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23/01/2018 - 07:00hs
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Unctad aponta queda no fluxo mundial de investimentos

Desempenho de 2017 frustrou a expectativa da agência de ONU, que previa crescimento. Houve um recuo de 16%, para US$ 1,52 trilhão. O Brasil, porém, recebeu mais recursos.



São Paulo – O fluxo mundial de investimentos estrangeiros diretos (IED) recuou 16% no ano passado, em relação a 2016, para US$ 1,52 trilhão, segundo o Monitor de Tendências de Investimentos Globais, divulgado nesta segunda-feira (22) pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad).

Os dados de 2016 foram revisados para US$ 1,81 trilhão, ante estimativa de US$ 1,71 trilhão publicada no Relatório Mundial de Investimentos da entidade de junho do ano passado. Na ocasião, a agência da ONU previa um crescimento de 5% do fluxo em 2017, o que acabou não ocorrendo.

“O declínio dos fluxos mundiais de IED contrasta significativamente com outros indicadores macroeconômicos, como os crescimentos do PIB (Produto Interno Bruto) e do comércio, que registraram melhorias substanciais em 2017”, disse o diretor da Divisão da Investimentos da Unctad, James Zhan, segundo comunicado da entidade.

A Unctad diz que o desempenho de 2017 foi afetado por uma queda de 27% na entrada de investimentos em países desenvolvidos, principalmente na Europa (-27%) e na América do Norte (-33%), com destaque para os Estados Unidos e o Reino Unido. Tais recuos, segundo a instituição, ocorreram após um pico em 2016 e marcaram um retorno a patamares anteriores de movimentação.

Nas nações em desenvolvimento, porém, o fluxo de IED avançou 2% em 2017, para US$ 653 bilhões, com aumento da entrada de recursos em países da Ásia, América Latina e Caribe, e estabilidade na África.

No caso da América Latina, os investimentos somaram US$ 143 bilhões, de acordo com estimativa da agência da ONU, um aumento de 3% sobre 2016. É o primeiro crescimento registrado em cinco anos, mas o volume ainda é mais baixo do que o patamar atingido em 2012, época de pico nas cotações das commodities.

Brasil

A Unctad diz que a economia da região cresceu de forma modesta em 2017, após dois anos de recessão, e os investidores passaram a procurar por oportunidades novamente, principalmente no Brasil. “Nove das dez maiores aquisições por companhias estrangeiras na região ocorreram no Brasil, sendo que sete envolveram compradores chineses”, informou a instituição.

O relatório afirma que os investimentos no Brasil cresceram 4% em 2017, para US$ 60 bilhões. Os números diferem dos divulgados pelo Banco Central do País em dezembro. Segundo o BC, o ingresso líquido de IED havia atingiu US$ 65 bilhões de janeiro a novembro do ano passado, um aumento de 3,4% em relação ao mesmo período de 2016. Os dados consolidados de 2017 ainda não foram publicadas pela autoridade monetária.

Na escala da Unctad, o Brasil ficou na sétima posição entre os maiores recebedores de IED no ano passado, atrás dos Estados Unidos, China, Hong Kong, Holanda e Irlanda, e empatado com a Austrália.

Entre as principais modalidades de IED, as fusões e aquisições internacionais de empresas caíram 23% em 2017, após três anos de crescimento, para US$ 666 bilhões. Ainda assim, este é o terceiro maior patamar já registrado.

No caso de projetos novos, o declínio foi ainda maior, de 32%, para US$ 571 bilhões, o menor nível desde 2003. “Se confirmada [a estimativa], a queda nos anúncios de novos projetos será um indicador negativo para o longo prazo”, destacou a Unctad. A instituição acrescenta que é especialmente preocupante a redução quase pela metade do valor dos projetos anunciados em nações em desenvolvimento.

“Apesar de os IED em países em desenvolvimento terem permanecido em patamar semelhante ao do ano anterior, mais investimentos em setores que podem contribuir para as Metas de Desenvolvimento Sustentável (fixadas pela ONU para serem atingidas até 2030) ainda são extremamente necessários. Promover os IED para o desenvolvimento sustentável permanece um desafio”, afirmou o secretário-geral da Unctad, Mukhisha Kituyi, de acordo com nota da entidade.

Como as projeções para o crescimento da economia global, do comércio e dos preços das commodities em 2018 são mais positivas, a Unctad avalia que isso normalmente apontaria para um avanço potencial do fluxo de IED este ano. A estimativa é que a movimentação chegue a US$ 1,81 bilhão, mas “riscos geopolíticos elevados” e incertezas políticas podem frustrar esta expectativa. A Unctad teme, por exemplo, que a “retórica protecionista” de governantes se transforme em “ações restritivas ao comércio”.

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