidade com o CESAR. “É uma parceria que renderá bons frutos nessa linha de inovação, tecnologia e futuro. Vamos abrir a casa para esse tipo de discussão”, destacou.

O executivo chefe de negócios do CESAR, Eduardo Peixoto, disse que a instituição foi muito bem recebida pela Câmara Árabe e destacou a localização do auditório, que fica no prédio da sede nova da Câmara. “Debatemos o futuro do trabalho na Avenida Paulista, o coração de São Paulo. É o lugar ideal para discutir o assunto”, afirmou.

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