Alexandre Rocha
São Paulo – A assinatura de um acordo sanitário entre o Brasil e o Egito pode facilitar as exportações de carne bovina, reduzir custos e dar mais segurança aos negócios. Ainda não há um processo formal de negociação em andamento na área de carnes, mas, segundo informações do Ministério da Agricultura, o governo brasileiro tem interesse em firmar um convênio do gênero. Já existem, no entanto, tratativas em torno de um protocolo sobre o comércio de animais vivos.
De acordo com o ministério, com um acordo sanitário, o país comprador, no caso o Egito, delega ao governo do país exportador o direito de fiscalizar os frigoríficos e habilitá-los como fornecedores. Trata-se de um "convênio de equivalência", no qual o Brasil se comprometeria a certificar as unidades produtoras de acordo com os requisitos das autoridades sanitárias egípcias.
Isso, segundo fontes do ministério e especialistas ouvidos pela ANBA, por um lado ajudaria na redução dos custos, pois evitaria a necessidade de visitas freqüentes de técnicos egípcios aos frigoríficos brasileiros para verificar se eles estão dentro dos padrões exigidos, já que estas viagens são pagas pelas empresas envolvidas no negócio.
O tratado daria também mais rapidez às transações, pois a realização de visitas de delegações estrangeiras depende de uma série de acertos diplomáticos e de disponibilidade de agenda dos técnicos.
Os produtores de carne estão especialmente interessados em promover a negociação entre os dois governos. De acordo com o diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Antonio Jorge Camardelli, até o final do mês a entidade vai receber uma delegação de técnicos egípcios, que vão visitar os frigoríficos associados, e pretende colocá-los em contato com representantes do Ministério da Agricultura. Em junho a associação pretende ainda promover um workshop sobre o setor na embaixada brasileira no Cairo.
"Queremos promover uma aproximação e melhorar a cooperação técnica", disse Camardelli. A idéia é evitar problemas com um mercado que se tornou extremamente importante para os exportadores brasileiros. Mesmo sem o acordo, o Egito tem figurado entre os maiores importadores do Brasil. Em fevereiro, por exemplo, o país árabe foi o principal comprador da carne fresca brasileira, com 18,9 mil toneladas importadas a US$ 19,9 milhões.
Segurança
Na avaliação de especialistas e fontes do ministério, a chancela oficial daria maior segurança aos negócios na eventualidade do aparecimento de problemas isolados, como o foco de febre aftosa identificado no estado do Pará no ano passado.
O convênio pode criar, por exemplo, um canal de comunicação entre os países parceiros que permita o rápido fornecimento de informações "privilegiadas" quando surge algum problema, evitando até boicotes desnecessários. Ao disciplinar as transações no setor, de acordo com Camardelli, as negociações poderiam também discriminar as eventuais áreas de risco.
"O acordo teria como objetivos estabelecer padrões sanitários no que diz respeito ao abate, embalagens, etc.", disse o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB), Michel Alaby, que recentemente visitou o Ministério da Agricultura do Egito e conversou sobre assunto com as autoridades locais. "Sem dúvida um acordo como esse facilitaria muito as exportações de carne para o Egito", acrescentou o presidente da CCAB, Antonio Sarkis Jr.
É preciso lembrar que as carnes exportadas para os países muçulmanos, além de seguir os requisitos sanitários tradicionais, têm que ser preparadas de acordo com as exigências islâmicas, como o abate halal dos animais. Para Alaby, um acordo com o Egito, a exemplo do que já foi assinado com a Argélia, poderia promover ainda mais o produto brasileiro na região como um todo.

