Da Agência Brasil
Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) não sairá antes de dezembro. Lula, que está em viagem oficial a Moçambique, ficou sabendo da divulgação das negociações para o empréstimo pelo secretário de Imprensa da Presidência da República, Ricardo Kotscho.
“Se tiver acordo será apenas em dezembro, não é agora. Até porque eu preciso chegar ao Brasil para ver quais são as propostas técnicas. Não é possível ter um acordo com o presidente da República estando em Moçambique”, afirmou.
Lula explicou que, no momento, o que está sendo feito é a preparação de pontos de interesse do país para a conversação com os representantes do FMI, que terá início hoje. “Liquei para o Palocci (ministro da Fazenda, Antonio Palocci) e ele me explicou que a equipe técnica preparou pontos de conversação para apresentar aos representantes do FMI”.
"Não precisamos sequer dos US$ 8 bi"
Mais tarde, o presidente afirmou que o Brasil não precisa fazer um novo acordo com o Fundo, mas que poderá fechar o acerto se isso der bases para a economia crescer. "Não precisamos sequer dos US$ 8 bilhões que estão colocados a nossa disposição do acordo passado, que vence agora em dezembro", disse.
Lula afirmou ainda que o FMI precisa mudar de comportamento. "Não é mais necessário ficar exigindo que nenhum país faça ajuste fiscal, mas que os países assumam o compromisso dos acordos com o FMI da retomada e do crescimento e do desenvolvimento econômico. É essa política na minha opinião deve permear a conversa do FMI daqui para frente com qualquer país, até porque o ajuste fiscal foi fracassado na maioria dos países", declarou.
"Os países precisam voltar a crescer, e é essa a base de qualquer acordo. Ou seja, não haverá acordo impeditivo de crescimento da nossa economia", acrescentou.
O presidente citou ainda a questão do superávit primário (receita menos despesas, exceto pagamento de juros), fixada na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), no mês de junho. Para Lula, esse é um típico exemplo de decisão do governo, e não uma decisão imposta pelo FMI.
"É uma decisão do governo que nós poderemos mantê-lo (o súperávit em 4,25% do PIB) na próxima LDO ou não mantê-lo. Até porque o superávit primário não dá para pagar nem 50% do que nós temos de pagar de juros", disse.
"Há muitos e muitos anos todas as pessoas inteligentes no Brasil sabem que uma dívida de 50% ou 60% do PIB, como a do Brasil, não seria muita coisa se essa dívida fosse prefixada com prazos mais longos. Ou seja, o problema do Brasil é que se paga todo o dia. Então a dívida fica realmente cara. A Itália tem mais que 100% do PIB de dívida interna e isso não atrapalha a economia italiana. Pelo contrario, a economia vai bem", comparou.
Crescimento econômico
O presidente salientou, também, que a economia tem melhorado. "Todos os indicadores confirmam uma retomada do crescimento. Todos, mesmos os mais pessimistas dos analistas, sabem que a economia voltou a crescer".
Lula disse também que "setores importantes da economia voltaram a crescer". Ele citou especificamente as indústrias de bens de capital, papel e papelão, de automóveis e eletroeletrônicos.
"A economia está naquele ponto em que entendíamos que ela deveria estar. Não vai parar de crescer e nós não faremos nenhum acordo que impeça a economia brasileira de recuperar o tempo perdido, até porque nós temos de crescer muito nos próximos anos para dar os empregos que o povo brasileiro tanto precisa", concluiu.

