Alexandre Rocha, enviado especial
Brasília – Os governos do Brasil e da Tunísia querem incentivar a formação de joint-ventures entre empresas dos dois países no agronegócio. Este é um dos três objetivos principais do acordo de cooperação na área agropecuária que foi assinado ontem (16) à tarde, em Brasília, pelo ministro dos Assuntos Estrangeiros do país árabe, Abdelwahab Abdallah, e pelo ministro brasileiro da Agricultura, Roberto Rodrigues.
De acordo com Rodrigues, a Secretaria de Relações Internacionais de seu ministério vai levar o tema para discussão nas entidades que representam os diversos segmentos do agronegócio no Brasil. "O governo não terá uma ação direta neste assunto, mas queremos abrir essa discussão no setor privado", disse o ministro. "São os representantes dos empresários que vão dizer quais são seus interesses", acrescentou. Os governos vão agir como intermediários na troca de informações.
O acordo estabelece também a cooperação tecnológica na área agrícola. "Trata-se de dar apoio e receber apoio", disse Rodrigues. Segundo ele, a Tunísia, por exemplo, tem know-how no cultivo de frutas cítricas, azeitonas, tâmaras e frutas tropicais. "O país é, inclusive, fornecedor de frutas tropicais para a Europa. Eles são até nossos concorrentes nesse mercado", afirmou o ministro.
A terceiro ponto principal do acordo diz respeito à troca de informações e integração tecnológica sobre a produção de madeira, desde a extração na floresta, até a utilização e conservação do produto. Do lado brasileiro, estes dois itens do acordo ficarão a cargo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Segundo Rodrigues, o início da implementação do tratado deve ser imediato. "Não basta assinar, o que importa é a atitude de implementar", afirmou. Ele garantiu que os representantes da Embrapa e da Secretaria de Relações Internacionais já saíram da reunião com a incumbência de dar encaminhamento aos assuntos acordados. "É coisa para implementar neste ano", declarou.
Para Rodrigues, as ações decorrentes do acordo devem contribuir para o aumento do comércio entre os dois países. Segundo ele, dos US$ 2,3 bilhões que a Tunísia importa anualmente em produtos agropecuários, o Brasil participa com cerca de 4%. "Podemos aumentar muito as vendas de produtos que já exportamos, como açúcar, café e óleo de soja, e de outros, como a carne, por exemplo", afirmou.
Abdallah lembrou que a Tunísia é grande produtora de fertilizantes, que respondem por 90% de suas exportações. "Eles estão observando o aumento de nossa área plantada e podem se tornar fornecedores importantes, já que o Brasil importa mais de 50% de suas necessidades", ressaltou Rodrigues. Os fosfatos já são o principal item da pauta de exportações da Tunísia para o Brasil.
Educação
Ainda ontem, Abdallah se reuniu com o ministro da Educação, Fernando Haddad, com quem assinou um tratado de cooperação na área universitária. "A educação permite a aproximação real entre os povos", comentou. Ele também se encontrou com o assessor de Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia. Ontem também teve início, no Itamaraty, a 3ª reunião da Comissão Mista Brasil-Tunísia, que termina hoje.
Hoje o chanceler tunisiano vai se encontrar com o presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e com o vice-presidente da República, José Alencar. Amanhã ele segue para São Paulo, onde vai participar de encontro empresarial na Câmara de Comércio Árabe Brasileira.

