São Paulo – O crescimento populacional e o desenvolvimento local vêm transformando o abastecimento de água em um dos grandes desafios do mundo árabe. A quantidade de recursos hídricos renováveis per capita da região passou de 4 mil metros cúbicos per capita por ano, em 1950, para 1.233 metros cúbicos per capita em 1998, de acordo com informações do Conselho Árabe da Água. Em 2050, indicam as projeções, o volume cairá ainda mais, para 547 metros cúbicos. "Em função do crescimento populacional", diz o diretor executivo do Conselho, Safwat Abdel Dayem, em entrevista à ANBA.
Em função disso existe nos países árabes um forte movimento, que envolve desde os governos até o setor privado e organizações locais, para otimizar o uso da água e garantir o abastecimento futuro. Atualmente, dos 335 quilômetros cúbicos de água renovável utilizada no mundo árabe, mais da metade vem de outras regiões, principalmente de rios internacionais. "Quase todos os países desenvolvem programas para conservação e uso eficiente da água", afirma Dayem.
De acordo com o diretor executivo do Conselho Árabe da Água, as políticas no setor incluem o incentivo da participação dos usuários na gestão da água. Entre as ações que o mundo árabe vem tomando para otimizar o uso dos recursos hídricos estão a dessalinização, retirada do sal da água do mar para torná-la potável, além do reuso da água. Da água consumida nos países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), 56% é dessalinizada.
"Mais sistemas de dessalinização estão em construção no GCC e também há planos de longo prazo nos outros países árabes. A dessalinização é vista como uma das potenciais futuras fontes de abastecimento de água potável. Espera-se que haja uma diminuição do custo da dessalinização a partir do avanço das pesquisas e do uso de energia renovável", diz Dayem. A dessalinização, aliás, vai ser um dos temas abordados pelos árabes no Fórum Mundial da Água, que ocorre entre 16 e 22 de março em Istambul, na Turquia.
O Conselho Árabe da Água estará representado no encontro, que deve contar, segundo estimativas de Dayem, com cerca de 500 participantes do mundo árabe. Haverá, no fórum, um encontro de ministros árabes, no dia 19 de março, além de um estande com vídeos e apresentações sobre as experiências da região com a água. Entre os temas das palestras proferidas por árabes estarão as Parcerias Público Privadas (PPPs) em Irrigação, as concessões das PPPs na área de água, os projetos de dessalinização no GCC, a Academia Árabe de Água, nos Emirados, e as mudanças do clima.
De acordo com Dayem, entre as regiões mais avançadas na gestão sustentável das águas, no mundo árabe, estão Egito, Marrocos, Tunísia e Conselho de Cooperação do Golfo. O Conselho Árabe da Água foi criado, inclusive, com a preocupação do abastecimento de água na região. É uma organização sem fins lucrativos criada pelos governos, organizações não-governamentais, setor privado, universidades, além de institutos regionais e internacionais. O secretariado permanente do organismo fica no Cairo, no Egito.

