Randa Achmawi
Cairo – O acordo de livre comércio entre o Egito e a Turquia, assinado em dezembro de 2005, entrou em vigor neste mês de fevereiro. As negociações duraram oito anos. Agora haverá uma liberalização progressiva de produtos industriais, agrícolas e de serviços.
"Pensamos muito antes de assinar este acordo pois os empresários egípcios temiam a concorrência desigual. Mas após longas pesquisas e negociações, vimos a importância da cooperação entre nossos países", disse o ministro egípcio da Indústria e Comércio, Rachid Ahmed Rachid.
Segundo o ministro turco do Comércio Exterior, Kursad Tuzmen, o objetivo é obter complementaridade entre os dois países para conquistar um maior espaço no cenário internacional para os produtos resultantes da cooperação. "A mão-de-obra egípcia e a qualidade do algodão deste país, combinados à tecnologia e experiência turca, permitirão a criação de uma indústria capaz de competir com a concorrência chinesa e asiática", disse ele em uma palestra no Cairo.
Para o Egito, o acordo representa um trampolim em direção aos países da União Européia, especialmente se a Turquia tiver sucesso em seu processo de adesão ao bloco. De qualquer forma, graças à cooperação com a Turquia, o Egito poderá atender novos mercados como os países da antiga União Soviética e tirar proveito das relações comerciais mantidas entre a Turquia e a China.
O acordo permitirá também o crescimento do intercâmbio comerciais entre o Egito e a Turquia, assim como um grande crescimento dos investimentos turcos no Egito. Durante o ano de 2006, o volume de intercâmbio comercial entre os dois países já aumentou em 35% e chegou ao valor de US$ 1,2 bilhão, crescimento notável em relação aos US$ 700 milhões registrados em 2005.
Segundo estudos governamentais, com a implementação da zona de livre comércio entre os dois países este deverá chegar a US$ 5 bilhões dentro de três anos. De acordo com as previsões, no final deste período os investimentos turcos no Egito, que hoje são de US$ 100 milhões, chegarão a US$ 2 bilhões. Segundo estes mesmos estudos, a assinatura do acordo permitirá às industrias turcas se fixarem definitivamente no Egito, o que contribuirá para a criação de uma forte base industrial no país.
Indústria têxtil
A maioria dos investimentos turcos destinados ao Egito concentra-se na área de confecções. A construção de uma zona reservada aos investimentos turcos para a industria têxtil deverá ter seus trabalhos iniciados no próximo mês de maio: cerca de 130 usinas serão construídas e oferecerão 25 mil empregos.
Louis Bichara, presidente de uma das maiores confecções egípcias, a Marie Louis, não esconde, no entanto, seus receios quanto ao acordo. "Estou realmente pessimista. A Turquia é muito mais competitiva que o Egito neste setor e por isso este acordo uma repercussão negativa sobre a nossa indústria. Por causa dele várias de nossas usinas terão que fechar por causa da competição" disse ele.
Com uma indústria local que se deteriora de um ano para o outro e uma balança comercial cada vez mais favorável à Turquia, os empresários egípcios têm razões de sobra para se preocuparem. O déficit da balança comercial entre os dois países praticamente triplicou, passando US$ 171 milhões em favor da Turquia nos primeiros nove meses de 2005 para US$ 421 milhões no mesmo período em 2006.
O ministro Rachid vê essa questão de outra maneira. "Este acordo será um meio de obrigar as empresas egípcias a melhorarem sua qualidade para enfrentar a concorrência e sobreviver. Os empregados encontrarão trabalho e os salários aumentarão para os mais qualificados. Os resultados são positivos e contribuirão para reativar a economia egípcia", declarou o ministro.
"Graças aos acordos de livre comércio mantidos com vários países, os investimentos estrangeiros no setor da indústria passaram de 4 bilhões de libras egípcias (US$ 700 milhões) em 2003 para 16 bilhões de LE (US$ 2,8 bilhões) em 2006. E estamos prevendo que estes chegarão a 20 bilhões de LE (US$ 3,5 bilhões) este ano", concluiu Rachid.

