São Paulo – O governo de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, planeja criar uma trading para atuar no ramo de commodities, segundo reportagem publicada nesta terça-feira (16) pelo jornal britânico Financial Times. O objetivo principal é garantir o abastecimento de alimentos no mercado local.
A empresa, de acordo com o FT, vai se chamar Abu Dhabi Sources (ADS) e, além do comércio de produtos agrícolas, deverá atuar também com commodities metálicas. O emirado concentra as maiores reservas e a maior produção de petróleo do país, mas, segundo o jornal, não se sabe ainda se a companhia vai negociar óleo.
A preocupação com a segurança alimentar é grande entre os países árabes, em sua maioria grandes importadores de produtos agropecuários. As vendas do agronegócio brasileiro aos Emirados, por exemplo, renderam mais de US$ 1 bilhão de janeiro a outubro deste ano, segundo o Ministério da Agricultura.
O tema é recorrente em conversas entre empresários e autoridades árabes e do Brasil, que por sua vez é grande exportador de itens do agronegócio. A questão interessa principalmente aos países do Golfo que, embora ricos em petróleo, têm solo majoritariamente desértico e baixa produção própria de alimentos.
O assunto foi destaque, por exemplo, da recente visita ao Brasil do ministro da Agricultura da Arábia Saudita, Fahad Abdulrahman Bal Ghunaim. Os sauditas, que são grandes importadores de produtos agropecuários do Brasil, têm interesse em investir na produção brasileira.
Outro exemplo é o do Catar que, por meio da Hassad Food, braço de seu fundo soberano na área de alimentos, negocia aquisições no Brasil. O fundo soberano da Líbia também procura oportunidades no país.

