Geovana Pagel
São Paulo – As produções brasileiras de cinema e televisão poderão elevar sua participação nas exportações do país. Vender US$ 2,5 milhões em filmes e US$ 6 milhões em programas de televisão em outros países é a meta do convênio de cooperação que será assinado hoje (10) pelos Ministérios da Cultura e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a Agência de Promoção das Exportações do Brasil (Apex) e o setor privado.
Os dois setores receberão mais de R$ 13 milhões para ações de capacitação, pesquisa e prospecção de mercado e de promoção comercial no exterior num período de dois anos.
A intenção é que ao final do projeto, as produtoras brasileiras de televisão tenham atingido 120 horas de co-produção voltada para a exportação, com um preço médio de US$ 50 mil/hora. O projeto do governo é voltado a produtoras independentes, àquelas que não pertencem a canais de televisão.
Apesar de a meta de vendas anuais de filmes ter sido fixada em US$ 2,5 milhões, há expectativas de crescimento para até US$ 10 milhões anuais ao final da década. No ano passado, as exportações de filmes renderam US$ 1,8 milhão para o Brasil.
O presidente da Apex, Juan Quirós, disse que a intenção da parceria é criar uma marca forte para o setor no exterior e ampliar o número de empresas brasileiras exportadoras. "A exportação da produção nacional de audiovisual tem papel importante na divulgação internacional do país. Um dos resultados desta exposição é o interesse dos compradores internacionais nos produtos brasileiros", explicou.
Dados levantados pela Associação dos Produtores Independentes de TV (ABPI-TV) e a Brazilian Cinema Promotion (BCP) indicam que a produção independente de TV brasileira encontra mercado potencial nos Estados Unidos, Canadá, França, Inglaterra, Alemanha, Rússia, Japão, Itália e Ásia. Já o cinema nacional terá como foco Alemanha, Canadá, Colômbia, Espanha, Estados Unidos, França, Holanda, Itália e México.
Investimento
Nos primeiros dois anos serão investidos cerca R$ 5 milhões na promoção da produção independente de TV do Brasil, por meio do Brazilian TV Producers, programa de promoção do setor. O montante será disponibilizado por meio da Apex, ABPI-TV, Secretaria de Audiovisual do Ministério da Cultura e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
O cinema brasileiro receberá R$ 8,3 milhões, provenientes da Apex e da Brazilian Cinema Promotion (BCP), instituição sem fins lucrativos criada em 2001 para promover o cinema brasileiro no mercado internacional e que representa mais de 60% dos filmes de produção independente.
De acordo com Tarcisio Vidigal, presidente da BCP, o acordo representa a continuação de uma parceria já existente. Segundo ele, este é o quarto acordo que a BCP, que vai investir R$ 4,8 milhões do total disponibilizado no programa, assina com a Apex.
"O novo acordo (que será assinado hoje) prevê nossa participação em 34 eventos até 2006", explicou Vidigal. Até o final de 2004, a BCP, que atualmente tem 80 produtores associados e promove o cinema brasileiro em feiras e festivais internacionais, como Cannes, na França, e Berlim, na Alemanha, estima exportar cerca de 60 títulos nacionais.
"Hoje os principais mercados para o cinema nacional são os países da América Latina e da Europa, mas temos interesse em exportar para o mundo todo", afirmou.
Cinema brasileiro no exterior
Nos últimos três anos, o país exibiu 184 filmes em 249 festivais e mercados internacionais de 110 países. Foram assinados 120 contratos de venda de direitos de exibição.
Para se ter uma idéia do crescimento do setor, em 2001, o Brasil participou de 26 festivais e esteve presente em 25 países. Em 2003, foram 122 festivais e os filmes foram exibidos em 45 países.
O número de contratos para exibição aumentou de 58 para 190 e, se em 2001 eles geraram uma receita de US$ 600 mil, no ano passado saltaram para US$ 1,8 milhão.
Estes números são parciais e refletem apenas o resultado do Programa Internacional do Cinema Brasileiro, parceria entre a BCP, a produtora Grupo Novo de Cinema e TV, Apex e Agência Nacional do Cinema (Ancine) pois o Brasil ainda não tem uma pesquisa sobre a receita total gerada pelo cinema.

