Alexandre Rocha
e Marina Sarruf, enviados especiais
Brasília – A criação de um acordo de livre comércio entre o Mercosul e o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) vai resultar em um rápido aumento do comércio entre os dois blocos econômicos, na opinião dos chanceleres dos países envolvidos. "Eu estou certo de que o valor do comércio vai aumentar rapidamente, mas também a troca de informações e de laços culturais. Estamos abrindo uma nova janela de cooperação, construindo novas pontes entre as duas regiões", disse o ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Mohammed Bin Mubarak Al-Khalifa.
Al-Khalifa, o secretário-geral do GCC, Abdul Rahman Bin Hamad Al-Attiyah, e os chanceleres do Brasil, Celso Amorim, do Paraguai, Leila Rachid, do Uruguai, Reinaldo Gargano, e da Argentina, Rafael Bielsa, assinaram ontem (10) o acordo-quadro que deu início às negociações para um tratado de livre comércio entre os dois blocos. A possibilidade de um tratado foi levantada em fevereiro de 2004, conforme antecipou a Agência de Notícias Brasil-Árabe (ANBA) no ano passado.
O GCC é formado por Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Catar, Omã e Kuwait, países cujos produtos internos brutos (PIB) somam US$ 436,6 bilhões. "O GCC é um bloco econômico muito forte no mundo árabe", acrescentou o ministro das Relações Exteriores do Kuwait, Mohammad Sabah Al-Salem Al-Sabeeh.
A assinatura do acordo-quadro foi considerada pelos ministros como um dos pontos altos da cúpula dos países árabes e sul-americanos, que começou ontem e termina hoje em Brasília. "Na minha opinião, um acordo como esse já seria justificativa suficiente para se ter a cúpula", disse Celso Amorim.
Leila Rachid acrescentou que o tratado comercial vai garantir um acesso efetivo aos dois mercados. "Temos necessidade de acesso a novos mercados representados por economias emergentes", disse ela à ANBA. "Somos economias complementares, eles precisam dos alimentos produzidos no Mercosul e nós do petróleo e seus derivados", acrescentou.
Para exemplificar a possibilidade de aumento no comércio, Leila disse que até o ano 2000 as exportações do Paraguai para os países do GCC eram quase nulas, mas, no último ano, chegaram a US$ 28 milhões. "E isso sem o acordo", disse.
Na mesma linha, Amorim disse que, após a assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a Comunidade Andina, o comércio entre os dois blocos cresceu 50%. No caso do Brasil, ele espera que em três anos a corrente comercial com todos os países árabes chegue a US$ 15 bilhões, ou até a US$ 20 bilhões. No ano passado, a balança entre o Brasil e as nações da Liga Árabe somou mais de US$ 8 bilhões
Ações
Será formado um comitê conjunto para negociar os termos do tratado comercial. Al-Attiyah espera que o trabalho do grupo esteja pronto ainda este ano. O primeiro encontro será realizado em Riad, capital da Arábia Saudita,
O acordo-quadro estabelece as linhas de ação que serão tomadas pelos dois blocos. Eles se comprometeram a promover a cooperação econômica, técnica, comercial e na área de investimentos e a expandir e liberalizar o comércio.
Para proporcionar o aumento das relações empresariais, os dois blocos se comprometeram também a tomar medida para encorajar o fluxo de capitais, com a criação de projetos conjuntos e a facilitação de investimentos corporativos, além de trocar missões econômicas e promover feiras de negócios.

