Emirates News Agency*
Abu Dhabi – O emirado de Abu Dhabi embarcou em um plano de diversificação de sua economia, para fugir da forte dependência no ramo petrolífero. O emirado vai incentivar parcerias público-privadas (PPPs) nos setores de turismo, energia, imóveis e em programas sociais, segundo um novo estudo divulgado pela consultoria britânica Oxford Business Group (OBG), batizado de Abu Dhabi 2007.
Serão desenvolvidos vários novos projetos. "Abu Dhabi embarcou em um plano que receberá investimentos de US$175 bilhões entre 2007 e 2012", declarou Tatjana Marinko, diretora regional da OBG para o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), bloco econômico que inclui Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã.
"Empresas estatais e de economia mista, como a Mubadala Development e a Empresa de Investimento e Desenvolvimento Turístico (TDIC), vão tocar alguns projetos, atuar como investidoras em outros e também buscar investimentos estrangeiros", declarou Marinko.
A Mubadala Development é uma empresa de investimentos do governo de Abu Dhabi. Já a TDIC é uma companhia criada pelo governo local para administrar seus empreendimentos imobiliários e turísticos e incentivar a ampliação do número de turistas que visitam o emirado.
Um dos planos do emirado é o investimento na Zona Industrial de Abu Dhabi e na Zona Industrial e Portuária de Khalifa. Os projetos têm impulsionado fortemente a industrialização do emirado e cerca de 50% dos US$ 25,5 bilhões de investimentos que receberam vieram de empresas privadas. As zonas industriais têm contribuído em grande parte para a ampliação das exportações não petrolíferas. Outros empreendimentos semelhantes serão criados para reforçar esta tendência. Serão estabelecidos pólos petroquímicos, de plásticos, alumínio, aço e vidro, e feitos investimentos no setor financeiro e na criação de estaleiros.
O grosso dos investimentos, no entanto, será realizado no ramo imobiliário, principalmente na ilha de Saadiyat, na qual serão investidos US$ 27 bilhões na criação de um complexo misto idealizado para ser o pólo cultural da região. Já está programada, segundo noticiado pela ANBA em março deste ano, a construção de uma filial do museu do Louvre com 24 mil metros quadrados, projetada pelo arquiteto francês Jean Nouvel. O custo da obra será de 83 milhões de euros e ela será bancada pelo governo do emirado.
Na área turística, administrada pela Abu Dhabi Tourism Authority, está prevista a expansão da Etihad Airways, do aeroporto local e a ampliação da infra-estrutura hoteleira, que receberá 4,5 mil novos quartos nos próximos três anos, permitindo com que o emirado abocanhe parte do crescente movimento turístico da região.
Abu Dhabi é o maior dos sete emirados que formam os Emirados Árabes Unidos. O país inclui também Dubai, Sharjah, Fujairah, Ajman, Umm Al Qaiuan e Ras Al Khaimah. Abu Dhabi representa mais de 80% do território do país e também concentra a produção petrolífera, de gás e de produtos petroquímicos. O emirado faz divisa com a Arábia Saudita e Omã e com os emirados de Dubai e Sharjah, tem 600 quilômetros de costa no Golfo Arábico e cerca de 200 ilhas.
GCC
A diversificação da economia está ocorrendo não apenas em Abu Dhabi, mas também em Dubai e em outros países da região. Segundo matéria publicada pelo jornal saudita Arab News, os países do GCC investirão US$ 1 trilhão em projetos de infra-estrutura nos próximos anos, grande parte dos quais já está em andamento, criando a maior explosão de construção mundial.
Para diversificar sua economia, o governo Saudita pretende privatizar 20 estatais e criou zonas industriais como Jubail, Rabigh, Hail, Madinha e Jizan, que devem receber investimento de mais de US$ 100 bilhões e criar aproximadamente 1 milhão de novos empregos. Já o Catar vai investir cerca de US$ 65 bilhões na indústria não petrolífera nos próximos anos.
Dubai é o que está mais avançado nesta seara. Hoje a indústria petrolífera responde por apenas 4% da economia do emirado, quando em 1975 sua participação era de 50%.
Além de investir em indústrias, as nações do GCC também estão investindo pesadamente na aquisição de empresas internacionais. Estima-se que os Emirados tenham atualmente US$ 500 bilhões em ativos estrangeiros, a Arábia Saudita US$ 250 bilhões e o Kuwait US$ 100 bilhões.
Alumínio
Um dos setores que está em forte expansão na região é o de alumínio. Os países do GCC estão se esforçando para alcançar uma posição de ponta na produção. Esta decisão foi tomada devido ao baixo custo da energia na região. A energia representa 25% do custo de produção do alumínio.
Atualmente há no Oriente Médio duas fundições de alumínio: a Dubal, nos Emirados, e a Alba, no Bahrein. A Dubal já é a sétima maior produtora de alumínio no mundo, com capacidade de produção anual de 861 mil toneladas. A capacidade da empresa deve alcançar 920 mil toneladas em 2008 e 1,5 milhão em 2011. Já a Alba tem capacidade de produção de 872 mil toneladas ao ano, com planos para ampliar sua produção para 1,3 milhões de toneladas.
Arábia Saudita, Catar e Omã também estão construindo fundições de alumínio, usando gás natural na produção. Quando estas fundições entrarem em operação, em 2010, a capacidade de produção de alumínio dos países do GCC alcançará 3,75 milhões de toneladas ao ano, que poderá aumentar ainda mais se confirmadas as expansões da Alba e da Dubal.
*Tradução de Mark Ament, com informações da redação da ANBA

