Agência Sebrae
Brasília – O trabalho com artesanato feito em madeira foi um passo positivo para que a artesã Léia Silva, moradora de Boa Vista, capital de Roraima, se interessasse pela produção de jóias feitas com matéria-prima da floresta amazônica. Tudo começou há quase três anos quando ela foi escolhida, juntamente com outros 20 artesãos, para participar de um curso de formação de multiplicadores de técnicas de artesanato, ministrado pelo Sebrae e Senai.
No curso, realizado no Núcleo de Inovação e Design em Artesanato, o uso da iconografia – conjunto de símbolos que identificam um local ou região, foi a técnica utilizada para agregar valor aos produtos artesanais confeccionados pelos profissionais. “Foi a partir dos conhecimentos adquiridos por meio da iconografia que identifiquei como seria interessante ressaltar nas peças um pouco da história de Roraima”, afirmou Léia.
Da natureza, a artesã destaca tartarugas, tamanduás e tucanos como seus animais preferidos, todos confeccionados em sobras de madeira e unidos a um trançado, do tipo macramê, feito com fibras de buriti. As belezas naturais retratadas nas jóias foram enviadas há dois meses para a Itália, por um amigo de Léia e teve boa receptividade pelos italianos. “Foi apenas uma remessa experimental e, como tivemos sucesso com isso, tenho a esperança de que haja mais pedidos”, disse.
A artesã produz em torno de 30 peças por mês, entre colares, brincos e pulseiras, além de caixinhas de jóias. Os valores variam entre R$ 15 e R$ 30 e é uma das fontes de renda da artesã, que é casada e tem duas filhas, uma de 4 e outra de 9 anos. “As meninas me acompanham durante a produção das jóias. Trabalho em casa, mas atuo também em dois grupos de artesãos na cidade”, disse.
Os produtos são vendidos em feiras populares, lojas e exposições em Boa Vista. A produção só não é maior, segundo Léia, porque faltam mais máquinas para ajudar na confecção. “Falta tecnologia pra melhorar minha produção”, revelou.
Gisele Brito, gestora do programa Via Design no Sebrae em Roraima, afirmou que a idéia do programa é elevar a competitividade das micro e pequenas empresas no mercado nacional, promovendo sua participação nas exportações por meio da utilização do design como elemento de agregação de valor em produtos e serviços. “Por isso, trabalhamos com a iconografia como forma de valorizar o produto”, disse.
Para o segundo semestre do ano, o Núcleo de Inovação e Design em Artesanato vai realizar uma série de ações: o I Prêmio Estadual de Design; a Semana do Design; cursos avançados em design de artesanato e embalagem; curso de aplicação da iconografia de Roraima para as áreas de turismo, moda e educação artística; e oficina de design de jóias.

