São Paulo – Apesar da crise econômica e da desaceleração do crescimento mundial, os países africanos continuarão a crescer acima da média nos próximos anos e, assim, promover a inclusão social da sua população. Essa é uma das conclusões do estudo Africa’s Pulse, realizado duas vezes por ano e divulgado nesta quinta-feira (4) pelo Banco Mundial. O estudo considera o crescimento da África subsaariana, que não inclui Tunísia, Marrocos, Egito, Argélia nem Líbia.
Entre os países árabes, são contemplados pela pesquisa Sudão, Somália, Mauritânia, Djibuti e Ilhas Comores. Segundo o Africa’s Pulse, os países subsaarianos deverão crescer 4,8% em 2012. Um terço desses países, porém, vai crescer pelo menos 6% nos próximos anos.
O estudo afirma que os países africanos estão se tornando nações de renda média, que na escala do Banco Mundial são as nações em que a renda per capita é superior a US$ 1 mil.
Por este cálculo, 22 países africanos que, juntos, têm uma população de 400 milhões de pessoas, já atingiram o patamar de nações com renda média. Outros dez países, com 200 milhões de habitantes, deverão ser classificados desta forma até 2025. Sete nações que têm 70 milhões de pessoas poderão alcançar esse status até 2025 se crescerem, em média, 7% ao ano até lá. É o caso do que está ocorrendo com Serra Leoa, que tem aumentado a renda da população em consequência da expansão promovida na extração de minério.
Outros dez países que são o lar de 230 milhões de pessoas, porém, não deverão alcançar a classificação de nações de renda média porque são afetados por conflitos internos que interferem no seu crescimento.
Já são classificados como países de renda média no continente, segundo o estudo, África do Sul, Sudão, Mauritânia, Senegal, Djibuti, Costa do Marfim, Sudão do Sul, Angola, Nigéria e Zâmbia. Entre aqueles que provavelmente atingirão esse status até 2025 estão Quênia, Ilhas Comores, Zimbábue e Chade. Já entre os que precisam crescer 7% para atingir esse nível estão Mali, Togo e Guiné. Somália, Etiópia, Eritreia, Tanzânia, Níger são as nações que o Banco Mundial afirma não terem condições de se tornar países de renda média nos próximos 13 anos.
O que tem feito esses países crescerem e deverá continuar a impulsionar suas economias, afirma o levantamento do Banco Mundial, é o aumento da receita com commodities e das exportações dos países que descobriram e passaram a explorar recentemente reservas minerais. Em 2010, por exemplo, 8% da bauxita mundial foi produzida na Guiné, 5,8% do ouro veio de Gana e Mali e 6,7% do cobre foi proveniente das explorações do Zâmbia e da República Democrática do Congo.
Ainda segundo o estudo, o Sudão exportou para a China mais de 70% do total vendido para o exterior em 2010. Os clientes chineses também foram o destino de quase 50% das exportações da Mauritânia. Os sudaneses exportaram, principalmente, petróleo. Já a Mauritânia enviou commodities minerais.
O economista-chefe do Banco Mundial para a África e autor do levantamento Africa’s Pulse, Shantayanan Devarajan, afirmou que os países africanos ricos em recursos naturais precisam fazer a "escolha consciente" para investir em melhorias nos serviços de saúde, educação, geração de emprego e redução da pobreza.
Mesmo assim, os países africanos não estão livres do contágio da crise que afeta os ricos. Segundo o Banco Mundial, a desaceleração da economia atinge também grandes clientes dos africanos, como a China. Além disso, as áreas agrícolas do Sahel estão sujeitas a pragas. É o caso da infestação de gafanhotos que já afeta o Mali e o Níger e, agora, ameaça as lavouras da Mauritânia e do Chade. Além de interferir nas receitas, as pragas podem levar insegurança alimentar a estes países.

