Alexandre Rocha, enviado especial
Cairo – O texto do acordo-quadro que vai dar inicio às negociações entre o Mercosul e o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) para um tratado comercial ja está pronto para ser assinado. A informação foi dada à ANBA pelo embaixador Mario Vilalva, diretor do departamento de Promoção Comercial do Itamaraty, que participou ontem (26) da reunião das câmaras árabes de comércio na sede da Liga Árabe, no Cairo.
O diplomata se encontrou no início desta semanana com o secretário-geral do GCC, Abdul Rahman Bin Hamad Al-Attiyad, na Arábia Saudita. Al-Attiad vai a Brasília em maio participar da cúpula dos países árabes e sul-americanos e depois irá a São Paulo, a convite da Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB), para eventos empresariais.
"O texto já está pronto e aguardamos um sinal verde dos países", disse. O Mercosul é formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai e o GCC por Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã. "Vou buscar essa luz verde em Catar e Omã ainda esta semana", afirmou o diplomata, que está fazendo um giro por países árabes.
De acordo com ele, a idéia é assinar o acordo-quadro durante a cúpula. "O texto estabelece o marco jurídico para a negociação de um acordo de livre comércio", declarou. "E isso abre um novo espaço para o comércio com os árabes", acrescentou.
Vilalva lembrou que o Mercosul ja tem negociações semelhantes com outros países, como Índia, África do Sul, Coréia do Sul, Egito e Marrocos. "O Mercosul finalmente está indo além das fronteiras sul-americanas", concluiu.
De acordo com o diplomata, as negociações de acordos com os países árabes e própria realização da cúpula se inserem na política do governo brasileiro de promover a aproximação com países emergentes.
Convite para os árabes
Os diplomatas brasileiros estão realizando um tour pelos países árabes para promover os eventos empresariais que vão ocorrer paralelamente à cúpula. Ontem Vilalva falou sobre o assunto aos representantes de câmaras de comércio árabes.
Ele lembrou que o comércio do Brasil com os árabes aumentou 50% só no ano passado. "É hora de estender este processo para outros países da América do Sul", declarou aos representantes das câmaras árabes do Brasil, Alemanha, Grã-Bretanha, Argentina, Malta, Portugal, Estados Unidos (US National), Áustria, República Checa, França, Grécia, Bélgica e Luxemburgo, Suíça, Austrália e Itália.
Vilalva explicou quais serão os eventos: o seminário empresarial, que vai contar com a participação de empresários e autoridades de vários países das duas regiões, e a Feira de Investimentos, onde cada nação terá um estande para apresentar suas oportunidades.
"Não são eventos voltados para compra e venda, mas para a formação de uma nova rede de contatos entre os países, que talvez tenha mais impacto sobre a realidade econômica", disse. "Eu convido todos a participar", acrescentou.
Também na Arábia Saudita, onde esteve antes de chegar ao Cairo, o diplomata convidou os empresários locais a participarem das atividades paralelas à cúpula, o que fará ainda em Catar e Omã, seus próximos destinos. Os embaixadores Rui Nogueira e Osmar Chofi foram designados para fazer o mesmo em outros países árabes.
A mensagem de Vilalva foi ratificada pelo secretário-geral da Liga Árabe, Amr Mussa, que presidiu a reunião. "São dois blocos econômicos que não podem se ignorar. Seria um grande erro dos árabes continuar a fazer isso. Nunca é tarde para começar", declarou. "Por isso todos estão convidados para participar deste evento importante", acrescentou. Mussa vai participar da cúpula.
O secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB), Michel Alaby, acrescentou que, após a cúpula, nos dias 12 e 13 de maio, será realizado um outro evento voltado aos negócios em São Paulo. Desta vez organizado pela própria câmara.
"E se Deus quiser poderemos ter novamente a presença do embaixador Mussa em São Paulo", afirmou ele, ao formalizar convite para o secretário-geral da Liga.
Fórum
No último dia de reunião das câmaras árabes, entre outras decisões, ficou definida a realização de um Fórum Árabe-Europeu no próximo ano em Paris. A idéia veio em substituição à proposta original de se organizar um simpósio internacional mais abrangente sobre cooperação e desenvolvimento no mundo árabe.
"O fórum na Europa será um começo e depois poderá ser ampliado", afirmou o secretário-geral da União Geral das Câmaras de Comércio, Indústria e Agricultura dos Países Árabes, Elias Ghantous.

