São Paulo – Rana Aldeghaither, de 21 anos, visitou o Brasil pela primeira vez na semana passada. Parte do grupo de intercâmbio que participou do Fórum da Juventude Saudita-Brasileiro, ela esteve em São Paulo, Manaus e Rio de Janeiro. Foi também a primeira vez que ela viajou sem a companhia da família, que ficou em Jeddah, sua cidade natal. Rana viveu dias muito diferentes de sua rotina. Passou por floresta, favela, visitou o Cristo Redentor, conheceu um país que antes ela só imaginava em sonhos e que, agora, ela até pensa em morar.
“Um dos meus objetivos é ser a primeira embaixadora da Arábia Saudita”, revela. “Eu nunca tinha conhecido um embaixador na minha vida. Os primeiros diplomatas eu conheci aqui. Então, a primeira embaixada na qual eu quero trabalhar é a embaixada saudita no Brasil”, conta a estudante de jornalismo, que está a um semestre de sua graduação. No país de Rana não há mulheres no posto de embaixadora.
Ela conta que se preparou bastante antes de sua partida. Leu sobre meio ambiente, desigualdade social, sobre a presidente Dilma Rousseff. “Quando chegasse aqui, queria conversar com as pessoas e entender o que elas diziam”, conta. O que Rana não esperava era que, além dos temas propostos para discussão em seu programa de intercâmbio, ela fosse encontrar outros tantos assuntos em comum com os jovens que conheceu em terras brasileiras.
“Quando cheguei aqui, vi as semelhanças entre sauditas e brasileiros. São povos gentis, que respeitam a vida do outro. Aprendi muitas palavras em português, o que me fez pensar realmente em vir para cá e começar um curso da língua”, afirma.
Sobre as cidades que passou, ela compara São Paulo a Nova York, o Rio de Janeiro a Hollywood, e Manaus… “Conhecer a Amazônia é como estar em um filme de aventura. Andar na floresta com muitas pessoas, com os sons dos pássaros e o cheiro das árvores, é incrível. O Brasil tem uma história muito grande, é um país profundo como o Rio Amazonas”, opina. “O que eu imaginava antes sobre o Brasil era bom, mas nada comparado ao que eu vi”, completa.
A passagem pelo Morro do Cantagalo, no Rio de Janeiro, a fez entender melhor a realidade de sua própria terra. “Foi uma experiência que me fez pensar sobre muitas coisas, como as que existem em comum entre favelas daqui e as da Arábia Saudita. Quando vi as pessoas da favela, pensei: Rana, você tem que mudar sua cabeça. Para falar com eles, é preciso senti-los, sentir suas necessidades.”
E o que de mais importante ela leva do Brasil? Rana responde: amigos. “Não acho que passarei pelo Brasil apenas uma vez, só porque é um lugar legal. Acredito que virei para cá muitas vezes, porque eu tenho amigos aqui. Uma vez que você tem amigos em uma cidade, ela é como sua casa, e você pode vir e voltar quantas vezes você quiser. Sinto-me brasileira agora”, finaliza.

