Alexandre Rocha
São Paulo – As negociações de um acordo de livre comércio entre o Mercosul e o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) estão cada vez mais próximas de ser concluídas. Durante a última reunião entre representantes dos dois blocos, realizada no final de semana em Riad, capital da Arábia Saudita, foi produzido um texto básico que poderá ser rubricado já durante a próxima Cúpula do Mercosul, que vai ocorrer nos dias 18 e 19 de janeiro, no Rio.
"Trocaram-se as listas de produtos, chegou-se a uma definição no texto básico do acordo sobre bens, inclusive com a definição de regras de origem", disse à ANBA, por telefone, o embaixador do Brasil na Arábia Saudita, Isnard Penha Brasil Júnior. "O núcleo duro está decidido", acrescentou. De acordo com ele, as tratativas avançaram também nas áreas de serviços, investimentos e resolução se controvérsias.
Segundo o diplomata, as discussões do final de semana apontam para a desoneração tarifária da maioria dos produtos comercializados entre as duas regiões. Isto quer dizer que produtos de um bloco poderão ser comercializados nos mercados do outros sem o pagamento do imposto de importação, ou com tarifas reduzidas. O secretário-geral do GCC, Abdul Rahman Al-Atiyyah, foi convidado a participar da cúpula do Mercosul para assinar o acordo.
Antes, porém, o texto será submetido a cada um dos países envolvidos e até a data da assinatura os negociadores continuam a trabalhar e modificações podem ser feitas. Depois de assinado, o acordo ainda tem que ser ratificado pelas partes, no caso do Brasil pelo Congresso Nacional.
A negociação do tratado começou oficialmente em maio do ano passado, durante a Cúpula América do Sul-Países Árabes (Aspa). Na opinião de Isnard, que já foi embaixador também na Argélia, o processo está caminhando numa boa velocidade. "A questão andou muito bem, está sendo bem mais rápido do que as negociações com outros blocos, como a União Européia por exemplo", afirmou. "Ainda há um caminho a percorrer em termos de política externa, mas o acordo avançou muito porque há uma convergência de todos, que querem que ele saia", acrescentou.
Mercados
Com o acordo, os empresários do bloco sul-americano terão acesso mais amplo ao mercado do Golfo que, segundo informações do Itamaraty, importa o equivalente a US$ 200 bilhões por ano e tem um produto interno bruto (PIB), somando todos os países, de US$ 600 bilhões. Fazem parte do GCC a Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã. Com os ganhos provenientes do petróleo e do gás, as nações do Golfo têm investido pesadamente em negócios na própria região e fora dela.
Na outra mão, os empresários árabes do Golfo vão ter acesso facilitado ao bloco sul-americano que, também segundo o Itamaraty, tem 250 milhões de habitantes, PIB de mais de US$ 1 trilhão e um comércio global superior a US$ 300 bilhões. São membros o Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela. Segundo Isnard, representantes de todos os sócios do Mercosul participaram do encontro em Riad, sendo que o Brasil enviou o embaixador Régis Arslanian, chefe do departamento de negociações internacionais do Ministério das Relações Exteriores.

