São Paulo – A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) projeta superávit de US$ 51,65 bilhões para a balança comercial brasileira em 2017, um novo recorde histórico. Se confirmado, ele representará um avanço de 13,1% sobre o saldo positivo de US$ 45,65 bilhões que a associação estima para o comércio exterior brasileiro no fechamento de 2016, número que já é recorde.
Em entrevista à Agência Brasil, o presidente da entidade, José Augusto de Castro, afirmou esperar recuperação nas exportações e importações no ano que vem. Neste ano e em 2015 o recuo mais acentuado das compras externas, por conta da recessão, garantiu um saldo positivo na balança comercial.
Segundo Castro, o aumento dos preços das commodities pode contribuir para o crescimento das vendas externas. “É provável que tenham um aumento em 2017, principalmente petróleo e minério de ferro. Acho que vai ter um aumento também nas importações. Mas a chance de errar é muito grande, pois além de tudo nós temos o efeito Trump”, afirmou o executivo.
A posse do novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, traz diversas incertezas ao cenário econômico interno e externo. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil acreditam que ele pode adotar medidas protecionistas na maior economia mundial, afetando o comércio internacional.
“Provavelmente vai aumentar um pouco a exportação e importação. Um total de 50% da importação brasileira é de insumos para a indústria. Quando você tem uma retomada do crescimento da economia, aumenta muito a importação de insumos”, disse Welber Barral, DA Barral M Jorge Consultoria, à Agência Brasil. O aumento no PIB para 2017 deverá ficar entre 0,5% e 1%.
A AEB acredita em crescimento de 7,2% nas exportações, passando de US$ 184,16 bilhões projetados em 2016 (os dados ainda não foram fechados) para US$ 197,36 bilhões no ano que vem. As importações, por sua vez, subirão dos esperados US$ 138,51 bilhões em 2016 para US$ 145,71 bilhões em 2017, avanço de 5,2%.
Dentre os produtos básicos, a AEB projeta aumento nas exportações principalmente de soja em grão (13,4%), minério de ferro (35,7%), petróleo bruto (26,6%) e carne de frango (6,2%). Nos semimanufaturados, destacam-se as projeções para o açúcar (2,9%) e celulose (8,8%). Já nos produtos manufaturados, puxam a previsão de crescimento aviões (8,2%) e automóveis (10,8%).


