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06/10/2017 - 07:00hs
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Brasileiros empreendem nos Emirados

Expatriados que vivem no país árabe apostam em negócios próprios. Casos mostram que empreender fora do Brasil é uma solução viável.



São Paulo – O quarto maior sonho do brasileiro, atrás de viajar, de comprar sua casa e seu carro, é ter um negócio próprio. Um em cada três brasileiros com idade entre 18 e 64 anos já tem ou está abrindo o seu. São 48 milhões de pessoas.

Os dados são da Global Entrepreneurship Monitor (GEM 2016), pesquisa do Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP) patrocinada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e divulgada em abril deste ano. Ela coloca o Brasil entre os dez países mais empreendedores do mundo.

Não é de se estranhar, portanto, que muitos brasileiros que vivem fora do País optem por trabalhar por conta própria. É o caso de uma série de empreendedores brasileiros que hoje administram empresas nos Emirados Árabes Unidos.

Divulgação

A personal trainer/doula Larissa Vitória (acima) diz que abrir negócio próprio foi sua melhor decisão

Ser dona de seu negócio sempre foi o sonho de Larissa Vitória, personal trainer, doula e proprietária da Art Maternity, uma clínica especializada em auxiliar mulheres grávidas no pré e pós-parto. Há oito anos em Dubai, hoje comemora a possibilidade de organizar os seus próprios horários.

“Trabalhar por conta própria foi a melhor coisa que fiz. Aqui em Dubai se trabalha muito, seis dias por semana, oito horas por dia. Não digo que trabalho menos hoje, mas tenho flexibilidade e o dinheiro fica para mim”, explica a brasileira, formada em Educação Física na Universidade Gama Filho, de Brasília.

Larissa Vitória sempre trabalhou na área de saúde e preparação física, mas acabou se especializando no ramo da gestação. É hoje a única doula brasileira devidamente licenciada a trabalhar em hospitais de Dubai, agora que a profissão finalmente foi regularizada no país árabe. “Por isso mesmo tenho muitas clientes brasileiras e portuguesas. Em alguns casos, acabo servindo também como intérprete”, explica.

Ao chegar em Dubai, ela trabalhou primeiramente em academias de ginástica – tem também licença para atuar como personal trainer no país -, mas, depois de alguns anos, resolveu apostar na carreira solo. “Meu salário não me deixava feliz e não queria sair da área. Amo o que faço e a melhor maneira é sendo dona do meu negócio”, diz.

Reprodução/Facebook

The Açaí Spot agora é uma rede de franquias

Empreender também foi a maneira encontrada por Marcio Saboya para viver nos Emirados. Ex-comissário de bordo da Emirates Airline, o empresário agora comanda a The Açaí Spot, cafeteria que no mês passado abriu sua segunda loja, a primeira em forma de franquia, em Dubai.

“Eu sempre tive a ideia de abrir um negócio próprio. Após seis anos e meio trabalhando na Emirates, achei que era a hora de partir para esse objetivo. Juntei dinheiro por dois anos e abri o café em abril de 2015”, conta o empresário.

A ideia de apostar na fruta amazônica surgiu em um voo de Dubai para São Paulo. Logo o açaí caiu no gosto dos cidadãos de Dubai – e não apenas no dos brasileiros. Segundo Saboya, desde o início o foco era o público internacional. Dois anos depois, o negócio deu tão certo que o passo seguinte foi trabalhar no sistema de franquias. O objetivo do empresário é ter de 30 a 50 lojas no Oriente Médio nos próximos 5 anos.

Pensando em empreender

Fábio Araújo

Um exemplo do projeto pessoal de Fábio Araújo

Aos 28 anos, Fábio Araújo, nascido na zona leste de São Paulo, resolveu largar o emprego no almoxarifado de uma empresa em Sorocaba (SP) e apostar tudo em uma nova carreira: o design. Fez faculdade e começou a atuar na nova profissão no interior paulista, e agora, sete anos depois, trabalha para a Abu Dhabi Media, órgão oficial da capital dos Emirados, fazendo imagens para anúncios governamentais.

