Alexandre Rocha
São Paulo – As negociações entre o Mercosul e o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) para um tratado de livre comércio podem ser concluídas ainda em 2006. É o que diz comunicado conjunto divulgado por representantes dos dois blocos econômicos, após reunião realizada durante o final de semana em Riad, capital da Arábia Saudita.
Segundo fontes do Itamaraty, a previsão, embora considerada apertada, é factível, já que há vontade política das duas partes. "Os dois lados concordaram em lançar as negociações e a estabelecer um cronograma acelerado", diz o comunicado. O Mercosul é formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Já os membros do GCC são Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã.
Este foi o primeiro encontro entre representantes dos dois blocos após a cúpula dos países árabes e sul-americanos, realizada em maio, quando foi assinado um acordo-quadro para marcar o início ao processo de negociação. Em Riad, ficou decidido que a primeira rodada de negociações será realizada em Buenos Aires, na Argentina. Ainda não foi marcada uma data, mas, segundo fontes da diplomacia brasileira, ela deverá ocorrer no início de 2006.
Antes, os dois blocos vão trocar listas de produtos que poderão fazer parte do acordo, assim como ofertas nas áreas de serviços investimentos. Segundo as regras do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (Gatt), uma zona de livre comércio, para ser reconhecida como tal, precisa contemplar uma parte "substancial" do comércio das partes envolvidas. Considera-se que isto corresponda à liberalização de 85% do comércio exterior dos blocos signatários.
No caso brasileiro, para a confecção das listas, serão ouvidos os ministérios que têm ligação com o comércio exterior, como o Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, da Agricultura e da Fazenda, além do setor privado.
Além das negociações, os dois blocos decidiram promover uma série de ações para fortalecer as relações econômicas, como o intercâmbio de missões comerciais, troca de experiências macroeconômicas e troca de informações sobre sistemas alfandegários.

