São Paulo – O mundo árabe está procurando diversificar sua economia e reduzir a dependência do petróleo, tem atrações turísticas variadas como praias e shoppings, possui oportunidades no setor de construção e ambiente propício para negócios. Foi essa face do mundo árabe, a que faz a economia girar, que o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Marcelo Nabih Sallum, apresentou no último sábado (21) no Esporte Clube Sírio, em São Paulo, com a palestra “Uma nova visão do mundo árabe”.
Para fazer um contraponto às notícias que predominam na mídia sobre a região, normalmente em cima dos conflitos, Sallum apresentou a um grupo de cerca de 50 pessoas um panorama econômico da região. Ele resgatou um pouco da história do mundo árabe, desde a época em que o local foi berço de várias descobertas da humanidade, até a ascensão do mundo ocidental e a retomada da prosperidade no Oriente Médio com o início da exploração do petróleo e o gás. Depois, se deteve em fatos de destaque da atualidade, como o uso da renda gerada pelo setor petrolífero para investimentos em educação.
“Eles precisam de tudo, compram de tudo, é um mercado fantástico esperando para ser explorado”, disse Sallum, lembrando os números de comércio que o Brasil tem com a região, com exportações de US$ 15 bilhões e importações de US$ 9 bilhões no ano passado. “Mesmo considerando a conta do petróleo, o Brasil é superavitário no comércio com os árabes”, afirmou. O presidente da Câmara Árabe lembrou do estudo a respeito da região que a entidade entregou ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início do seu mandato, que deu o pontapé para o incremento das relações do Brasil com os árabes.
Sallum citou dados sobre o potencial econômico dos países, como Arábia Saudita, que tem reservas petrolíferas de 264 bilhões de barris de petróleo e está criando quatro novas cidades que têm como foco a geração de empregos. Ele afirmou ainda que os sauditas atraem 15 milhões de peregrinos ao ano, com suas cidades sagradas, e o país possui um shopping de 242 mil metros quadrados, que comporta mais de 500 lojas. O Catar, lembrou Sallum, tem a terceira maior reserva de gás do mundo e vem atraindo instituições estrangeiras renomadas de ensino com o intuito de desenvolver a sua Cidade da Educação.
O presidente da Câmara Árabe também falou sobre os grandes projetos arquitetônicos dos Emirados, como Downtown Dubai, onde há prédios como o shopping Dubai Mall e o arranha-céu Burj Khalifa, além das ilhas artificiais em forma de palmeiras que estão em construção. Citou também projetos de destaque como Masdar City, uma cidade sustentável que está em implementação em Abu Dhabi, e o Ferrari World, o maior parque coberto do mundo.
Ao detalhar características econômicas e projetos de relevância de cada país, Sallum lembrou que Omã, também no Golfo, abriga uma usina de pelotização de minério da Vale, que gera dividendos para os brasileiros. O minério é enviado do Brasil e é processado na usina antes de ser comercializado. Um dos benefícios para a Vale ao produzir em terras árabes, lembrou o presidente da Câmara Árabe, é o custo barato da energia.
Sallum também falou sobre o Norte da África, com sua produção de fertilizantes e companhias importantes, como a argelina Sonatrach, a 11ª maior petrolífera do mundo, além das oportunidades que a região gera para o Brasil, como no Djibuti, que tem um porto sendo construído pela brasileira Odebrecht. De acordo com o palestrante, o Egito, por exemplo, tem uma produção importante de fosfato, mas sua principal atividade econômica é o turismo. “O setor emprega 12 milhões de trabalhadores”, afirmou Sallum. Sobre os países do Levante, onde ficam nações como Líbano, Síria, Palestina e Jordânia, ele lembrou que é a região de onde houve maior fluxo migratório para o Brasil e também o berço da Cristianismo, Islã e Judaísmo.
Sallum encerrou sua palestra mostrando as várias empresas brasileiras que já tem operações como escritório ou lojas no mundo árabe, entre elas Banco do Brasil, Petrobras, BRF, JBS e Tramontina, além das companhias árabes que possuem braços no Brasil, como as aéreas Etihad e Emirates, a operadora portuária DP World, entre outras. Questionado pelos presentes sobre a interferência dos conflitos no fluxo de comércio do Brasil com o mundo árabe, Sallum disse que torce pela paz na região, mas que esses períodos também trazem oportunidades.