Em paralelo, Araújo toca um projeto pessoal que o tornou bastante conhecido em seu meio profissional. Suas artes já receberam destaque na Behance, uma rede social voltada para portfólios de designers, e fez com que fosse procurado por diversas publicações especializadas no tema. “São fotos minhas ou imagens compradas. Eu edito, recorto e faço colagens, criando uma nova imagem. Algumas chegam a ter mais de 400 camadas, ou seja, 400 imagens diferentes que, juntas, formam outra imagem”, explica o designer.

O brasileiro nem pensa em sair dos Emirados. Seus planos para o longo prazo são de abrir o seu próprio estúdio de design no país. “Abu Dhabi mudou a minha vida profissional. Não penso em sair no momento, já recebi propostas dos Estados Unidos e outros países, mas me sinto bem aqui. Tenho bastante liberdade na criação”, diz o designer.

Um pouco do seu projeto pessoal podem ser visto também no Instagram: https://www.instagram.com/fabioaraujo.art/

Começo informal

Uma das principais dúvidas dos brasileiros que decidem empreender nos Emirados é escolher qual o tipo de negócio será adotado. O país oferece duas maneiras: se associar com um empresário local ou abrir a empresa em uma zona franca, onde o imigrante pode ser dono de 100% do negócio.

Reprodução/Facebook

A Gula começou informal

Por isso muitos começam a trabalhar de forma informal antes de se regularizar. Foi o caso de Fernanda Troy, dona da Gula, empresa que fornece coxinhas, brigadeiros, empadas, croquetes e outros quitutes brasileiros aos habitantes de Dubai.

Tudo começou com pequenas encomendas que chegavam a ela, ainda quando trabalhava como comissária de bordo na Emirates. De início, atendia apenas a comunidade brasileira e a ideia de transformar em negócio era algo distante, até porque os altos custos de abrir uma empresa em Dubai assustavam a agora empresária.

Mas a coisa foi crescendo e em 2012 Fernanda Troy tomou a decisão de dedicar-se 100% às encomendas dos quitutes. Quis o destino, porém, que o passo fosse adiado: uma proposta de outra companhia aérea, a holandesa KLM, postergou um pouco a investida de Fernanda. “Era um salário muito bom, para um trabalho no escritório em Dubai”, explica.

Reprodução/Facebook

A família Bianchi quer abrir a sua empresa nos Emirados

Como o negócio próprio avançou bem, a empreendedora largou o trabalho assalariado e passou, em 2014, a se dedicar integralmente à empresa. Hoje a Gula chega a fornecer meia tonelada de comida por mês, chegando a 800 quilos em novembro e dezembro, meses de maior demanda.

Quem começa a pensar em formalizar seu negócio é a família Bianchi. Há dois anos vivendo em Ras Al-Khaimah, Sueli e seu filho João Francisco recebem cada dia mais encomendas de pão de mel. “A maioria dos pedidos vem de brasileiros, mas atendemos também outras nacionalidades”, comenta o menino de 15 anos que ajuda a mãe a fazer o doce desde pequeno, quando ainda moravam em Aldeia da Serra, na região metropolitana de São Paulo.

Eles mudaram para os Emirados por conta de uma proposta de trabalho ao marido de Sueli, que é professor de jiu-jitsu. Ao chegar em RAK, descobriram que havia uma demanda por pão de mel. Abriram uma página no Facebook e começaram a atender pequenas encomendas, cozinhando em casa mesmo. “Não divulgamos muito porque ainda não temos empresa. Mas vamos abrir”, diz. O nome já foi escolhido: Mr. Pão de Mel e Cia.

A personal trainer/doula Larissa Vitória também está no processo. Embora licenciada nas duas profissões nos Emirados, ainda não tem uma estrutura grande para a Art Maternity. Ela tinha decidido fazer os trâmites na zona franca, mas recentemente recebeu uma proposta de um empresário do Bahrein que quer se associar. “Nesse caso, a localização seria melhor. Ainda estou decidindo o que fazer”, explica ela, que comanda uma equipe de duas pessoas e gera emprego no país que adotou como lar.

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