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04/10/2017 - 17:15hs
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Hannun destaca benefícios de parceria árabe-brasileira

Presidente da Câmara Árabe abriu evento na sede da entidade que teve palestra do presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro. Ele falou sobre complementariedades entre o País e a região.



São Paulo – O presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Rubens Hannun, falou nesta quarta-feira (04) sobre os benefícios recíprocos das parcerias entre Brasil e países árabes. Ele fez a abertura de evento que ocorreu na sede da entidade, em São Paulo, e teve palestra do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro.

Alessandro Couto/Câmara Árabe

Hannun (dir.) falou durante evento em SP

Hannun destacou que a relação entre as duas regiões vai na direção de um círculo virtuoso. “É a união dos recursos com a produção. Vamos trabalhar na conquista dos recursos árabes para canalizá-los para a atividade produtiva brasileira, gerando bens e serviços que possam abastecer o mercado árabe”, afirmou o presidente da Câmara Árabe.

Hannun lembrou a necessidade dos países árabes de garantirem a própria segurança alimentar, já que eles importam a maioria dos alimentos que consomem. “Temos aí recursos e temos produção, então cria-se um círculo virtuosos de devolução e a roda gira. Vamos devolver aos árabes aquilo que eles estão investindo no Brasil, em termos de abastecimento de suas necessidades”, complementou.

O presidente do BNDES quer atrair capital árabe para investimentos conjuntos com o banco em diferentes setores e Hannun também falou sobre o tema. Ele lembrou que entre os cinco maiores fundos soberanos do mundo, três são árabes e entre os dez primeiros, cinco são árabes. “Quarenta por cento dos valores que estão alocados em fundos soberanos no mundo é árabe”, afirmou Hannun a Rabello de Castro e aos demais presentes.

Com foco principalmente nos investimentos, a Câmara Árabe divulgou no evento o início da sua parceria com o BNDES para ações conjuntas no mundo árabe. As duas entidades planejam enviar uma delegação técnica aos países árabes em novembro deste ano e depois realizar uma missão oficial, em dezembro, para contato com representantes de fundos.

Também deve ser um momento para aproximação com os países árabes a realização da próxima reunião da União das Câmaras Árabes no Brasil em março do ano que vem. A iniciativa é resultado de conversas tidas em uma viagem feita por Hannun e pelo assessor de projetos especiais da Câmara Árabe Brasileira, Tamer Mansour, à Jordânia na última semana. Eles participaram da reunião anual da União, do Fórum Econômico Árabe-Africano e tiveram encontros com uma série de lideranças locais.

Além da reunião da União, será promovido um Fórum Econômico Brasil-países árabes. “É uma reunião que normalmente não acontece fora dos países árabes e nós vamos sediar essa reunião”, disse Hannun, lembrando que a União é o braço comercial da Liga dos Estados Árabes. Ele contou ainda que a instituição deu à Câmara Árabe a responsabilidade de trabalhar as relações da América Latina com os paises árabes. O presidente do BNDES ficou entusiasmado com a realização do encontro.

Alessandro Couto/Câmara Árabe

Castro e Hannun: foco nos países árabes

Hannun falou também sobre a corrente comercial do Brasil com os países árabes. As exportações do Brasil para os países árabes cresceram 15% de janeiro a agosto deste ano sobre iguais meses de 2016, com US$ 8,53 bilhões, e as importações avançaram 18%, para US$ 4,4 bilhões. “Mas isso é pouco, ainda é pouco, pode ser muito maior porque o mercado árabe é francamente comprador”, falou Hannun.

O presidente da Câmara Árabe destacou, em entrevista à ANBA, a viabilidade da atração de capital árabe pelo BNDES para investimentos conjuntos. “Eles correm menos riscos porque o BNDES faz todo o trabalho de seleção”, afirmou. De acordo com ele, a Câmara Árabe está desenvolvendo um trabalho para ser o braço neutro dos fundos soberanos árabes no Brasil. “Para olhar para os investimentos que eles fizeram e fazer uma certa curadoria deles, ter um olhar mais próximo”, disse.

O vice-presidente de Relações Internacionais da Câmara Árabe, Osmar Chohfi, acompanhou a palestra de Castro e destacou o panorama dado por ele sobre como o banco atua no desenvolvimento econômico e social do Brasil, além da perspectiva dada de como incrementar e fortalecer relações econômicas e comercias entre Brasil e o mundo árabe.

À ANBA Chohfi falou sobre a complementariedade que existe entre necessidades e potencialidades do mundo árabe e necessidades e potencialidades do Brasil. “O mundo árabe como grande consumidor de produtos alimentares, o Brasil como grande fornecedor de produtos alimentares”, disse, citando ainda a necessidade de financiamento do Brasil para projetos de infraestrutura e a capacidade financeira dos países árabes por meio dos seus fundos soberanos.

O conselheiro da Câmara Árabe, Mustafá Abdouni, acompanhou a palestra do presidente do BNDES e destacou a abordagem dada por Castro sobre os três grandes problemas do Brasil, que são juros, tributos e Previdência, segundo ele. “A globalização não se encaixa com isso”, afirmou Abdouni, chamando a palestra de uma aula de grande valia e destacando a iniciativa da Câmara Árabe em promovê-la.

Além de Abdouni e Chohfi, também participaram da palestra outras lideranças da Câmara Árabe, como o diretor de Investimentos da entidade, Daniel Hannun, o diretor-geral Michel Alaby, a diretora cultural Sílvia Antibas e os diretores Mohamad Orra Mourad, William Atui e Sami Roumieh, e o diretor Tesoureiro Nahid Chicani.

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