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30/01/2018 - 20:24hs
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Conferência fixa prioridades para desenvolvimento árabe

Organizado pelo FMI e outras instituições, fórum em Marrakech discutiu formas de ampliar o crescimento econômico, a geração de empregos e a inclusão na região.



São Paulo – Uma conferência realizada nos últimos dois dias em Marrakech, no Marrocos, definiu prioridades para promover o crescimento econômico, a geração de empregos e a inclusão no mundo árabe. O fórum foi organizado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), Fundo Árabe Para o Desenvolvimento Econômico e Social (Afesd, na sigla em inglês), Fundo Monetário Árabe (AMF, em inglês) e governo marroquino.

Ryan Rayburn/IMF Photo

Lagarde: modelo de estado grande empregador é inviável

Segundo comunicado divulgado nesta terça-feira (30) pelo FMI, Afesd e AMF, no encerramento do evento, os governos da região devem realizar reformas que promovam a transparência, fortaleçam as instituições, enfrentem a corrupção e garantam a adoção de políticas inclusivas.

Além disso, os países devem incentivar a concorrência por meio do fortalecimento do setor privado, facilitação do acesso ao crédito e a criação de um ambiente mais propício aos negócios, com redução da burocracia. “O velho modelo em que o estado é o principal empregador não é mais viável”, disse a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, em pronunciamento durante a conferência.

O desenvolvimento tecnológico e o fomento ao comércio foram também citados como essenciais. De acordo com as três instituições internacionais, são áreas onde podem surgir novas fontes de crescimento e empregos. Lagarde contou, por exemplo, que desde 2009 o número de novas “Fintechs” (startups de tecnologia financeira) cresceu sete vezes em países como Egito, Jordânia, Líbano e Emirados Árabes Unidos. Ela acrescentou que a criação de zonas francas em Casablanca e Tânger, no Marrocos, resultaram na criação de 85 mil empregos na indústria automotiva.

São prioridades também a criação de programas sólidos de proteção social e a inclusão de jovens, mulheres, camponeses e refugiados. “Mais de 27 milhões de jovens vão entrar no mercado de trabalho nos próximos cinco anos, numa região onde o desemprego entre os jovens é o maior do mundo, 25% em média”, afirmou Lagarde.

Ela acrescentou que a inclusão financeira é um importante instrumento para o fortalecimento destes grupos, além da educação, e especialmente entre as mulheres. “E eu tenho dito isso sempre, a inclusão financeira e econômica das mulheres tem o potencial de ser uma virada de mesa em escala global”, declarou.

A boa notícia, de acordo com ela, é que o crescimento da economia mundial chegou ao maior patamar em uma década, de 3,7% em 2017, e projeção de aceleração para 3,9% este ano e no próximo. “Cerca de 120 países, que representam três quartos do PIB (Produto Interno Bruto) global, estão participando deste ciclo de alta”, declarou a diretora do FMI.

O Fundo prevê crescimento de 3,5% do PIB da região em 2018 e 2019. Embora haja uma retomada, o nível ainda é bem inferior à média registrada de 2000 a 2008, que foi de 5,6%. “Os conflitos e a desvalorização das commodities estão claramente cobrando um preço”, ressaltou Lagarde.

As políticas públicas devem buscar melhorias dos investimentos na área social, tributação mais justa e uma divisão equitativa do peso de reformas que impliquem em contenção de gastos ou aumento de impostos. O investimento em educação e capacitação para preparar os trabalhadores para uma nova economia é outra ação considerada de grande importância.

Segundo Lagarde, os gastos na área social (programas sociais, saúde e educação) na região são inferiores a 11% do PIB regional, contra 19% em nações emergentes da Europa.

As três instituições pretendem se guiar por estas prioridades em seu relacionamento com os países da região. Elas vão nortear ações que serão sugeridas para os governos, o setor privado e a sociedade civil. As entidades destacam, porém, que a região precisa de mais financiamentos externos, principalmente doações, especialmente para auxiliar nações atingidas por conflitos e pessoas deslocadas pela guerra.

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