São Paulo – A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou nesta quarta-feira (23), em Paris, durante o fórum anual da entidade, um estudo que mostra que os governos que promovem a abertura de mercados e resistem às tentações do protecionismo, têm mais chances de estimular o crescimento econômico inclusivo e de criar empregos melhores. A pesquisa foi feita por 10 entidades multilaterais que integram a Iniciativa Colaborativa Internacional para o Comércio e o Emprego (Icite, na sigla em inglês).
Na mão contrária, segundo a OCDE, políticas comerciais protecionistas e discriminatórias não ajudam na manutenção dos empregos, pelo contrário, tendem mais a “sufocar” o crescimento e a colocar “pressão” no mercado de trabalho.
O relatório, denominado Políticas Prioritárias para o Comércio Internacional e os Empregos, diz que o comércio induz o aumento dos salários, por meio de seu impacto na produtividade das empresas. A organização diz que os operários de países com economias abertas ganham de três a nove vezes mais do que os de nações com mercados fechados.
Essa diferença pode ocorrer também entre diferentes setores de um mesmo país. No Chile, por exemplo, trabalhadores de segmentos mais abertos ganham, em média, 25% mais do que os de áreas mais fechadas. A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), agência da ONU com sede em Santiago, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Organização dos Estados Americanos (OEA) são três das instituições que participam da Icite.
“No cenário atual, de recuperação [econômica] hesitante e de lenta geração de postos de trabalho, a abertura dos mercados pode ser um elemento crítico para impulsionar o crescimento e o emprego”, disse o secretário-geral da OCDE, Angel Gurria, segundo comunicado da instituição.
O estudo, de acordo com a OCDE, desmistifica um dos principais argumentos contra a abertura de mercados, que é o suposto impacto negativo das importações nos empregos. O trabalho afirma que não há ligação sistemática entre as compras externas e o desemprego e que, pelo contrário, as atividades de comércio exterior, sejam exportações ou importações, incentivam o avanço da produtividade e da criação de posto de trabalho de maior qualificação e bem pagos.
Na mesma linha, o levantamento informa que, nos países desenvolvidos, a terceirização para nações em desenvolvimento da produção de bens intermediários e serviços gera efeitos positivos nos mercados de trabalho das duas partes.
O estudo diz ainda que a liberalização do comércio somente não basta, são necessárias também boas políticas macroeconômicas, um bom ambiente para investimentos, um mercado de trabalho flexível e um sistema de proteção social adequado.
Participam da Icite também a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), o Banco Mundial, a Organização Mundial do Comércio (OMC), o Banco Africano de Desenvolvimento e o Banco Asiático de Desenvolvimento.

