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22/06/2010 - 08:30

Turismo

Rumo a 2014

Copa do Mundo trará incremento de R$ 47,9 bilhões para o PIB do Brasil. Saiba o que o torneio significará para o turismo nacional na última reportagem da série sobre o crescimento do setor no Brasil.

Geovana Pagel e Isabela Barros geovana.pagel@anba.com.br; isabela.barros@anba.com.br
São Paulo - A bola mal começou a rolar na Copa deste ano e as atenções dos empreendedores do turismo já estão voltadas para 2014, quando o mundial de futebol será realizado no Brasil. O impacto do evento na economia brasileira é enorme. E abrange desde a vinda de 600 mil estrangeiros a mais para cá ao longo de 2014 até o incremento de R$ 47,9 bilhões no PIB. Se o torneio for bem organizado, com a oferta de estádios modernos, bons serviços de hospedagem e transporte, segurança para circular nas ruas e, consequentemente, turistas voltando felizes para casa, os frutos vão durar por anos e anos. Ou seja, antes, durante e depois, a Copa será um marco para o país.

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Rio terá Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016: vitrine para o turismo

Segundo o Ministério do Turismo, o Brasil poderá chegar a 2014 diante da geração de dois milhões de ocupações no setor e 73 milhões de desembarques domésticos.

Ainda de acordo com o Ministério, já foram investidos R$ 552 milhões nas cidades que devem receber os reis dos gramados daqui a quatro anos: Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Fortaleza, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. "As cidades-sede da Copa vão ganhar visibilidade com o torneio", explica o diretor de Produtos e Destinos da Embratur, Marcelo Pedroso. "Sem falar que queremos aproveitar o evento para diversificar as opções de destinos dentro do país", diz.

Todos os municípios participantes do mundial devem ganhar ainda corredores exclusivos de ônibus e bondinhos, os chamados veículos leves sobre trilhos. A ideia é facilitar a circulação nos trajetos entre os estádios, hotéis, rodoviárias e aeroportos. Ao todo, serão 47 projetos de transporte público, com obras orçadas em R$ 11,4 bilhões.

Pedroso afirma que, para 2014, estão previstos investimentos de R$ 20 bilhões em obras de infraestrutura como a construção de estradas, por exemplo. Um processo que mexerá, principalmente, com a vida das maiores metrópoles brasileiras: São Paulo e Rio de Janeiro.

No Rio de Janeiro, que de quebra ainda vai sediar as Olimpíadas em 2016, o fluxo turístico internacional deverá ser de aproximadamente 79 mil pessoas para a Copa e de 196 mil para os jogos olímpicos. A estimativa é da Secretaria Especial de Turismo/RioTur.

Para receber o mundial e os jogos olímpicos, a cidade maravilhosa espera tirar do papel obras como a construção de um trem bala orçado em R$ 34,6 bilhões, a reforma dos dois terminais de seu aeroporto internacional para atingir a capacidade de 25 milhões de passageiros por ano e a extensão das linhas 1 e 4 do metrô, estimadas em R$ 1,1 bilhão e R$ 4 bilhões, respectivamente.

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São Paulo receberá 500 mil visitantes e 3 mil jornalistas na Copa de 2014

Com tudo isso, a prefeitura do Rio de Janeiro prevê investimentos de R$ 28 bilhões até 2016, verba que virá das esferas municipal, estadual e federal (R$ 23 bilhões) e do Comitê Organizador dos Jogos (R$ 5 bilhões). No âmbito privado, a melhoria da rede hoteleira e construção de novos hotéis deve envolver aportes superiores a R$ 1 bilhão somente na capital carioca.

Em São Paulo, estão previstos reforços que somam R$ 1,68 bilhão nos aeroportos de Garulhos e Congonhas, além de outros R$ 936 milhões no terminal de Viracopos, em Campinas, a 99 quilômetros da capital paulista. Ao todo, a maior cidade do país deve receber quase R$ 34 bilhões em obras para o mundial. A expectativa de turistas é de 500 mil visitantes a mais no mês da Copa, além de três mil jornalistas.

Rede hoteleira a todo vapor

Entre as grandes redes de hotelaria, a expectativa para o mundial de 2014 é grande desde já. No grupo Accor, de origem francesa e atuando no país com as bandeiras Sofitel, Novotel, Mercure, Ibis e Formule 1, são 73 hotéis funcionando hoje nas cidades que vão sediar a Copa, com mais 25 unidades em construção, somando investimentos de R$ 480 milhões. A empresa diz que há ainda outros 34 pontos em negociação avançada com investidores para serem construídos. E isso não é tudo: nas localidades próximas às capitais que receberão os jogos, há 18 projetos em implantação e 35 em negociação avançada.

Já no Grupo Blue Tree, estão previstas, para este ano, cinco inaugurações nas regiões Centro-Oeste e Norte. "Estamos observando um desempenho bastante positivo", explica a presidente executiva da rede Blue Tree, Chieko Aoki. "O primeiro trimestre do ano foi fechado com um crescimento de 15% quando comparado com o mesmo período de 2009”, afirma.

Segundo a empresária, o setor está se preparando para receber os visitantes que virão ver a Copa e as Olimpíadas. "Sendo um dos principais elos da cadeia de turismo, nos organizamos desde já para oferecer produtos e serviços de primeira linha", diz Chieko.

Lição de casa

De acordo com o presidente da Arbache Consultoria, professor e consultor na área de inteligência de mercado, Fernando Arbache, é de serviços de primeira linha que o país precisa para colher bons frutos com a realização da Copa e das Olimpíadas. "Os maiores benefícios vêm depois desses eventos", explica. "A maioria dos países que se prepararam bem, tiveram resultados positivos, já que, após os jogos, a tendência é de que as pessoas voltem como turistas", afirma. Do contrário, o mico pode ser total. "O ônus de uma Copa mal organizada pode durar décadas", diz.

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Curitiba vai sediar jogos da Copa de 2014

Arbache alerta para o fato de que os estudos e estimativas com vistas aos dois grandes torneios esportivos devem ser feitos não com base na realidade atual, mas no país que seremos em 2014 e 2016, com mais carros nas ruas e gente precisando de transporte público de qualidade para conferir as disputas. "Outros gargalos a serem trabalhados são o aumento do número de passageiros nos aeroportos e o crescimento do consumo de energia, por exemplo", explica.

A lógica é a de que, se bem trabalhado, o turismo pode mudar o país em termos de geração de empregos. "Quem sai de férias quer descansar e ter privilégios, sem se deparar com serviços automatizados", explica Arbache. "Turista quer ser servido, atendido pessoalmente. E é aí que entra a empregabilidade que o setor proporciona".

Para exemplificar o que diz, Arbache cita o exemplo de Cancún, badalado balneário no México. "Os hotéis de Cancún oferecem serviços excelentes. Foi só enxergar isso que o México passou a atrair turistas do mundo inteiro para lá", afirma. "O Brasil precisa se profissionalizar nesse sentido, entender que o turismo é um impulso à mobilidade social de muitos trabalhadores", diz.

Leia abaixo as demais matérias da série da ANBA sobre turismo.

O melhor destino do mundo
http://www.anba.com.br/noticia_turismo.kmf?cod=10201191&indice=0

Mais árabes aqui e mais brasileiros lá
http://www.anba.com.br/noticia_turismo.kmf?cod=10203920&indice=0

Para todos os gostos
http://www.anba.com.br/noticia_turismo.kmf?cod=10210177&indice=0

De malas prontas
http://www.anba.com.br/noticia_turismo.kmf?cod=10211176&indice=0

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